sexta-feira, 31 de julho de 2020

O QUE É SEGUIR A SANTO TOMÁS EM ESPÍRITO E EM LETRA – OU SE SANTO TOMÁS É INERRANTE


Carlos Nougué

1) Alguns dos expoentes do neotomismo, como Gardeil e Hugon, tentaram um retorno ao espírito e à letra da doutrina de Tomás, após séculos de desvios com relação a esta por parte dos tomistas. Não foram de todo bem-sucedidos, mas lançaram importante semente que, no âmbito da Metafísica, germinaria um tanto com Cornelio Fabro, sobretudo com seu resgate e aprofundamento da distinção entre “ser ou ato de ser” e “existência”. Infelizmente, todavia, a doutrina de Fabro acabou por degenerar-se em algo oposto ao tomismo: certo voluntarismo, digamos, scoto-kierkegaardiano. No âmbito da Lógica, no entanto, destacar-se-ia em tal retorno e aprofundamento Santiago Ramírez, sobretudo com seu imprescindível De analogia; mas desgraçadamente o Padre dominicano aderiria ao pior desvio do tomismo: a traição nominalista-liberal da Política de S. Tomás e do magistério da Igreja começada por Vitoria e sua Escola de Salamanca e rematada, horripilantemente, por Jacques Maritain. – Quem vai retomar com grandíssima felicidade, no século XXI, o antigo projeto de Gardeil e de Hugon é o Padre argentino Álvaro Calderón. Sua obra é já muito extensa (sobretudo se se somam a seus livros publicados os esotéricos, escritos para os seminaristas alunos seus) e centra-se em pontos precisos, ou seja, aqueles capitais em que mais sofreu inflexões ou desvios o tomismo ao longo de sete séculos: a Lógica (sobretudo pela infausta distinção de João de Santo Tomás entre lógica material e lógica formal e por outros erros seus, fundados em parte na crença equivocada de que o opúsculo Summa totius Logicae Aristotelis fosse do Doutor Angélico e não obra apócrifa); a Cosmologia; e a Política, ou antes, a Teologia política. Quanto à Física Geral, apoia-se em Tomás e em João de Santo Tomás, mas agregando-lhes dados tirados da base para indução que são as descobertas das “ciências” modernas. Dizer porém que seu lema “seguir a S. Tomás em espírito e em letra” é um “paleotomismo” implica ou malícia ou desconhecimento de sua obra. Porque, com efeito, na apresentação de seu La naturaleza y sus causas diz que não seguirá ali a letra de Tomás; em vários de seus escritos assinala a caducidade da cosmologia e da doutrina da infusão diferida da alma humana sustentadas por Tomás; em Umbrales de la Filosofía defende que a controversa doutrina da “separatio” é algo da juventude de Tomás, jamais retomado por ele, e que devemos deixar de lado; etc. Mas então por que insiste em que devemos “seguir a S. Tomás em espírito e em letra”? Primeiro, porque é um católico verdadeiro: segue nisto o magistério autêntico da Igreja em sua sustentação de que Tomás é o Doutor Comum da Igreja e de que deve ser a referência primeira e última nos estudos católicos; e em sua como “canonização” da metafísica tomista, mediante as 24 Teses encomendadas por S. Pio X e firmadas por Bento XV. Mas, segundo, porque, como somos todos inferiores intelectualmente a S. Tomás (esse homem único, talhado por Deus para ser uma máquina de pensar), devemos “sempre que possível” seguir sua letra, sob pena de erro; e “sempre” seguir seu espírito, por razão ainda mais óbvia. Mas seguir a Tomás em espírito não implica que sejamos uns como “curadores de museu”, e seria o próprio Tomás quem, se revivesse hoje, denunciaria a caducidade de sua cosmologia, de sua doutrina da infusão diferida da alma humana, etc.
2) Eu filio-me resolutamente à escola de Calderón (sem que isso implique, naturalmente, que ele aprove meus escritos...). Por uns bons anos, fui ou tentei ser discípulo seu em sentido estrito: nesses anos não fiz senão repetir o que aprendia dele. Que anos estupendos! Mas sempre chega a hora de que o pupilo, assim como um filho com respeito a seus pais, ganhe o mundo e voe com asas próprias, ainda que sempre com os pés firmemente postos sobre os ombros de gigantes (e em particular os do Mestre Tomás). Publiquei já cinco livros (e creio que até o fim do ano que vem terei lançado outros quatro), e não o faria se não tivesse algo próprio que dizer. Mas tal algo próprio o é ainda mais em Da Arte do Belo, em que, conquanto fundado sempre em princípios aristotélico-tomistas (e, pode dizer-se, calderonianos), vou além desses mestres maiores ao estabelecer uma nova ciência, a Ciência prática da Arte do Belo. Mas algo tão próprio como este livro serão minhas Questões Metafísicas (por publicar-se no ano que vem pela É Realizações), as quais talvez venham a surpreender a todos. Nelas mostrarei que, embora nos fundamentos doutrinais S. Tomás se tenha mantido inalterável da juventude à morte, em outros aspectos, porém, ele mudou, sim. Exemplos: a já citada “separatio”; a inteligência do transcendental “res” (coisa), com respeito ao qual abandonaria a estrita influência aviceniana mostrada nas Questões Disputadas sobre a Verdade (De veritate); algumas questões teológicas (compare-se seu Comentário às Sentenças de Pedro Lombardo com a Suma Teológica); etc. Mais ainda, todavia (e não se escandalizem antes da hora): o Mestre Tomás, como todo ser humano, era capaz até de incorrer em alguma falácia (ou seja, em erro quanto à figura do silogismo). Como diz Calderón, conquanto haja, sim, lugar na ciência para erros por defeito nos princípios, não o há porém para as falácias. Mas dizer que não o há não quer dizer que, por mais que dominemos os Analíticos Anteriores de Aristóteles, não as possamos alguma vez cometer todos, incluindo S. Tomás. Nos que dominam a referida obra aristotélica, tal ocorre sem dúvida por distração, ou por pressa, de modo que, conhecendo o conjunto da doutrina de, por exemplo, S. Tomás, podemos ver que por ela mesma se pode sanar o silogismo defeituoso. Mas não devo antecipar o que tratarei nas Questões Metafísicas, que, como já disse algumas vezes publicamente, é um projeto que acalento tanto como o de Da Arte do Belo.
E baste aqui quanto a este assunto o dito acima.          


quinta-feira, 30 de julho de 2020

LIVE COM PROF. CARLOS NOUGUÉ - O REINADO SOCIAL DE JESUS CRISTO E SUAS C...



   
Foram quase 3 horas de live sobre O REINADO SOCIAL DE JESUS CRISTO E SUAS CONTRAFAÇÕES. Não deixem de assistir e de inscrever-se no canal do Youtube do Centro Cultural Ávila. Agradeço a André e a Márcio a oportunidade ímpar de expor tão longamente a doutrina fundamental da Cristandade, infelizmente tão combatida ou "esquecida" desde há 6 séculos por doutrinas mais ou menos descaradamente opostas à realeza de Cristo.


terça-feira, 28 de julho de 2020

MARIA PURÍSSIMA


Em setembro vai ao ar o terceiro módulo de meu curso de Apologética: “MARIA PURÍSSIMA”. Aguardem, por favor.


domingo, 26 de julho de 2020

UMA GERAÇÃO DE CATÓLICOS LIBERAIS E TÍBIOS, DESSES QUE SERÃO VOMITADOS POR CRISTO


Carlos Nougué

Diante da ofensiva do STF contra as “fake news” (que existem, sim, na direita, embora o STF não diga que também existem na esquerda), vemos multidão de católicos mornos e subservientes aos princípios liberais clamar, com a direita, pela “liberdade de expressão para todos”, até para os inimigos de Cristo e para o erro em geral. Mas, como disse o magistério tradicional e autêntico da Igreja, o mal, o pecado, o erro não têm direito algum, nem, portanto, o de expressar-se. A bandeira da “liberdade de expressão” é uma bandeira liberal-revolucionária e não se ergueu senão para esmagar aquela que era uma barreira contra o mal e o erro: a Igreja.
Objeção: Mas hoje, se os católicos não se unirem aos liberais e aos conservadores pela liberdade de expressão em geral, eles mesmos terão impedida sua liberdade de expressão.
Resposta: Só católicos tíbios, desses que Cristo mesmo vomitará (como se lê no Apocalipse de São João), podem pensar assim. Não importa o que nos aconteça: opressão, falta de liberdade, prisão, porque devemos imitar a Cristo e aos mártires que O imitaram nos primeiros séculos do cristianismo -- aceitavam docilmente o que lhes adviesse para não acender nem sequer um incenso aos falsos deuses. E o que lhes adviesse em imitação de Cristo assegurava-lhes a coroa da justiça na vida eterna.
Objeção: Mas a democracia liberal é menos má que uma tirania.
Resposta: A democracia liberal, em si mesma já uma tirania disfarçada, só por um tempo é menos má que a tirania aberta: logo ela se transforma também em tirania franca, sobretudo, hoje em dia, nos moldes marcusianos (como a que está instalando-se no Brasil sob o silêncio de Bolsonaro [tudo para salvar o próprio pescoço e o de seus filhos], e como a que já se instalou no Canadá, nos países nórdicos, na França, na Inglaterra, na Espanha, etc.). – Naturalmente, não devemos gritar: Muito bem, STF, reprima mesmo as “fake news” da direita!, porque isso seria aplaudir um inimigo ainda mais virulento. Mas de modo algum podemos apoiar uma bandeira iníqua como a da “liberdade de expressão”. Analogamente, os primeiros cristãos não haveriam de aplaudir o imperador romano que por qualquer razão decidisse martirizar os membros das falsas religiões orientais. Mas jamais incorreriam na heresia de erguer a bandeira da “liberdade religiosa” para todas as religiões, ou seja, incluindo as falsas.

Para entender melhor tudo isso, leia-se a estupenda encíclica Mirari vos (1832), do Papa Gregório XVI.


quarta-feira, 22 de julho de 2020

EM DEZEMBRO LANÇAREI UM NOVO LIVRO


Carlos Nougué

Em dezembro, se Deus quiser, sairá pelas Edições Santo Tomás e pela Resistência Cultural meu sexto livro: um volumoso Comentário ao Apocalipse de São João. Trata-se de comentário em moldes tomistas (ou seja, ao modo como S. Tomás comentou as Epístolas paulinas e outros livros sagrados: versículo a versículo), mas com particularidades minhas: a saber, capítulos introdutórios (por exemplo, “Os sentidos das Escrituras”, “O que distingue o Apocalipse de outras profecias bíblicas, como Ezequiel e Daniel”, “História dos Comentários ao Apocalipse – dos Padres aos dias atuais”, etc.) e maior extensão no comentário dos capítulos mais importantes da profecia, como, por exemplo, o do milênio e o da descrição da Jerusalém Celeste. – Mas o livro trará dois apêndices. O primeiro será “Da História e Sua Ordem a Deus”, que explicará a história segundo as quatro causas (material, formal, eficiente e final), tratará as principais visões não cristãs ou anticristãs da história, e traçará a história do mundo até hoje quanto ao essencial, com alguma especulação escatológica em perspectiva. Hão de perguntar-se, porém, por que deixei de lado o projeto de “Da História e Sua Ordem a Deus” como livro à parte, como história mais detida do mundo e da Igreja. É que coincidiria com o escopo que tem o Pe. Calderón em seu estupendo El Reino de Dios – La Iglesia y el orden político, em verdade apenas o primeiro tomo de quatro. Mas este apêndice resgatará do antigo projeto os pontos arrolados acima. – O segundo apêndice será sobre temas, digamos, “genésicos”: a idade do universo e da terra; a idade dos vegetais, dos animais, do homem; história da pré-história?; o que são espécie e raça; o Dilúvio e a Arca de Noé; os duvidosos métodos modernos de datação; a “diáspora” da estirpe de Noé; a torre de Babel; etc.
Como quer que seja, parece-me que o Comentário ao Apocalipse de São João se defende por si mesmo, ou seja, parece-me que se justifica por sua urgente necessidade. É preciso tirar das mãos de aventureiros e teólogos de algibeira, nestes dias de tintas apocalípticas, a hegemonia sobre os católicos quanto ao fim dos tempos, etc. Ademais, os dois principais Doutores da Igreja, Santo Agostinho e Santo Tomás, nunca comentaram a profecia de São João (Agostinho a tratou somente em homilias, ou seja, a modo retórico e não orgânico). Baste pois por ora o dito.  Voltarei a falar do novo livro em data oportuna.
Observação 1: obviamente, este livro será um grandíssimo e extenso aprofundamento do que digo no Curso sobre o Apocalipse.
Observação 2: dada a referida urgência do Comentário ao Apocalipse, a Suma Retórica fica postergada para o próximo ano – o que decidi em concordância com José Lorêdo Filho, o dono da Resistência Cultural (que, como disse, coeditará o Comentário ao Apocalipse de São João). E eis a palavra – gentil – de Lorêdo quanto a isto:


AVISO – Suma Retórica, de Carlos Nougué

Caros amigos e leitores, Salve Maria Santíssima.
Muitos de vocês já aguardavam para setembro a publicação, pela Resistência, da Suma Retórica, do mestre Carlos Nougué, certamente um livro que ganhará o status de clássico no gênero. Mas teremos de esperar um pouco mais, e já explico por quê.
O prof. Carlos Nougué, mercê de sua prodigiosa capacidade de trabalho, propôs-se a redigir um Comentário ao Apocalipse de São João, obra que se proporá a oferecer uma visão genuinamente católica de questão tão espinhosa quanto distorcida como o é o Fim dos Tempos. Perguntou-me, pois, o mestre, com a sua amabilidade costumeira, se seria possível esperássemos até o ano que vem para que me enviasse os originais da Suma Retórica. Dado o caráter emergencial de uma obra que se pretenda inteiramente amparada no Magistério da Igreja acerca do Apocalipse, minha resposta não poderia ser outra senão a concordância e, em seguida, o incentivo.
O que poderia, então, parecer um prejuízo (esperar a publicação de um grande livro é sempre um tormento) acabou por se revelar uma alegria, pela perspectiva da publicação, em dezembro, do ambicioso Comentário ao Apocalipse de São João, do prof. Nougué, que a Resistência, se Deus quiser, publicará em parceria com a Edições Santo Tomás, do querido Marcel Barboza.
Aguardemos só um pouco, e teremos mais alguns itens no seleto catálogo das obras-mestras.
Um grande e afetuoso abraço – e viva Cristo Rei.



BELA AULA DE ADAUTO LOURENÇO SOBRE O DILÚVIO E A ARCA DE NOÉ



    Adauto Lourenço é um protestante com muitos dos defeitos metafísicos e teológicos dos protestantes (nega, por exemplo, que se possa demonstrar a existência de Deus, e interpreta anticaloticamente o Apocalipse). Mas vejam que aula magnífica sobre o Dilúvio e a Arca de Noé! Como sempre digo, enquanto a maioria dos pensadores católicos chafurda em concessões indevidas ao evolucionismo, pensadores protestantes vêm dando contribuições imprescindíveis quanto ao livro do Gênesis (e em particular quanto aos duvidosíssimos métodos modernos de datação). Às vezes pecam por certa rigidez com respeito aos Dias da Criação, tema sempre debatido entre os Doutores cristãos. Quanto porém a episódios como o Dilúvio, vêm-nos dando uma lição de observância do sentido literal ou histórico como aquele primeiramente intentado por Deus e seu instrumento, o hagiógrafo. Rezo pela conversão desses pensadores protestantes; mas devo tirar o chapéu a um homem como Adauto Lourenço. Seus estudos, bem como os de outros pensadores protestantes (sobretudo com respeito aos já referidos e duvidosos métodos de datação e à "diáspora" da estirpe de Noé), ser-me-ão de grande utilidade no livro que anunciarei ainda hoje (ainda que adaptando sua terminologia à terminologia mais científica do aristotelismo-tomismo). Não deixem de assistir a este vídeo.


segunda-feira, 20 de julho de 2020

EVA, A MÃE DE TODA A HUMANIDADE


Carlos Nougué


Não deixa de impressionar que até hoje haja quem sustente que a humanidade não proveio de um só casal, mas de muitos; é a heresia do poligenismo. E não deixa de impressionar porque, além do mais, hoje se sabe pelo marcador genético matrilinear do DNA mitocondrial (mtDna) que todos proviemos de uma só e única mulher. Tratarei isto mais detalhadamente em livro e no tratado da Biologia da Escola Tomista.


sábado, 18 de julho de 2020

INSISTO EM MINHA ANTIGA RENEGAÇÃO E DOU UM EXEMPLO



Carlos Nougué

Já há cerca de 10 anos reneguei TUDO quanto havia escrito anteriormente, quer para o blog Contra Impugnantes, quer em apresentações ou prefácios de livros, etc. (mas não em livros meus, porque só de dez anos para cá é que os publiquei). Isto se deve a que ainda não havia conhecido a obra do Pe. Álvaro Calderón e, portanto, ainda não o havia tomado por mestre, o que só se deu a partir de minha tradução de seu A Candeia Debaixo do Alqueire. Conhecendo tal obra, de um tomismo verdadeiramente vivo, veraz e fiel, tive de renegar meu passado tomismo por eclético e não raro heterodoxo, fruto de autodidatismo, coisa que hoje não hesito em condenar. (É claro que tal passado me permitia tomar o Pe. Calderón por mestre a partir tão somente do estudo de sua extensa obra, sem contato pessoal nem online com ele. Mas em si mesmo esse passado era condenável, repito-o, por eclético e não raro heterodoxo.) Pois bem, dou um exemplo disto: o prefácio ou apresentação que fiz do livro de Jorge Martínez Barrera A Política em Aristóteles e Santo Tomás, publicado pela editora Sétimo Selo e que eu também traduzira. Em tal apresentação, bem como em palestras que então dei no Rio de Janeiro, defendi entusiasticamente o livro. Mas hoje sei perfeitamente que a obra padece de certo e grave liberalismo (católico...) quanto às relações entre poder temporal e poder espiritual e quanto à compreensão da Política aristotélica, que o autor também vê com tais lentes liberais. Renego pois tudo quando escrevi e falei, há mais de dez anos, sobre este livro. Mas por que insisto agora naquela renegação geral e nesta renegação particular? Porque o Centro Dom Bosco relançou o livro com minha antiga apresentação. Atenção: não estou criticando o CDB, que adquiriu legitimamente da Sétimo Selo os direitos de publicar também este livro (incluída minha apresentação). Um dirigente seu até me ofereceu que eu revisasse a apresentação. Declinei a oferta por uma razão óbvia: não se trataria de revisão, mas de crítica aberta ao livro. Sem imputar pois nada ao CDB, sinto-me porém agora no dever de esclarecer publicamente minha atual postura com respeito à obra e à minha mesma apresentação. E baste aqui o dito.
Nota 1: Jorge Martínez Barrera é homem boníssimo, com quem desfrutei ótimos momentos durante sua estada no Rio de Janeiro para o lançamento da referida obra. Mas amigos, amigos, verdades à parte.
Nota 2: quando digo que tive (e tenho) o Pe. Calderón por mestre, não quero dizer que ele adira ao escrito em meus livros. Ele os possui, mas creio que não lê em português. Não sei, pois, que opinião teria sobre eles se os lesse. E eles são de minha inteira responsabilidade. É que sempre chega o momento de o pupilo entrar a voar com as próprias asas.




sexta-feira, 17 de julho de 2020

PROMOÇÃO


A partir de hoje até o dia 24 de julho, todos os livros da editora @edicoessantotomas estarão com 30% de desconto!
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VIDA CONTEMPLATIVA, NÃO INTELECTUAL


Carlos Nougué

Em verdade, falando propriamente, a vida que devemos buscar é a bíos theoretikós de Aristóteles, a vida teorética, a vida contemplativa (claro que aperfeiçoada e sobre-elevada pela graça). Devemos pois buscar ser contemplativos. Chamar-se a si ou a outrem “intelectual” é quase sempre incorrer na ácida crítica de Adimanto (no diálogo República de Platão): a maioria dos que se dedicam à filosofia é perversa! Só uma minoria é contemplativa. Pois bem, aquela maioria é justamente a que já desde há alguns séculos se vem chamando “intelectual”, e que, ainda falando propriamente, não é filósofa, porque não tem verdadeiro amor à Sabedoria. Tem amor à glória do mundo ou ao mesmo mundo.




quinta-feira, 16 de julho de 2020

BIG BANG E RELATIVIDADE


No tratado da Cosmologia da Escola Tomista, daqui a duas aulas (será a aula 154), tratarei a hipótese do big bang, aceita como "verdadeiramente provável" por Pio XII. Mas será possível desvincular tal hipótese -- de que é correlata a prolífica noção de curvatura do espaço -- do absurdo relativismo do movimento e do tempo, tão caro ao einsteinianismo e caudatário do sensismo de um Hume? Ou se trata inexoravelmente, como o queria Einstein, da curvatura de um espaço-tempo? No vídeo abaixo, de quatro anos atrás, eu já tratava o equívoco central da teoria da relatividade. Na referida aula da Escola Tomista, estudarei, então, a possibilidade de desvincular a noção de curvatura do espaço da sofística relatividade do marco de referência mototemporal.

Curso sobre o Apocalipse e pré-anúncio editorial


Carlos Nougué

Além do curso-comentário sobre o Apocalipse de São João (cujo número de inscritos já supera toda a nossa expectativa), em breve anunciarei uma (creio que) grande novidade editorial de minha parte, também no campo da exegese bíblica. Está mais que na hora de tirar das mãos dos aventureiros e teólogos de algibeira a hegemonia que alcançaram na (des)informação dos católicos quanto à Sagrada Escritura. Aguardem-me, por favor, e enquanto isso convido a todos a inscrever-se no curso sobre o Apocalipse.

Link para inscrição:




segunda-feira, 13 de julho de 2020

DOM ATHANASIUS SCHNEIDER E O CVII


Diane Montagna: Quais foram os principais argumentos contra o Arcebispo Lefebvre e os críticos do Vaticano II?
Dom Schneider: Foi dito: “Sua posição é tomada apenas de alguns Papas, de Gregório XVI, Pio IX, Pio X, Pio XI, Pio II, enquanto nossa posição é de 2.000 anos. O senhor está fixado em um período muito breve de pensamento do século XIX”. Esse foi substancialmente o argumento da Santa Sé contra o Arcebispo Lefebvre e contra aqueles que levantaram sérias questões legítimas sobre pontos duvidosos nos textos do Concílio.
No entanto, isso não está correto. Os pronunciamentos dos Papas perante o Concílio, mesmo os [Papas] dos séculos XIX e XX, refletem fielmente seus predecessores e a constante tradição da Igreja de maneira ininterrupta. Não se poderia reivindicar nenhuma ruptura nos ensinamentos daqueles Papas (Gregório XVI etc.) em relação ao Magistério anterior. Por exemplo, com relação ao tema da realeza social de Cristo e da falsidade objetiva das religiões não cristãs, não é possível encontrar uma ruptura perceptível entre os ensinamentos dos Papas Gregório XVI a Pio XII, por um lado, e os ensinamentos do Papa Gregório Magno (século VI) e seus antecessores e sucessores, por outro. Pode-se realmente ver uma linha contínua, sem qualquer ruptura, desde os tempos dos Padres da Igreja até Pio XII, especialmente em tópicos como o reinado social de Cristo, liberdade religiosa e ecumenismo.
Diane Montagna: Alguns fortes defensores do Vaticano II dizem que o Concílio é um meio para a Igreja voltar às raízes, ao modelo pré-Constantiniano.
Dom Schneider: É precisamente nesse argumento que eles se revelam ou “desmascaram-se” e, graças a Deus, eles dizem isso. Voltarei ao seu argumento, mas eu apenas gostaria de acrescentar que geralmente os argumentos da Santa Sé contra o Arcebispo Lefebvre eram de que os pontos disputados do Concílio estavam em total continuidade com os ensinamentos anteriores da Igreja. Dessa maneira, os homens que trabalham para a Santa Sé acusaram implicitamente Gregório XVI, Pio IX e todos os Papas, até Pio XII, de serem, de alguma forma, um fenômeno exótico nos dois mil anos de história da Igreja, uma ruptura com o tempo antes deles.
Diane Montagna: Uma ruptura de 150 anos, um parêntese na história da Igreja...
Dom Schneider: Eles não disseram isso explicitamente, mas de fato é assim. E o que eles dizem agora, como a senhora mencionou, é que o parêntese encerra não apenas 150 anos, mas o período do século IV (com Constantino) ao Vaticano II - um parêntese de 1700 anos! No entanto, esse pensamento claramente não é Católico. Esta é, em substância, a posição teológica de Martinho Lutero. Seu argumento principal era que, com Constantino, a Igreja se desviou do caminho da verdadeira doutrina do Evangelho, um parêntese que durou até sua própria emersão no século XVI. Esse argumento é a posição dos liberais hoje, e, especialmente, também do Caminho Neocatecumenal. Tal posição teológica é, em última análise, protestante e herética, porque a Fé Católica implica uma tradição ininterrupta, uma continuidade ininterrupta, sem nenhuma ruptura doutrina e litúrgica perceptíveis.” 

Dom Athanasius Schneider e Diane Montagna. Christus Vincit: o triunfo de Cristo sobre as trevas destes tempos, 1ª edição. São José dos Campos: Instituto Gratia, 2020, p. 143-145.

TERMOS E EXPRESSÕES DE SANTO TOMÁS


Carlos Nougué

I) Termos usados por Santo Tomás de Aquino que não se devem traduzir por não terem equivalente preciso nas línguas modernas.
1) Hoc aliquid (= grego aristotélico tóde tí): este algo, este ente concreto, esta substância (= ousía) primeira.
2) Per sē: se tiver o sentido de por si (mesmo), traduza-se; se não, ou seja, se tiver o sentido de ‘por essência’ ou ‘essencialmente’, mantenha-se a expressão latina. Opõe-se a per accidens.
3) Per accidens: não essencialmente, ou seja, acidentalmente (mas veja-se que esta palavra portuguesa é aqui ambígua, porque, com efeito, não se trata de acidente ou de acidental nos sentidos mais usuais em nosso idioma).
4) Simpliciter: pura e simplesmente, em termos absolutos. Opõe-se a secundum quid.
5) Secundum quid: por certo aspecto, segundo algo.
6) Predicar in quid: predicar na quididade, essencialmente.
7) Predicar in quale: predicar adjetivamente e contingentemente.
8) Predicar in quale quid: predicar adjetivamente mas necessaria-mente.
9) Questão an sit: questão ‘se é’ (com respeito a Deus) ou ‘se existe’ (com respeito a qualquer criatura ou a qualquer disciplina intelectual). – Poderia traduzir-se, mas deve combinar com as questões seguintes.
10) Questão quid sit: questão ‘o que é’, qual a quididade (de dada coisa).
11) Questão quia: questão sobre dada propriedade, ou seja, se per-tence de fato a dada substância ou sujeito.
12) Questão propter quid: questão sobre a causa, sobre o porquê de dada coisa, mais especialmente sobre o porquê de determinada proprie-dade pertencer a dada substância ou sujeito.
13) Demonstração propter quid: demonstração pela causa.
14) Demonstração quia: demonstração da existência (ou do ser) de algo por seu efeito (como as cinco vias tomistas para demonstrar que Deus é).
15) In rērum nātūrae: na natureza, na natureza das coisas, nas ou entre as coisas da natureza.
15) In rē: na coisa, na realidade.
17) Secundum ratiōnem: segundo a razão ou noção da própria coisa; ou segundo a razão humana.
18) Polītīa: o terceiro dos regimes políticos admissíveis (aquele em que governa uma maioria), e cuja corrupção é a democracia (mas S. Tomás às vezes usa dēmocratia em lugar de polītīa).
19) Habitus, que pode traduzir-se por hábito, tem, no entanto, o sentido preciso de capacidade intelectual ou de propensão moral entre a potência e o ato. Ou seja, se se traduz por hábito, que se explique em nota. -- E, sim, pode ser adquirido (o hábito da música ou da física, por exemplo) ou infuso (a fé, por exemplo); e pode ser virtuoso ou vicioso.
    20) Quod quid erat esse (tradução literal do grego aristotélico τò τί ν εναι): essência ou quididade.

II) Termos que se devem sempre traduzir como abaixo:
1) Ens, entis: ente (nunca “ser”).
2) Esse: ser (nunca “existir” nem “existência”; mas, quando se con-juga, pode traduzir-se por ‘existe, etc., ou há’, se não se trata de Deus; de Deus deve dizer-se: ‘Deus é’, não “existe”). Também pode, todavia, sig-nificar (e traduzir-se por) “estar”.
3) Existentiaexistere: existência, existir.
4) Actus essendī: ato de ser.
5) Quidditas: quididade (é o mesmo que essência, mas difere des-ta secundum ratiōnem).
6) Essentia: essência.
7) Dēfectus: defeito (no sentido técnico de ‘falto de’).
8) Ostendere: mostrar.
9) Probāre: provar.
10) Dēmonstrāre: demonstrar.
11) Subjectus: sujeito (nunca “objeto”).
     12) Substantia: substância.





terça-feira, 7 de julho de 2020

NÃO É TOMISTA...


Carlos Nougué

Quem não observa o espírito e sempre que possível a letra da obra de S. Tomás;
Quem, por outro lado, engessa o tomismo em formulinhas demasiado sutis e demasiado escolares;
Quem mutila Tomás teologicamente ou metafisicamente;
Quem se entrega à ebriedade e miragem do autodidatismo e, liliputiano embora, vaidosamente se julga titã;
Quem tem uma vida moral ou religiosa em contradição com o radical catolicismo do Mestre.


domingo, 5 de julho de 2020

O CRISTIANISMO NÃO É ESOTÉRICO EM NENHUM SENTIDO


Carlos Nougué

Os gnósticos, e em especial os perenialistas, para justificar sua absurda doutrina de uma tradição ou revelação primordial que faria as religiões essencialmente idênticas, costumam dizer que o cristianismo tem um lado exotérico, para as multidões, e outro esotérico, somente para os iniciados. Tudo, claro, envolto em torneios linguísticos “dialéticos” de “sim e não” (em vez de “sim, sim; não, não”) para confundir os incautos. E parece (disse: “parece”) que até o Pe. Arintero (na obra “Evolução Mística”, publicada pelo CDB) pode arrolar-se, de algum modo, entre os que defendem a dupla face esotérica/exotérica do cristianismo (e, embora ele pareça falar em iniciação com respeito apenas ao místico, isso também constitui erro, como mostrarei também no curso sobre o Apocalipse). – Mas o fato é que Cristo mesmo e seu Novo Testamento desmentem categoricamente tal dupla face. Como falarei extensamente disto no referido curso, dou-lhes aqui apenas algumas citações com respeito ao que digo, ou seja, que a Revelação é igual para os doutos e para os simples.
1) “E disse-me [o Anjo]: Não seles [ou seja, não ocultes] as palavras da profecia deste livro, pois o tempo [da Parusia] está próximo” (Apocalipse, 22, 10).
2) “O que vos digo ao ouvido, pregai-o dos telhados” (Cristo nas instruções aos apóstolos, Mateus 10, 27).
3) “Eu falei ao mundo abertamente. Interroga tu os que me ouviram, eles sabem o que eu disse” (Cristo ao pontífice que o interroga sobre sua doutrina, João 18, 20).
Por isso diz São João Crisóstomo: “Aquele que não entende é porque não ama”.

Observação: no curso sobre o Apocalipse, tratarei em detalhe também as passagens de Isaías, no Antigo Testamento, relativas a este assunto.


sábado, 4 de julho de 2020

O ARDENTE DESEJO CRISTÃO DA PARUSIA


Carlos Nougué

Os primeiros cristãos já desejavam ardentemente a união final da Igreja (e de cada fiel) com o Esposo, Cristo, em sua segunda e definitiva vinda ou Parusia (ou Parúsia). Veja-se a belíssima oração que se lê no primeiro dos catecismos, do século I, conhecido por “Didaqué” ou “Didaquê” (Διδαχń, ‘ensino’, ‘doutrina’, ‘instrução’) ou “Doutrina dos Doze Apóstolos”: “Assim como este pão fracionado esteve disperso entre as colinas e foi recolhido para formar um todo, assim também, de todos os confins da terra, seja tua Igreja reunida para o Reino teu... livra-a de todo mal, consome-a por tua caridade, e dos quatro ventos reúne-a, santificada, em teu reino que para ela preparaste, porque teu é o poder e a glória nos séculos. Venha a graça! Pereça este mundo! Hosana ao Filho de Davi! Aproxime-se o que seja santo; arrependa-se o que não o seja. Maranatha (Vem, Senhor). Amém”.

Observação: tratarei isto detidamente no curso sobre o Apocalipse, o qual, junto com as próprias inscrições, começará no próximo dia 13, segunda-feira. Nele mostrarei também a resposta cristã à iníqua doutrina gnóstica de que há um cristianismo esotérico e outro exotérico. Amanhã darei aqui uma antecipação disto.