domingo, 28 de março de 2021

IDEOLOGIA E CONSPIRACIONISMO – E A NEGAÇÃO DO EVIDENTE

                                                                                                      Carlos Nougué

A ideologia cega seus aderentes até para o que é evidente. Por exemplo, os comunistas, ante o fracasso universal de seu sistema, atribuem tal fracasso ao “socialismo real”, não ao “ideal”. Os liberais, por seu lado, negam-se a ver que sua “liberdade de expressão” é uma quimera, mesmo ante o fato de que têm de tirar a liberdade de expressão a quem é contra ela ou, se não forem demasiado estúpidos (coisa difícil), aos mesmos comunistas, que só se valem dela na democracia liberal para depois bani-la na ditadura do proletariado. – Mas os atuais conspiracionistas de direita, incluindo tantos católicos, também negam o evidente. Seu guru nacional continua a negar a gravidade da atual epidemia – a serviço de quem ou de que está esse homem? O fato, todavia, é que ele faz escola. Ouvi um católico bolsolavete negar que a covid-19 tivesse caído drasticamente em Israel graças à vacinação maciça. Por quê? Segundo ele, porque não se pode confiar em judeu!... Não é porém sua mesma corrente a que louva não só os EUA, mas Israel? Deve ser uma nova subcorrente: o sionismo antissemita... – Em verdade, tal conspiracionismo pode reduzir-se facilmente à ideologia e suas estupidezes.

Observação. Senhores católicos tradicional-conspiracionistas: as conspirações contra a Igreja Católica, tão intensas do século XVIII ao XX, terminaram. Por que o digo? Pelo simples fato de que tais conspirações já foram vitoriosas e seus agentes estão no poder em todo o mundo, em plena luz do dia, com a aquiescência de ninguém menos que a atual hierarquia da Igreja. Deixem de brincar de detetive e cumpram o que deveria ser sua ação precípua: propagar a doutrina da realeza de Cristo.


 

sexta-feira, 5 de março de 2021

O Cardeal Caetano sustenta a mesma tese que S. Tomás e o magistério autêntico e infalível da Igreja com respeito às relações entre o poder espiritual e o poder temporal

                                                                                                                         Carlos Nougué

Ao comentar a passagem da Suma Teológica em que S. Tomás faz a analogia entre os dois poderes temporal e espiritual na igreja e o corpo e a alma no homem (II-II, q. 60, a. 6, ad 3), anota o Cardeal Caetano com sua costumeira clareza: “A alma preside ao corpo segundo uma tripla ordem de causalidade: segundo a causalidade eficiente, porque é a causa dos movimentos corporais do animal; segundo a causa formal, porque é a forma do corpo; segundo a causa final, porque o corpo é para a alma. Dá-se o mesmo, proporcionalmente, no poder espiritual com respeito ao poder secular: o poder que dispõe as coisas espirituais tem função de forma com respeito ao que dispõe as coisas seculares; estas estão ordenadas como a seu fim às coisas espirituais e eternas; e, como o fim mais alto corresponde ao agente mais elevado, pertence ao poder espiritual o mover e dirigir o poder temporal, e tudo aquilo que está sob seu domínio, para o fim supremo espiritual”.

Pergunte-se, pois: Como é possível que alguém se arvore a tomista e ao mesmo tempo, defendendo o CVII, negue a doutrina da subordinação essencial do poder temporal ao espiritual que este concílio iniquamente rechaçou ao destronar a Cristo? É difícil não concluir que quem o faz age com malícia, fingindo não ver a incompatibilidade radical, também quanto a isto, entre S. Tomás e o CVII.




quarta-feira, 3 de março de 2021

O MAIOR DOS FÍSICOS É TAMBÉM O PADRE ÁLVARO CALDERÓN

                                                                                                                     Carlos Nougué

Para ilustrá-lo, leia-se esta passagem de seu mais recente livro, El orden sobrenatural: “As coisas naturais caracterizam-se, da maneira mais geral, pela corporeidade, que poderia definir-se por duas propriedades principais, a magnitude, quantidade contínua, que provém da matéria, com suas formas e figuras características de cada coisa; e a massa, qualidade passível, que provém da forma, com sua distribuição de densidade característica na quantidade de cada coisa. A massa pode definir-se como o vigor da corporeidade da substância natural [!!!!!!]; e, assim como é a primeira qualidade fundamental das coisas naturais, funda o primeiro apetite natural, a saber, a gravidade. A gravidade é potência passiva, e pode definir-se como o apetite dos corpos por incorporar os corpos próximos [!!!!!!!]. Se for [só] por isso, a massa tende a concentrar a quantidade e fazer de [todo] o universo corporal uma [só] bolinha; se nosso corpo mantém sua figura humana, é porque as forças eletromagnéticas a mantêm ‘na linha’ (e as forças nucleares mantêm ‘na linha’ as [forças] eletromagnéticas para que não nos dispersem em poeira de prótons)”.

É do P. Calderón o prêmio “Nobel” de Física outorgado pela Verdade; e, se Deus quiser, teremos ainda este ano a publicação de seu Curso de Física como tomo III de La naturaleza y sus causas. Sejamos-lhe sempre muito agradecidos.