terça-feira, 17 de novembro de 2020

DIVULGAÇÃO E INFILTRAÇÃO PERENIALISTAS EM MEIOS CATÓLICOS

                                                                                                                                 Carlos Nougué 

A discussão e a divulgação, em meios católicos, das mais estapafúrdias, das mais estupidificantes teorias conspiratórias difundidas pela gnose perenialista internacional (que aliás se divide em pró-EUA e pró-Israel [Steve Bannon, OdC] e pró-Rússia [Dugin]) têm duplo efeito nefasto. 1) Deixam os católicos pendentes de uma como novela de televisão, fazendo-os afastar-se assim da única doutrina política que interessa, a da realeza de Cristo, de suas vicissitudes ao longo da história, de sua aplicação aos dias apocalípticos de hoje. 2) Tornam tais católicos meros apêndices políticos da mesma gnose perenialista, que alcança assim um objetivo seu de sempre: tornar-se hegemônica entre eles (sobretudo entre os tradicionalistas, como se viu no já antigo episódio de sua infiltração na FSSPX, graças a Deus sustada por D. Lefebvre). – Ademais, são linhas confluentes a gnose perenialista e o modernismo. Com efeito, não raro é impossível distingui-los doutrinalmente; e ainda está por investigar-se a história de suas relações mútuas. – Mas dizem-me alguns católicos: Esta é uma questão disputável! Respondo: Não é, não! Depositar as esperanças políticas num Trump, por exemplo, não é nada católico; é liberal. Esquecemos que o liberalismo é a raiz de todas as revoluções? Além disso, é óbvio que quem se deixa infiltrar nos princípios acaba por tornar-se vulnerável a infiltrações, digamos, físicas. Em outras palavras: se não conseguimos distinguir perfeitamente os princípios políticos católicos dos princípios políticos perenialistas, nem o modo católico de atuação política do modo perenialista de atuação política, como impediremos que se misturem entre nós os mesmos perenialistas? Temos certeza de que isto já não se dá bem diante de nosso nariz?