quarta-feira, 11 de maio de 2016

“A Violação do Segredo”, pelo Padre Olmedo (FSSPX)


Traduzido por Andrea Patrícia

Se a mentira é vício por defeito, a violação do segredo é o vício por excesso contra a virtude da veracidade.
Por segredo entende-se toda verdade oculta que é necessário não revelar. Daí que a violação do segredo seja a manifestação indevida ou indiscreta dessa verdade.
O segredo, objetivamente considerado, é a mesma coisa oculta. Subjetivamente considerado, é o conhecimento dessa coisa oculta, acompanhada da obrigação de não dá-la a conhecer. E é deste aspecto subjetivo que falamos.

(i) Divisão e princípios

O segredo divide-se em:
1) Segredo natural:
Resulta em razão de uma obrigação nascida não de um contrato, mas sim da natureza mesma da coisa e pela qual não pode manifestar-se sem que cause um prejuízo ou um dano...
Pode haver-se chegado ao conhecimento desse segredo por azar (fortuitamente) ou por uma indiscrição de terceiros; trata-se do segredo natural “simplex”; ou por indústria, como quando alguém investiga a vida privada de outro: é o chamado segredo natural “extortum”.
2) Segredo “promissum” (prometido):
Resulta em razão de uma obrigação contratual, de uma promessa gratuita de não manifestar uma coisa que se sabe. A promessa é posterior ao fato conhecido.
3) Segredo “comissum” (confiado ou rigoroso):
É aquele segredo que não foi confiado senão em razão de pacto prévio ou promessa implícita ou explícita de guardar o segredo.
Geralmente, dentro do segredo “comissum”, chama-se segredo privado, ao segredo prévia e explicitamente prometido. O segredo implícito ou tácito, resulta “ex-officio” ou de um trabalho ou cargo, de um título especial ou amizade e é em geral o segredo profissional (que alcança os conselheiros, médicos, advogados, teólogos, confessores, parentes, amigos, etc.). Apresenta, pois, vários graus...
Princípios:
Todo homem tem direito estrito ao seu segredo.
Este direito tem um duplo fundamento:
a) próximo: é o direito de propriedade de cada um sobre seus bens, seus pensamentos, e o fruto de seu engenho, assim como também sobre seus bens exteriores (materiais) e da honra.
b) remoto: o bem comum, já que se todos os segredos se revelassem a sociedade sofreria um grave prejuízo.
Sem dúvida, deve ter-se em conta que esse direito ao segredo n]ao é absoluto, senão relativo ao bem comum.
Há três coisas que são per se gravis ex genere suo: explorar ou indagar um segredo, manifestá-lo, e utilizar o conhecido em segredo.
Indagar um segredo é gravemente ilícito “per se” porque se trata de res aliena, de modo que quem ilegitimamente o faz assemelha-se a quem rouba.
Assim, geralmente é ilícito “per se”: escutar atrás das portas, abrir a correspondência alheia, indagar aos empregados para conhecer os segredos de seus amos, a espionagem científica, comercial, econômica, etc.
Per accidens pode ser lícito indagar o segredo quando reúne três condições:
1) Dispõe-no a legítima autoridade superior: o bispo, os magistrados, os padres, etc.
2) Por uma causa justa: em ocasiões em que é um dever defender o bem comum, como o indagar sobre um crime cometido ou para evita-lo, pelo bem da família ou dos filhos, para evitar um prejuízo próprio ou de terceiros, ou de um inocente, para descobrir as posições inimigas na guerra, etc. Não é causa justa: a simples curiosidade, o simples interesse pessoal, algum fim inconfessável...
3) Com meios justos: não o seria corrompendo pessoas, enganando, fraudando, etc.
Revelar ou manifestar o segredo é gravemente ilícito contra a virtude da caridade e inclusive contra o dever de fidelidade e contra a justiça.
• Aproveitar-se ou usar do conhecido mediante o segredo em proveito próprio ou de terceiros, sem permissão do “dono” é ilícito.

Sobretudo se provoca dano; e a fortiori se foi obtido de maneira ilícita porque se dá “continuidade” à injustiça. Se provoca algum dano, está-se obrigado a restituir.

(ii) Obrigação do segredo

1. - O segredo natural obriga “sub gravi in re gravi” (ex genere suo).
Razão: por dever de justiça ou de caridade (se se viola sem causa justa...); o segredo é algo alheio: sua violação equipara-se ao roubo, causando tristeza...
2. - O segredo prometido obriga “sub levi”.
Razão: em razão da fidelidade (se se viola sem causa justa); se é por sua vez um segredo natural, obriga sub gravi.
3. - O segredo confiado obriga “sub gravi”.
Razão: a justiça comutativa (há um contrato prévio explícito ou implícito). Há uma hierarquia nas obrigações: o segredo confiado é mais grave que o prometido. O segredo profissional é mais grave do que o segredo simplesmente privado.

(iii) Causas justas para revelar-se um segredo

a) Que quem transmitiu o segredo consinta em sua revelação.
Porque quem quer e consente não sofre injúria.
b) Uma necessidade urgente: bem público, etc.
Então o segredo privado se assemelha à propriedade privada, de modo que, se existe uma necessidade de bem comum, o bem individual fica subordinado ao da sociedade. Neste caso não se pode considerar prejudicado o particular pela revelação de seu segredo.
Ex.: o médico está obrigado a revelar uma doença contagiosa de seu paciente. Este bem público pode ser também o da Igreja.
c) O próprio dano: de quem recebeu o segredo ou do confidente (se se quer cometer suicídio, etc.), ou de um terceiro.
Pode-se revelar com a condição de que o prejuízo que se busca evitar seja maior que aquele que resulta da revelação do segredo, ou seja, que o dano que se evita seja maior que o que se produz ao outro pela revelação do segredo.
Ex.: quem conhece os preparativos de um roubo ou de um atentado contra um terceiro inocente, está obrigado a dizê-lo; o médico que conhece a doença do noivo, deve comunicá-la à noiva: quem conhece o verdadeiro culpado, para evitar a condenação de um inocente, deve denunciá-lo (opinião comum [1])
Sem dúvida, se é necessário guardar o segredo em razão do bem comum, quem o conhece não pode revelá-lo ainda que o ameace um perigo de morte (ex.: um soldado ou oficial que conhece segredos de guerra e é feito prisioneiro).

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[1] Contra: Noldin.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

“La violación del secreto”, por el Padre Olmedo (de la FSSPX)


Si la mentira es vicio por defecto, la violación del secreto es el vicio por exceso contra la virtud de veracidad.
Por secreto se entiende toda verdad oculta que es necesario no revelar. De allí que la violación del secreto sea la manifestación indebida o indiscreta de esa verdad.
El secreto, objetivamente considerado, es la misma cosa oculta. Subjetivamente considerado, es el conocimiento de esa cosa oculta, acompañada de la obligación de no darla a conocer. Y es de este aspecto subjetivo del que hablamos.
(i) División y principios
Se divide el secreto en:
1) Secreto natural:
Resulta en razón de una obligación nacida no de un contrato, sino de la naturaleza misma de la cosa y por lo cual no puede manifestarse sin que cause un perjuicio o un daño...
Se puede haber llegado al conocimiento de este secreto por azar (fortuitamente) o por una indiscreción de terceros; se trata del secreto natural “simplex”; o por industria, como cuando alguien investiga la vida privada de otro: es el llamado secreto natural “extortum”.
2) Secreto “promissum” (prometido):
Resulta en razón de una obligación contractual, de una promesa gratuita de no manifestar una cosa que se sabe. La promesa es posterior al hecho conocido.
3) Secreto “comissum” (confiado o riguroso):
Es aquel secreto que no ha sido confiado sino en razón de previo pacto o promesa implícita o explícita de observar el secreto.
Generalmente, dentro del secreto “comissum”, se llama secreto privado, al secreto prometido previa y explícitamen­te. El secreto implícito o tácito, resulta “ex officio” o de un trabajo o cargo, de un título especial o amistad y es en general el secreto profesional (que alcanza a los consejeros, médicos, abogados, teólogos, confesores, parientes, amigos, etc.). Presenta pues varios grados...
Principios:
• Todo hombre tiene derecho estricto a su secreto.
Este derecho tiene un doble fundamento:
a) próximo: es el derecho de propiedad de cada uno sobre sus bienes, sus pensamientos, y el fruto de su ingenio, así como también sobre sus bienes exteriores (materiales) y del honor.
b) remoto: el bien común, ya que si todos los secretos se revelaran, la sociedad sufriría un grave perjuicio.
Sin embargo, debe tenerse presente que ese derecho al secreto no es absoluto, sino relativo al bien común.
Hay tres cosas que son per se gravis ex genere suo: explorar o indagar un secreto, manifestarlo, y utilizar lo conocido en secreto.
Indagar un secreto es gravemente ilícito “per se” porque se trata de res aliena, de modo que quien ilegítimamente lo hace, se asimila a quien roba.
Así, generalmente es ilícito “per se”: escuchar detrás de las puertas, abrir la correspondencia ajena, indagar a los empleados para conocer los secretos de sus amos, el espionaje científico, comercial, económico, etc.
Per accidens puede ser lícito indagar el secreto cuando reúne tres condiciones:
1)  Lo dispone la legítima autoridad superior: el obispo, los magistrados, los padres, etc.
2) Por una causa justa: en ocasiones es un deber para defender el bien común, como el indagar acerca de un crimen cometido o para evitarlo, por el bien de la familia o de los hijos, para evitar un perjuicio propio o de terceros, o de un inocente, para descubrir las posiciones enemigas en la guerra, etc. No es causa justa: la simple curiosidad,  el sólo interés personal, algún fin inconfesable...
3)  Con medios justos: no lo sería corrompiendo a las personas, engañando, fraude, etc.
 Revelar o manifestar el secreto de se es gravemente ilícito contra la virtud de caridad y además contra el deber de fidelidad y contra la justicia.
 Aprovecharse o usar de lo conocido mediante el secreto en provecho propio o de terceros, sin permiso de su “dueño” es ilícito.
Sobre todo si le provoca daño; y a fortiori si se ha obtenido de manera ilícita porque se “continúa” la injusticia. Si provoca algún daño se está obligado a restituir.
(ii) Obligación del secreto
1.- El secreto natural obliga “sub gravi in re gravi” (ex genere suo) .
Razón: por deber de justicia o de caridad (si se viola sin justa causa...); el secreto es algo ajeno: su violación se equipara al robo, causando una tristeza...
2.- El secreto prometido obliga “sub levi”.
Razón: en razón de la fidelidad (si se viola sin justa causa); si es a la vez un secreto natural, obliga sub gravi.
3.- El secreto confiado obliga “sub gravi”.
Razón: la justicia conmutativa (hay un contrato previo explícito o implícito).
Hay una jerarquía en las obligaciones: el secreto confiado es más grave que el prometido. El secreto profesional es más grave que el secreto simplemente privado.
(iii) Causas justas para revelar un secreto
a) Que quien dio el secreto consienta en su revelación.
Porque quien quiere y consiente, no sufre injuria.
b) Una necesidad urgente: bien público, etc.
Entonces el secreto privado se asemeja a la propiedad privada, de modo que si existe una necesidad de bien común, el bien individual queda subordinado al de la sociedad. En este supuesto no se puede considerar perjudicado el particular por la revelación de su secreto.
Ej.: el médico está obligado a revelar una enfermedad contagiosa de su paciente.
Este bien público puede ser también el de la Iglesia.
c) El propio daño: de quien recibió el secreto o del confidente (se quiere suicidar, etc.), o de un tercero.
Se puede revelar a condición de que el perjuicio que se busca evitar sea mayor que aquel que se sigue de la revelación del secreto, es decir, que el daño que se evita sea mayor que el que se produce al otro por la revelación del secreto.
Ej.: quien conoce los preparativos de un robo o un atentado contra un tercero inocente, está obligado a decirlo; el médico que conoce la enfermedad del novio, debe comunicarla a la novia: quien conoce al verdadero culpable, para evitar la condenación de un inocente, debe denunciarlo (opinión común[1]).
Sin embargo, si el secreto es necesario guardarlo por razón del bien común, quien lo conoce no puede revelarlo aunque lo amenace un peligro de muerte (ej. el soldado u oficial que conoce secretos de guerra y es tomado prisionero).



[1] En contra: Noldin.



terça-feira, 12 de abril de 2016

Datas de reinício de nossos cursos gratuitos


C. N.

• O curso A Ordem das Disciplinas segundo Santo Tomás de Aquino recomeçará na quinta-feira dia 21 de abril, às 21 horas como sempre, com a quarta e conclusiva aula de “A Necessidade da Física Geral Aristotélico-tomista”. Na próxima, falar-se-á um pouco da Matemática, mas já se tratará, inicialmente, a Metafísica ou Teologia Filosófica. – As aulas anteriores do curso encontram-se nesta página e em nosso canal do Youtube (Carlos Nougué Tomismo).
• O curso Questões Teológicas recomeçará na quinta-feira dia 28 de abril, às 21 horas como sempre, com sua nona aula sobre “A Fé”. – As aulas anteriores do curso também se encontram nesta página e em nosso canal do Youtube (Carlos Nougué Tomismo).


quinta-feira, 7 de abril de 2016

O pecado original segundo o “Compêndio de Teologia” de Santo Tomás de Aquino


Capítulo 186

Dos preceitos dados ao primeiro homem, e de
sua perfeição no primeiro estado

Como se disse acima [c. 152], o homem foi instituído por Deus em sua condição de modo que o corpo fosse de todo sujeito à alma: e que, ademais, entre as partes da alma, as virtudes inferiores se submetessem sem repugnância à razão, e a mesma razão do homem fosse sujeita a Deus. Porque porém o corpo era sujeito à alma, sucedia que não podia dar-se nenhuma paixão no corpo que repugnasse ao domínio da alma sobre o corpo, razão por que não havia lugar para a morte nem para a enfermidade no homem. Mas pela sujeição das virtudes inferiores à razão havia no homem uma onímoda tranquilidade da mente, porque a razão humana não era turbada por nenhuma paixão desordenada. E, porque a vontade do homem era sujeita a Deus, o homem referia tudo a Deus como ao último fim, e nisto consistia sua justiça e sua inocência. Mas destas três coisas a última era a causa das outras. Com efeito, se se consideram seus componentes, não decorria da natureza do corpo que não houvesse lugar nele para dissolução nem para nenhuma paixão que repugna à vida, porque era composto de elementos contrários. Semelhantemente, tampouco decorria da natureza da alma que também as virtudes sensíveis se submetessem sem repugnância à razão, porque as virtudes sensíveis naturalmente se movem às coisas que são deleitáveis segundo o sentido, as quais muitas vezes repugnam à reta razão. Era pois por uma virtude superior, ou seja, a de Deus, que, assim como uniu ao corpo uma alma racional, que transcende toda a proporção do corpo e das virtudes corporais, como as virtudes sensíveis, assim também deu à alma racional a virtude de sobre a condição do corpo poder contê-lo e às virtudes sensíveis, segundo o que competia à alma racional. A fim pois de que a razão contivesse firmemente sob si as coisas inferiores, era necessário que ela mesma se contivesse firmemente sob Deus, do qual tinha a referida virtude sobre a condição da natureza.
Portanto, o homem foi instituído de modo que, se sua razão se submetesse a Deus, nem seu corpo podia furtar-se ao império da alma, nem as virtudes sensíveis à retidão da alma: daí que sua vida fosse de certo modo imortal e impassível, porque, com efeito, não podia morrer nem padecer, se não pecasse. Mas podia pecar por sua vontade, ainda não confirmada pela aquisição do fim último, e sob este evento podia morrer e padecer. E nisto diferem a impassibilidade e a imortalidade que o primeiro homem teve e a que na ressurreição terão os santos, que nunca poderão padecer nem morrer porquanto sua vontade estará de todo confirmada em Deus, como acima se disse [c. 166]. Diferia também da outra porque após a ressurreição os homens não usarão de alimentos nem das coisas venéreas, enquanto o primeiro homem foi formado de modo que necessariamente tivesse de sustentar a vida por alimentos, e se encarregasse de dar a obra da geração, para que o gênero humano se multiplicasse a partir de um.
 Por isso recebeu dois preceitos em sua condição. Ao primeiro pertence o que lhe foi dito [Gn 2, 16]: “Come de todas as árvores que há no Paraíso”; ao segundo, o que [também] lhe foi dito [Gn 1, 28]: “Crescei e multiplicai-vos, e enchei a terra”.

Capítulo 187

Este estado perfeito se chamava justiça original,
e do lugar em que o homem foi posto

Mas este tão ordenado estado do homem se chama justiça original, pela qual ele estava submetido a seu superior, e a ele mesmo se sujeitavam todas as coisas inferiores, segundo o que dele se disse [Gn 1, 16]: “e presida aos peixes do mar, e às aves do céu”: e, entre suas partes, também a inferior se submetia à superior sem repugnância. Em verdade, este estado foi concedido ao primeiro homem não como a determinada pessoa singular, mas como ao primeiro princípio da natureza humana, de modo que por ele fosse transmitido junto com a natureza humana aos pósteros. E, porque a cada um se deve um lugar segundo a conveniência de suas condições, o homem assim ordenadamente instituído foi posto num lugar temperadíssimo e delicioso, para que se lhe suprimisse toda e qualquer vexação não só das moléstias interiores, mas ainda das exteriores.

Capítulo 188

Da árvore da ciência do bem e do mal, e do
primeiro preceito dado ao homem

Porque porém o referido estado do homem dependia de que a vontade humana se sujeitasse a Deus, para que desde o princípio se acostumasse a seguir a vontade de Deus, Deus propôs ao homem alguns preceitos, a saber, que comesse de todas as árvores do Paraíso, proibindo-lhe todavia com ameaça de morte que comesse da árvore da ciência do bem e do mal; e sem dúvida se proibiu que comesse desta árvore não porque fosse de si má, mas para que o homem ao menos nesta pequena coisa observasse algo pela simples razão de que era preceituado por Deus: daí que comer desta árvore se tenha tornado mau, porque proibido.
Mas tal árvore se dizia da ciência do bem e do mal não porque tivesse virtude causativa da ciência, mas pelo evento sequente, ou seja, porque o homem por ter comido dela aprendeu por experiência a distância que medeia entre o bem da obediência e o mal da desobediência.

Capítulo 189

Da sedução de Eva pelo Diabo

Por conseguinte, o Diabo, que já pecara, vendo o homem de tal modo instituído para a felicidade perpétua de que ele caíra, e que [aquele] igualmente poderia pecar, empreendeu desviá-lo da retidão da justiça atacando o homem pela parte mais fraca, ou seja, tentando à mulher, na qual menos vigia o dom ou a luz da sabedoria: e, a fim de incliná-la de modo mais fácil à transgressão do preceito, excluiu mendazmente o medo da morte, e prometeu-lhe o que o homem naturalmente apetece, isto é, a evitação da ignorância, dizendo [Gn 3, 5]: “se abrirão vossos olhos”; e a excelência da dignidade: [“sereis como deuses”; e a perfeição da ciência:] “conhecendo o bem e o mal”. O homem, com efeito, da parte do intelecto naturalmente foge à ignorância, e apetece a ciência; mas da parte da vontade, que é naturalmente livre, apetece a excelsitude e a perfeição para não estar submetido a ninguém, ou ao menor número possível.

Capítulo 190

O que induziu a mulher [a pecar]

A mulher, portanto, cobiçou a excelsitude prometida e ao mesmo tempo a perfeição da ciência. Para isso concorreram também a beleza e a suavidade do fruto, o que incitava a comê-lo, e assim, desprezando o medo da morte, transgrediu o preceito de Deus de não comer da árvore proibida: e assim seu pecado se encontra multiplicado. Em primeiro lugar, sem dúvida, [é] de soberba, porque apeteceu desordenadamente a excelência. Em segundo, de curiosidade, porque cobiçou uma ciência para além dos limites prefixados. Em terceiro, de gula, porque a suavidade do alimento a excitou a comê-lo. Em quarto, de infidelidade, pela falsa estimação de Deus, enquanto creu nas palavras do Diabo contra o que dissera Deus. Em quinto, de desobediência, por transgredir o preceito de Deus.

Capítulo 191

De que modo chegou ao homem o pecado


Mas por persuasão da mulher o pecado logo chegou ao homem, que, todavia, como diz o Apóstolo [1 Tim 2, 14], não foi seduzido como a mulher, quer dizer, não creu nas palavras do Diabo contra o que dissera Deus. Com efeito, não podia entrar em sua mente que Deus tivesse podido cominar algo mendazmente, nem proibir inutilmente uma coisa útil. Foi induzido, contudo, pela promessa do Diabo, apetecendo indevidamente a excelência e a ciência. Com isso sua vontade se desviava da retidão da justiça, e, querendo atender ao capricho da mulher, secundou-a na transgressão do divino preceito, comendo do fruto da árvore proibida.

Se o pecado de nossos primeiros pais foi pecado de concupiscência ou de gnose


Carlos Nougué

Sempre foi muito difundida entre o povo cristão, e especialmente entre seus pintores e outros artistas, a concepção de que o pecado original foi antes de tudo um pecado de concupiscência; sinal de tal difusão é a grande quantidade de pinturas que, retratando a Adão e a Eva nus ou seminus, mostram esta oferecendo àquele uma suculenta e sedutora maçã vermelha.[1] – Em tempos recentes, por outro lado, estudiosos da gnose insistiram em que o pecado original foi antes de tudo um pecado justamente de gnose.
Mas nenhuma dessas duas opiniões se sustenta, especialmente porque nenhuma delas se segue do consentimento unânime ou quase unânime dos Padres quanto a este assunto (e, como se sabe, não é lícito contrariar tal consentimento, em especial quando se trata de exegese bíblica); nem da doutrina de Santo Tomás de Aquino, o Doutor Comum da Igreja por determinação do magistério eclesiástico; nem, sobretudo, deste mesmo magistério, ao qual devemos dócil e humilde assentimento.[2]      

I

Com efeito, lê-se no Catecismo da Doutrina Cristã de São Pio X (o catecismo de 1912):
70. Che peccato fu quello di Adamo?
II peccato di Adamo fu un peccato grave di superbia e di disubbidienza”, ou seja:
“O pecado de Adão foi um pecado grave de soberba e de desobediência”.
Explica-o Santo Tomás (na Suma Teológica, I-II, q. 82, a 3): “Cada coisa tem a espécie por sua forma. Ora, disse-se mais acima que a espécie do pecado se toma de sua causa. Por conseguinte, é necessário que o que nele é formal se defina por tal causa. Como todavia as coisas opostas têm causas opostas, por isso mesmo se deve estabelecer a causa do pecado original por seu oposto, que é a justiça original [ou seja, o estado em que foram criados Adão e Eva]. Mas toda a ordenação da justiça original vinha de que a vontade humana estivesse sujeita a Deus. Tal sujeição se dava, antes de tudo e sobretudo, pela vontade, porque é à vontade que corresponde mover a seu fim todas as outras partes da alma, como se disse mais acima. Assim, foi do afastamento da vontade [de Adão e Eva] de Deus [o que constitui, propriamente, o pecado de soberba e de desobediência de que fala o catecismo] que se seguiu a desordem em todas as outras potências da alma [tanto em Adão e Eva como em sua descendência].
Desse modo, a privação desta justiça [a original] pela qual a vontade se submetia a Deus é o formal no pecado original: toda e qualquer outra desordem das potências da alma se tem no pecado original como algo material. Mas o que constitui a desordem das outras potências da alma é sobretudo que elas estejam voltadas para um bem mutável, desordem que pode chamar-se pelo nome comum de concupiscência. E, assim, o pecado original é materialmente a concupiscência, mas formalmente é a ausência da justiça original”.  
É verdade que, como dizem Santo Tomás e numerosos Padres, não deixou de haver no pecado original dupla sedução: antes de tudo, da serpente com respeito a Eva, pela promessa de que se ela e Adão comessem da proibida árvore da ciência do bem e do mal de modo algum morreriam, porque “Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele [o fruto da árvore proibida], se abrirão vossos olhos, e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal. Viu pois a mulher que (o fruto) da árvore era bom para comer, e formoso aos olhos, e tirou do fruto dela e comeu; e deu a seu marido, que também comeu. E os olhos de ambos se abriram; e, tendo conhecido que estavam nus, coseram folhas de figueira, e fizeram para si cinturas” (Gn 3, 4-7). Depois, de Eva com respeito a Adão, como se vê pelas mesmas palavras do Gênesis que se acabam de citar. Mas a sedução da mulher pela serpente, conquanto de fato tivesse precedido a ação de pecar, foi todavia subsequente a um pecado de soberba, interior. Com efeito, observou Santo Agostinho (citamo-lo de memória): “A mulher não teria crido nas palavras da serpente se já não tivesse no espírito o amor de seu próprio poder e certa presunção soberba de si mesma”. E diga-se o mesmo com relação a Adão: não se teria deixado levar a agir contra o formal da justiça original se já não tivesse no espírito algum amor-próprio e certa presunção de si mesmo. Repita-se, pois, com Santo Tomás, que o pecado original pôde envolver materialmente alguma concupiscência, mas formalmente se constituiu em contrariedade da justiça original, ou seja, em negação da devida sujeição da vontade a Deus.

II

A gnose, no sentido que nos interessa aqui, começou antes de Cristo. Parece ter sua origem no bramanismo, e ressurgir, na antiga Grécia, no âmbito dos mistérios órficos e da seita pitagórica (com ecos em Platão). Sua doutrina cifra-se na crença de que a salvação do homem se dá mediante o conhecimento da divindade alcançado por esforço ascético e intelectual próprios. Depois de Cristo, sem deixar de cifrar-se nessa crença, a gnose adquire novos caracteres, e não raro vem no bojo de alguma heresia cristã.
Por certo os referidos estudiosos se fundaram nas mesmas palavras do Gênesis transcritas mais acima para afirmar que o pecado original foi antes de tudo um pecado de gnose. Com efeito, Adão e Eva comeram da árvore da “ciência [e gnose quer dizer etimologicamente ‘conhecimento, ciência’] do bem e do mal”, porque se deixaram seduzir pelas palavras da serpente: “se abrirão vossos olhos [ou seja, conhecereis, tereis ciência] e sereis como deuses”. Trata-se, porém, de conclusão precipitada, pelas seguintes razões.
• Em primeiro lugar e segundo o dito mais acima, ainda que nossos primeiros pais se tenham deixado seduzir também por uma promessa de certo conhecimento ou ciência, a apetência desta constituiu, como certa concupiscência, parte do material do pecado original, não seu formal, que continuaria a ser a negação soberba da devida sujeição da vontade a Deus.
• E, em segundo lugar, está o que se lê no Catecismo Maior de São Pio X (ao menos em sua versão brasileira, mais precisamente em sua “Breve história da Religião”):
19. [Deus] Havia-lhes permitido [a Adão e Eva] que comessem de todos os frutos do Paraíso terrestre, proibindo-lhes apenas que experimentassem o fruto de uma árvore que estava no meio do Paraíso, e que a Escritura chama árvore da ciência do bem e do mal. Chama-se assim porque Adão e Eva, por sua obediência, teriam conhecido o bem, isto é, haveriam tido aumento de graça e de felicidade; ou, como castigo de sua desobediência, deveriam decair, eles e seus descendentes, daquela perfeição e experimentar o mal, tanto espiritual como corporal.
Queria Deus que Adão e Eva, com a homenagem dessa obediência, o reconhecessem como a seu Dono e Senhor.
O demônio, invejoso de sua felicidade, tentou Eva, falando-lhe por meio da serpente, e instigando-a a desobedecer à proibição recebida. Eva, então, tomou o fruto proibido, comeu, e induziu Adão a que também ele o comesse, e ambos pecaram”.
Pois bem, dizer bem e mal é dizer respeito também ao agir, ao prático, e à vontade: e o conhecimento buscado tanto pela gnose pré-cristã como pela pós-cristã é antes da ordem do estritamente especulativo, servindo-lhe a ascese de mero meio. Ora, como acabamos de ver também pela citação do Catecismo Maior, a sujeição a Deus que constituía a justiça original era antes de tudo da vontade, e a serpente disse a Eva que eles seriam como deuses antes de tudo por quebrantar o formal da justiça original. É verdade que o quebrantamento da devida sujeição a Deus e à lei natural também está presente nas seitas gnósticas, sobretudo as pós-cristãs. Mas seu fim segue sendo a salvação pelo conhecimento perfeito da divindade que seus sectários ou iluminados alcançariam graças a seus próprios esforços, fosse possível tal conhecimento nesta vida: não o é senão sob a luz da glória para os salvos pela misericórdia de Deus. Mas os salvos por sua misericórdia não o são por terem conhecido mais que outros a Deus, e sim sobretudo por o terem amado: porque nesta vida, como diria Santo Tomás de Aquino, mais vale amar que conhecer a Deus, para na outra vida amá-lo indefectivelmente justo por conhecê-lo por essência.



[1] Aliás, em nenhum momento o relato do Gênesis diz que o fruto da árvore da ciência do bem e do mal fosse maçã nem nenhum outro que conheçamos.
[2] Trata-se aqui, esclareça-se, do magistério propriamente ou analogamente infalível e do meramente autêntico que se aproxime daquele em certeza.

sábado, 2 de abril de 2016

Dos sentidos e da inerrância das Escrituras


Carlos Nougué

I

Como o mostra Santo Tomás de Aquino (cf. Suma Teológica I, q. 1, a. 10, c.), o autor das Escrituras é Deus mesmo, e, para significar algo, ele pode empregar não somente palavras – o que também o homem faz –, mas as coisas mesmas. Só as Escrituras têm como próprio que as próprias coisas significadas pelas palavras também possam significar algo. A primeira significação, ou seja, aquela segunda a qual as palavras significam algo, constitui o sentido literal ou histórico das Escrituras, enquanto a significação pela qual as próprias coisas significadas pelas palavras designam, por sua vez, outras coisas é o sentido chamado espiritual. Este segundo sentido, todavia, se funda no sentido literal ou o pressupõe.

II

Mas o sentido espiritual subdivide-se por sua vez. Com efeito, diz o Apóstolo (cf. Epístola aos Hebreus) que a lei antiga é figura da lei nova, enquanto a lei nova, como diz Dionísio Areopagita, é figura da glória futura. Na lei nova, ademais, o que se cumpriu na cabeça é figura do que devemos fazer.
1. Assim, quando nas Escrituras as coisas da lei antiga significam as da lei nova, tem-se o sentido alegórico;
2. Quando, por outro lado, as coisas sucedidas em Cristo, ou no que Cristo representa, são sinal do que havemos de fazer, tem-se então o sentido moral.
3. Quando, enfim, estas mesmas coisas significam as coisas da glória eterna, então se tem o sentido anagógico.

III

Como, todavia, o sentido literal é justamente o que o autor quer significar, e como, repita-se, o autor mesmo das Escrituras é Deus, que intelige simultaneamente todas as coisas, não há inconveniente algum em que, como o diz Santo Agostinho, em um mesmo texto das Escrituras se encontrem vários sentidos, sempre, insista-se, segundo o sentido literal ou histórico ou em ordem a este.

IV

Há que entender adequadamente, no entanto, o que aqui se chama literal. Literal tem aqui exatamente o sentido de à letra (ad litteram), ou seja, segundo a letra. Mas a letra pode ser também de alguma analogia de proporcionalidade imprópria, ou seja, de alguma metáfora, ou de alguma figura aparentada à metáfora: símile, metonímia, sinédoque, hipérbole, etc. É o que se chama sentido parabólico, que, di-lo Santo Tomás de Aquino (Suma Teológica I, q. 1, a. 10, ad 3), “está contido sob o sentido literal: porque pelas palavras podemos significar algo em sentido próprio ou em sentido figurado [ou seja, por analogia de proporcionalidade imprópria, como dito]; neste último caso, o sentido literal não designa a própria figura, mas o que ela figura [ou representa]. Com efeito, quando as Escrituras falam do braço de Deus, o sentido literal não indica que haja um membro corporal em Deus, senão que indica o que é significado por esse membro, no caso a virtude operativa [divina]. Isso patenteia que o sentido literal das Sagradas Escrituras não pode nunca padecer nada falso” (destaque nosso).

V

E, com efeito, afora casos eventuais de defeito de cópia, as Sagradas Escrituras não podem conter erro algum: justamente porque Deus, seu autor, é inerrante, enquanto o hagiógrafo ou escritor sagrado não é senão o instrumento de que se vale Deus de modo, insista-se, inerrante.* Mas o dito mais acima há de prevenir-nos contra um exagero interpretativo, no qual nunca incorrem os Padres, nem Santo Tomás, nem, muito menos, o magistério da Igreja: o de considerar que o sentido literal nunca pode ser metafórico, e assim julgar que as palavras das Escrituras têm caráter de um como tratado científico. Não o têm. Vejamos alguns exemplos.
• Conquanto o Gênesis encerre todos os principais caracteres metafísicos da criação do mundo (criação no tempo e de nada [ex nihilo], ordem da criação, culminação no homem, etc.), nele Deus, por intermédio do instrumento Moisés, se vale de imagens sensíveis, e isso é assim porque, como dizem, entre outros, São João Crisóstomo, Santo Tomás de Aquino e Leão XIII (este na encíclica Providentissimus Deus), o Gênesis foi escrito para “um povo rude” que, no entanto, precisava educar-se na fé em ordem a ser aquele de onde nasceria o Messias. É por essa razão, aliás, que Santo Tomás de Aquino, ao tratar na Suma Teológica dos Dias da Criação, suspende o juízo quanto ao número destes e apenas expõe as diversas interpretações dos Padres (ou sete dias exatos, ou, para Santo Agostinho, incontáveis “anos” angélicos, etc.).**   
• Não há erro algum no dito em Jó 20, 26, ou seja, que a víbora mata pela língua: trata-se de perfeita metáfora; assim como não há erro algum em dizer que o grão ou semente de mostarda é a menor de todas: trata-se de hipérbole (ou talvez se diga segundo a agricultura de então).
Mas, insista-se, que não haja nem possa haver erro algum nas Escrituras não implica que estas se componham de tratados científicos. – Consigne-se, aliás, o ridículo de certos tradicionalistas atuais segundo os quais a terra está imóvel no centro do universo (pode até, com efeito – o que é opinável –, ocupar o centro geométrico do universo; mas já temos certeza de que se move com movimento de rotação e de translação) ou, pior, é chata, suspensa por umas sortes de colunas e coberta por uma redoma transparente... Isso, como diriam Santo Tomás de Aquino e Leão XIII, é lançar a fé ao escárnio dos ímpios.

VI

Que todo o dito contribua para que os católicos bem-intencionados não se deixem pegar nas armadilhas de interpretações arbitrárias ou caprichosas, como a que com assombro vemos fazer-se agora mesmo com respeito à passagem evangélica das árvores e dos frutos sem levar em conta o estabelecido verdadeiramente pelos Padres e pelo magistério da Igreja (cf. Simples perguntas a um sofista: e Decretos dogmáticos sobre a interpretação das Escrituras).




* Se o hagiógrafo, enquanto instrumento de Deus, é absolutamente inerrante, o papa, enquanto assistido pelo Espírito, é infalível. Por um ângulo, ser inerrante é mais que ser infalível; mas, por outro ângulo, como o magistério do papa enquanto assistido pelo Espírito é a regra próxima da fé (ao passo que as Escrituras são a regra remota da fé), este magistério está de certa forma acima da mesma fé e é o intérprete infalível e último das mesmas Escrituras.
** E, com efeito, nunca o magistério definiu a questão. Como, ademais, os Padres não chegaram quanto a este ponto a consentimento unânime, então nos é lícito adotar esta ou aquela posição a este respeito, ou suspender o juízo como Santo Tomás de Aquino – desde que não se neguem os referidos caracteres metafísicos, e muito especialmente o relato de Adão e Eva, o qual, como sempre disse o magistério, há de tomar-se de todo historicamente.

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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Simples perguntas a um sofista:


Carlos Nougué

Moisés e São Pedro, árvores boas, pecaram ou não pecaram? E o pecado é um bom fruto? E Balaão, árvore má, profetizou ou não profetizou verdadeiramente? E a profecia é um mau fruto? E você, jovem sofista, nunca pecou? Espero sinceramente que, apesar disso, seja uma árvore boa. Etc. Nada disto nega o dito por Cristo: porque se trata de outro aspecto da questão. Reza o princípio da contradição: Algo é e não pode não ser este mesmo algo ao mesmo tempo e pelo mesmo aspecto – o que é o mesmo que dizer: Algo é e pode ser outro algo por outro aspecto.
A vida moral de quase todos é cheia deste outro aspecto. É o que se lê na própria citação de Rábano que o sofista faz sem entender: O homem se considera como árvore boa ou má segundo sua vontade seja boa ou má. Os frutos são suas ações, que não podem ser boas quando são produtos de uma má vontade, nem más quando o são de uma boa. O homem se considera como árvore boa ou má segundo sua vontade seja boa ou má”. Insista-se: quem além de Cristo, de sua Mãe e talvez de alguns poucos santos nunca teve uma vontade má? Você, jovem sofista?
E basta: porque, com efeito, não nos devemos degradar discutindo interminavelmente com quem se move por pura ignorância soberba.