quarta-feira, 17 de junho de 2015
A Verdade; a Noção de Participação; as Categorias (em resposta a perguntas de aluno do curso Por uma Filosofia Tomista)
RESPOSTAS DO PROFESSOR NO CORPO
DO PRÓPRIO E-MAIL DO ALUNO
1) Se não estou errado,
em alguma aula o senhor disse que o princípio de (não) contradição vem antes do
princípio de identidade. Se assim for, entendo que sua afirmação não concorda
com Jolivet:
“a) A
consideração do ser em si mesmo dá origem ao princípio de identidade:
“o que é é”, ou ainda: “o ser é idêntico a si mesmo”. – O princípio de
identidade pode exprimir-se sob uma forma negativa: “o que não é não é”, ou
ainda “uma coisa não pode ao mesmo tempo e do mesmo ponto de vista ser e não
ser” (princípio de não-contradição ou, mais resumidamente, princípio
de contradição), – ou, sob forma disjuntiva: “uma coisa é ou não é”, ou
ainda: “entre ser e não ser não existe meio termo” (princípio do terço
excluído).”1
Parece-me
que “princípio de identidade” e “princípio de não contradição” são expressões
diferentes para a mesma coisa, vista de pontos de vista diferentes.
Se
realmente o senhor afirmou a diferença entre os dois, gostaria que explicasse
por que este trecho de Jolivet estaria sem sentido.
Sexo masculino e sexo feminino (em resposta a pergunta de aluna do curso Por uma Filosofia Tomista)
PERGUNTA DA ALUNA
O senhor explicou muito bem a questão da essência e dos acidentes. Não
sei se o que perguntarei é respondido nas aulas posteriores à quinta, na qual
estou (se sim, basta me indicar onde que fico grata). Vou tentar me explicar
sem confusão. Algumas vezes quando se fala do "homem", ou do
"cão", ou do "gato" etc., eu os compreendo Homem, Cão e
Gato, não "entes particulares" (não sei se se fala assim). Ao
tentar distinguir em alguns entes sua essência e seus acidentes, esbarrei em
uma dúvida: em essência, eu sou uma substância, vivente, animal, racional. Mas,
além disso, sou do gênero feminino. Há homens (seres humanos) do gênero
masculino. Ser do gênero feminino (ou masculino) é essência quando se trata de
um ente individual e não do Homem em geral (nem que eu queira serei
masculina em essência um dia)? Ou é acidente? Se for acidente, é passível de
mudança?
Ente, Essência, Forma, etc. (em resposta a perguntas de aluno do curso Por uma Filosofia Tomista)
1)
No penúltimo e-mail, item 7, alínea 'a', o senhor diz: "O ser (ou ato de
ser) é o ato não só da essência, mas de tudo, incluindo os demais atos: forma,
etc.", o senhor separa, ou parece separar, essência e forma. Mas Sto.
Tomás (em De Ente et Essentia) parece
usar "essência" como sinônimo de "forma", por exemplo
(perdoa-me se há erro no entendimento, meu latim é pouco desenvolvido, por
enquanto): "Et quia illud, per quod res
constituitur in proprio genere vel specie, est hoc quod significatur per
diffinitionem indicantem quid est res, inde est quod nomen essentiae a
philosophis in nomen quiditatis mutatur. (...) Dicitur etiam forma secundum
quod per formam significatur certitudo uniuscuiusque rei, ut dicit Avicenna in
II metaphysicae suae." (sublinhei). Supondo que não haja uma contradição
entre o senhor e Sto. Tomás, pergunto: o termo "forma", tal como
usado, é equívoco ou análogo? [Comecei a ler as Categorias, conforme a
bibliografia pede].
Tomismo, S. Tomás, Maritain, etc. (em resposta a perguntas de aluno do curso Por uma Filosofia Tomista)
PERGUNTAS
DO ALUNO
Se bem entendi, o professor sustenta que, de forma geral, as
principais causas dos erros dos discípulos de Sto. Tomás são os ataques de um
ambiente hostil conjugados com certa condescendência, ou recuo, dos próprios
tomista, provavelmente, dada falta de uma relação vital e real com o tomismo.
Sem querer iniciar uma regressão ad infinitum: por que falta essa relação vital
e real? Seria isso obra do ambiente, ie, das condições existenciais? Se o é,
pode-se reduzir a segunda causa à primeira? Ou seja, pode-se dizer que não se
tem uma relação vital e real com o tomismo devido aos ataques intelectuais que
ele sofre? Assim não me parece... Qual seria, pois, a causa?
Uma segunda questão: o professor também menciona a confusão entre
essência e existência, que parece ser reiterada entre alguns discípulos de Sto.
Tomás. Há alguma causa específica para esse equívoco? Me parece ser uma
distinção um tanto quanto intuitiva, por que erram? E em que medida confundir
essência e existência implica em confundir ser e ente?
Mudando ligeiramente a temática (nem tanto quanto parece,
acredito), o senhor menciona que Garrigou-Lagrange erra em filosofia, mas não
em teologia. Mas se a filosofia está ordenada à teologia, sendo como que um
preâmbulo desta, como é possível errar na filosofia e, não obstante, acertar na
teologia? Nesse caso, a teologia não seria “postiça”? Ou será possível que o erro
(na filosofia) conduza ao acerto (na teologia)? Terceira hipótese, acaso o(s)
erro(s) filosófico(s) de Lagrange seriam não-essenciais, por assim dizer?
Então, basicamente, com sua licença, para praticar a forma mentis
tomista, minhas questões se reduziriam a 3:
1) Se a causa dos erros dos tomistas pode ser reduzida a uma única?
2) Se há causa específica para a confusão entre essência e
existência?
3) Se é possível errar na filosofia enquanto se acerta na teologia
e em que medida?
Duas questões mais “mundanas”: (1) Se o senhor fosse fazer uma
crítica quanto a Santo Tomas, qual seria? (2) Fez-se menção a que Maritain está
errado, aparentemente em relação à lógica (não sei se entendi bem). Que erro
seria? O livro “Lógica Menor” é seguro? Estou ciente das críticas a Maritain em
âmbitos outros que não a lógica.
As duas sabedorias (em resposta a perguntas de aluno do curso Por uma Filosofia Tomista)
Quanto à aula 1 se me apresentam
estas duas dúvidas:
a) 1- Protágoras: o homem é a
medida de todas as coisas. Seria isto realmente um antropocentrismo? Eu imagino
que, talvez seja apenas um reconhecimento da obra mais perfeita de Deus: o
homem. Criação tão perfeita que o próprio Deus se fez Um conosco. Sendo assim,
imagino que seria bastante lógico que o homem fosse o centro de todo o
sensível que existe, portanto a medida de todas as coisas, o meio, o
central, o principal. Já certa vez ouvi falar de um trabalho científico que
afirmava que o homem é o meio de tudo o que de sensível existe. Seríamos a
média das medidas de todo o universo, o centro entre os átomos e as
constelações. Não encontrei este trabalho nunca, mas vou procurar novamente.
RESPOSTA.
Vou por partes na resposta.
• Sem dúvida
alguma é um antropocentrismo. Deus é que é a medida de todas as coisas
(sensíveis e não sensíveis). Como veremos no Apêndice “A Política e Sua Ordem
ao Fim Último do Homem”, tudo quanto há imita de algum modo a Deus: o não
vivente enquanto é (porque Deus é o próprio
Ser); o vivente enquanto é e vive (e
a vida de Deus é a vida por antonomásia); o vivente sensível enquanto é, vive e conhece (e Deus é o próprio
conhecer, sobre todo e qualquer conhecer); e o homem e o anjo enquanto são,
vivem, conhecem intelectivamente e querem, cada um a seu modo (e Deus é o
Intelecto-Vontade de que todo intelecto e todo querer decorrem).
• A obra
mais perfeita de Deus não é o homem, mas os anjos, e a mesma afirmação de que o
é o homem já é antropocêntrica.
• Aqui
entramos de chofre na Teologia Sagrada: Deus só se fez uno conosco secundum
quid, em certo sentido: a saber, segundo assumiu a natureza humana. Mas em
Cristo a natureza humana se ordena à divina; e mais: ele encarnou-se não
por causa da perfeição do homem, mas para salvá-lo,
para redimi-lo – e quem necessita de
salvação e redenção não pode senão ser imperfeito. Dizer que ele se encarnou
por causa da perfeição do homem é como pôr a Deus abaixo do homem e dar a este
o ser causa das ações daquele, o que é um absurdo em todos os sentidos. O que
você afirma supõe, mesmo que inconscientemente, a mais condenável das teses do
humanismo teológico: a de que Deus criou o mundo e se encarnou para maior
glória do homem. Aristóteles horrorizar-se-ia, com razão, diante de tal tese.
Muito pelo contrário, Deus criou tudo – incluído o homem, o ápice da criação
sensível – e encarnou-se em ordem à sua
mesma glória, para maior glória dele mesmo. (Não que necessite de tal glória, senão que lha devem todas as criaturas, incluído homem, justo por ser criaturas suas.) Se assim não fosse, deveríamos louvor antes ao homem que a Deus,
o que não se segue.
• O trabalho
científico a que você se refere não pode passar de hipótese, e jamais
comprovável cientificamente. Por quê? Porque, para saber que algo é o meio ou centro do universo, é preciso ver de cima todo o universo: com
efeito, não se encontra o centro de uma circunferência sem que se tenha a esta
inteira no campo de visão. Ora, os únicos que podem apreender todo o universo são Deus mesmo ou os anjos; portanto, a certeza quanto a se há tal centro sensível,
e, caso o haja, se é o homem, continuará nesta vida a ser segredo para
nós. – O que, sim, se pode dizer com toda a certeza é que o homem é a fronteira
entre o sensível e o espiritual. Por quê? Porque os reúne a ambos em si: ele é
tanto sensível, pelo corpo, como espiritual, pela alma.
b) 2- Noite da inteligência até à
filosofia grega: os ensinamentos da antiga Religião verdadeira, que, desde a
expulsão do Éden foram ensinados e tradicionalmente reproduzidos até a vinda de
Nosso Senhor não seriam também sabedoria e/ou inteligência? O que os gregos
ensinavam pela filosofia e razão, em outras terras se ensinava pela revelação e
fé já há muito tempo antes.
terça-feira, 16 de junho de 2015
Apresentação da página “A Boa Música”
C. N.
Ao contrário do que pretendeu provar Jacques Maritain em Art
et scolastique, as chamadas “artes do belo” (de que a música é talvez a
mais importante) participam de dupla ordem: a ordem da poiesis,
e a ordem da moral. Ora, não é difícil concluir que a segunda tem, com respeito
à primeira, razão de fim, e que, portanto, a primeira tem, com respeito à
segunda, razão de meio. Ademais, porém, a própria ordem da moral tem razão de
meio com respeito ao fim último do homem e de todo o universo ― Deus.
Logo, as “artes do belo” são, como todas as artes, meios de meio com respeito
ao fim último, e a este, portanto, também se ordenam essencialmente.
Ademais, a bondade ou a maldade de tudo na ordem da
moral são consideradas tais com respeito ao fim. Ora, como visto, também as
“artes do belo” se ordenam à vida moral, que por sua vez se ordena ao fim
último do homem. Logo, toda e qualquer obra das “artes do belo” que se desvie
ou faça desviar, de qualquer modo, da reta ordem moral e, pois, do fim último
será má, e o será na mesma medida em que deles se desviar ou fizer desviar.
Em outras palavras: embora, para ser boa, qualquer
obra das “artes do belo” necessite ser “poieticamente” ou “artisticamente”
conseguida, ela só será boa simpliciter se for boa também em
ordem ao fim. Tudo isso decorre de as “artes do belo” participarem das duas
ordens referidas, na ordenação referida.
É o que expressava Johann Sebastian Bach ao dizer:
“A música só tem por fim louvar a Deus e recrear a alma (dentro de justos
limites). Quando se perde isso de vista, já não pode haver verdadeira música, e
não restarão senão barulhos e gritos infernais” (em Pequena Crônica de
Anna Magdalena Bach).
E é o que tentaremos mostrar em todos os artigos de
A Boa Música.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
quarta-feira, 18 de março de 2015
Novo curso de Carlos Nougué: A Existência de Deus e a Criação do Mundo – segundo Santo Tomás de Aquino
A Existência de Deus e a
Criação do Mundo – segundo
Santo Tomás de Aquino
Curso on-line ministrado por
Carlos Nougué
“A felicidade última do homem
está na contemplação da Verdade.”
Santo Tomás
de Aquino
A Sabedoria é a barca de que falava Platão:
é nela que podemos atravessar com mais
segurança o mar tempestuoso desta vida.
1)
A partir do dia 10 de abril de
2015, estarão
abertas as inscrições para o curso on-line A Existência de Deus e a Criação do Mundo – segundo
Santo Tomás de Aquino, de 16 horas.
Observação. As
inscrições permanecerão abertas após o início do curso.
VALOR E
FORMAS DE PAGAMENTO
1)
Valor total:
a)
ou R$ 180,00 em até 6 parcelas sem juros no cartão de crédito;
b)
ou R$ 165,30 por pagamento à vista mediante débito on-line ou
boleto bancário.
Observação. Ambas as formas de pagamento se farão, em nosso
próprio site, mediante o PagSeguro.
INÍCIO E
DURAÇÃO DO CURSO
1) O curso
terá início no dia 15 de
abril de 2015, com a postagem do primeiro vídeo.
2) Cada quarta-feira se liberará aos alunos um novo vídeo (sempre
de cerca de 1:30 hora). Mas todos os vídeos, depois de liberados, poderão ser
vistos a qualquer dia e hora.*
3)
Para cada inscrito, os vídeos-aula permanecerão disponíveis
um ano em nosso site, a contar do dia mesmo de sua inscrição.
EMENTA
DO CURSO
segunda-feira, 16 de março de 2015
“A Suma Gramatical da Língua Portuguesa” será lançada em julho de 2015 pela editora É Realizações
Carlos
Nougué
Não poderia ser senão
com satisfação que anuncio para julho de 2015 o lançamento da Suma Gramatical da Língua Portuguesa –
Gramática Geral e Avançada. Esta obra, que é uma verdadeira suma de quanto
pude acumular em uma de minhas áreas de estudo, é gramática geral porque, contra certa tendência
majoritária moderna, não se limita a ser ou “descritiva” ou normativa, senão
que é ordenadamente as duas coisas, assim como em qualquer arte a ciência se
ordena ao normativo; e é avançada
porque não deixa de expor, ao longo de suas vastas páginas, as luzes das ciências
superiores – em especial a Lógica – pelas quais se ilumina ou deveria iluminar
a Gramática.
E não poderia ser senão
com agradecimento que anuncio seu lançamento pela editora É Realizações, que vai formando assim,
junto com O Trivium, da Irmã Miriam Joseph – e cuja 2ª. edição tive a honra de prologar –, e com outras obras também no prelo, a
tão urgentemente necessária biblioteca
das artes liberais em língua portuguesa.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
terça-feira, 28 de outubro de 2014
“Compêndio de Teologia” de S. Tomás + aula de 4 horas
Tradução, estudo introdutório, notas e aula de Carlos Nougué.
COMPRE AQUI O SEU COMPÊNDIO DE TEOLOGIA + AULA DE 4HORAS
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quinta-feira, 2 de outubro de 2014
O Apocalipse de São João, o milenarismo e a tese do Venerável Holzhauer
C. N.
Havia-me comprometido a escrever uma obra sobre o
Apocalipse de São João que, ademais, se opusesse tanto à tese do Venerável Holzhauer
(a das Sete Igrejas) como sobretudo ao milenarismo (este, condenado pela Igreja).
Não me foi preciso levá-lo adiante: o Irmão Emmanuel-Marie O.P., dos
dominicanos de Avrillé, acaba de publicar em Le Sel de la Terre n. 89 (eté 2014) a primeira parte de seu estudo Richesses et actualité de L’Apocalypse (a
postagem anterior a esta). Não discrepo senão
de detalhes do escrito aí; o essencial está dito melhor que o que eu poderia
fazer, e atende perfeitamente a meus
fins.
Mais porém que lerem a primeira parte desta fundamental série sobre o Apocalipse,
recomendo-lhes vivamente que assinem a revista Le Sel de la Terre, já desde algum tempo, sem dúvida alguma, um
dos mais importantes bastiões do tomismo.
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