quinta-feira, 23 de março de 2017

Novo livro de Carlos Nougué : “Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal – O Tratado dos Universais”


Carlos Nougué

Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal:
O Tratado dos Universais


Sumário

• Proêmio
• A querela dos universais
• A universalidade das intenções intelectuais
• Os predicáveis
• Os unívocos
• As categorias
• Os análogos
§ Os transcendentais
• Os pós-predicamentos
• A Linguagem e a Escrita
• Morfologia e Semântica
• Geração e corrupção das palavras

Número de páginas: cerca de 500.
Data prevista de lançamento: dezembro de 2017.
Editora: É Realizações.

Justificação: não é possível que se dê a verdadeira arte-ciência da Lógica sem que se funde numa língua cultivada. Pois bem, lançada a Suma Gramatical da Língua Portuguesa, posso agora lançar Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal – O Tratado dos Universais, o primeiro dos tratados lógicos, concernente à primeira operação do intelecto. O livro já está em fase de retoques finais. – Desse modo, terei publicados em 2017 três novos livros: este; Do Papa Herético e outros opúsculos, de cerca de 450 páginas; e Das Artes do Belo, de cerca de 700 páginas; além de “Da Necessidade da Física Geral Aristotélico-Tomista”, estudo introdutório (de cerca de 100 páginas) à minha tradução do Comentário à Física de Aristóteles por Santo Tomás de Aquino (editora: É Realizações).  – Tenha-se certeza de que tudo isso implica para mim um esforço hercúleo, ao qual não me entrego senão porque estou convicto da necessidade destas obras: se o mundo tem alguma salvação, esta não se dará sem o tomismo.

Em tempo 1: vai para seus últimos dias a campanha pela publicação de Do Papa Herético e outros opúsculos (http://edicoes.santotomas.com.br/). Ao que se interessar pela obra, sugero que participe da campanha para beneficiar-se do preço de R$ 50,00, que se elevará a partir do lançamento.
Em tempo 2: saiu a segunda edição revista da Suma Gramatical da Língua Portuguesa (vide aqui). A primeira, de 5.000 exemplares, esgotou-se em um ano e três meses. E a obra tem tido de fato acolhida muito favorável (vide, por exemplo, aqui).

domingo, 19 de março de 2017

O fado (ou fatalidade) e os astros, segundo Santo Tomás de Aquino


«Do posto anteriormente resulta o que havemos de pensar acerca do fado. Pois, vendo os homens que muitas coisas sucedem neste mundo per accidens do ângulo das causas particulares, pensaram alguns que não proviessem de nenhuma causa, nem sequer superior, que as ordenasse. Por isso negaram a fatalidade.
Outros tentaram reduzi-las a causas mais elevadas, das quais deviam proceder segundo certa disposição ordenada. Estes puseram o fado: como se as coisas que parecem suceder ao acaso fossem effata, ou seja, ou anunciadas ou preditas por algo, como que preordenadas a que existam.
Alguns destes tentaram reduzir tudo quanto aqui sucede por acaso ou contingentemente aos corpos celestes como a suas causas, incluídas as eleições humanas. E chamavam fado ao poder que provém da disposição dos astros, ao qual tudo deveria subordinar-se com certa necessidade. Mas esta opinião é impossível e vai contra a fé, como se patenteia do posto anteriormente.
Outros porém quiseram reduzir à disposição da providência divina tudo quanto parece ocorrer por acaso entre as coisas inferiores. E assim disseram que tudo se faz pelo fado, chamando por este nome à ordem que há nas coisas pela providência divina. Por isso diz Boécio em Da Consolação da Filosofia, livro 4, prosa 6, que “o fado é a disposição inerente às coisas móveis, pela qual a providência ata tudo a suas ordens”. Nesta descrição do fato, põe-se “disposição” como equivalente de “ordem”; e que seja “inerente às coisas” põe-se para distinguir o fado da providência. Porque a mesma ordenação, enquanto está na mente divina, mas ainda não se encontra impressa nas coisas, é providência; mas, enquanto se desdobra nas coisas, chama-se fado. E fala de coisas móveis para mostrar que a ordem da providência não tira às coisas sua contingência e mobilidade, como alguns puseram.
Segundo pois este modo de concebê-lo, negar o fado equivaleria a negar a providência divina. Mas, como com os infiéis não devemos ter em comum nem os nomes, para que o uso comum dos termos não nos venha a servir de ocasião de errar, os fiéis não devemos usar a palavra fado, para que não pareça que assentimos ao que opinaram mal sobre o fado, submetendo todas as coisas à necessidade imposta pelos astros. Por isso diz Agostinho [em Da Cidade de Deus, l. V, cap. 1]: “Se alguém à vontade ou potestade de Deus a chama pelo nome de fado, tenha a sentença, mas corrija a língua”. E diz Gregório [na Homilia X sobre o Evangelho, na Epifania], segundo o mesmo entendimento: “Fique fora da mente dos fiéis o dizer que existe o fado”.»        

[Suma contra os Gentios, III, cap. 93.] 

terça-feira, 14 de março de 2017

Evolución y el planeta neocatólico de los simios [Parte I]


14/03/17

Solíamos ser monos. Ahora bien, es cierto que la ciencia no confirma aún esa teoría, así que tendrás que aceptarla ciegamente. Pero al menos la Evolución no es una superstición y un mito absurdo. ¡No, es una superstición y un mito mortalmente serio, esto te lo puedo decir!

Cómo la fallida teoría de la evolución ha derribado el relato del Génesis sobre la Caída con la ayuda de sus facilitadores católicos.

Nota del editor: Con cierta frecuencia, animamos a los visitantes de nuestro sitio web Remnant a suscribirse a The Remnant. La razón por la que hacemos esto es porque gran parte de nuestro trabajo no aparece en línea, y con el fin de mantener nuestro sitio web en funcionamiento debemos mantener nuestro periódico en funcionamiento. El periódico subsidia al sitio web. Esta refutación académica de la teoría de la Evolución hecha por Chris Ferrara, por ejemplo, es una muestra de por qué es necesario suscribirse a nuestra edición impresa si desea beneficiarse de todo el cuerpo de nuestro trabajo. Este artículo de tres partes apareció en The Remnant hace casi dos años y se hace más oportuno cada día. Incluso el Papa Francisco (tal vez debería decir, por supuesto, el Papa Francisco) dice que esa teoría de la Evolución no es en absoluto incompatible con la enseñanza de la Iglesia porque “Dios no es un mago y la evolución puede haber sido necesaria para él”. Somos muy conscientes de lo polémico e incluso satírico que una estricta defensa de Génesis se ha convertido en 2017. Y, francamente, no nos importa. La ciencia moderna también descarta la Presencia Real de Cristo en la Eucaristía. La ciencia moderna llama a la Resurrección de Cristo un engaño. La ciencia moderna niega la existencia del alma. Si vamos a permitir que las teorías científicas modernas (y no olvidemos, se llama la “Teoría de la Evolución”) y el cientificismo dicten lo que los católicos creemos y no creemos, entonces todo está perdido, la apostasía universal está completa, y las puertas del infierno habrán prevalecido. No podemos ni vamos a ser amedrentados o intimidados cuando se trata de la doctrina definida de la Iglesia Católica de que Dios creó al hombre ex nihilo, de la nada, en un acto supremo de Su voluntad. Si esto hace que nuestros sofisticados críticos se rían de la Iglesia y se burlen de ella, y se rían y se burlen de los que creemos con todo nuestro corazón que Dios no hizo al hombre de un mono, así sea. Y en esta santa temporada de Cuaresma recordamos cómo el mundo se rió y se burló del Hombre que dijo que era Dios. Francamente, nosotros en The Remnant estamos perfectamente contentos de reírnos y burlarnos de la teoría de la Evolución -posiblemente el mayor engaño de la historia- y en las siguientes series confiamos en la ciencia y en la enseñanza de la Iglesia para demostrar qué broma ridícula esta anticuada y ahora totalmente obsoleta teoría se ha convertido. MJM

Parte I: Teoría no digna de la credulidad católica [1]

Se o princípio masculino e o feminino são ambos causas eficientes na geração do embrião


Carlos Nougué

Nota prévia: este breve escrito se funda grandemente em Padre Álvaro Calderón, La naturaleza y sus causas, t. II, p. 375-377. O que porém ali não se encontrar será, obviamente, de minha total responsabilidade.

Objeção. Segundo a biologia moderna e contrariamente à doutrina aristotélico-tomista, o princípio masculino e o feminino concorrem igualmente, como causas eficientes, para a geração do embrião.
Resposta. Deve dizer-se que tal conclusão da biologia moderna decorre de uma insuficiência sua, ou seja, do cingir-se ao quantitativo. Com efeito, para que se trate de um embrião, é preciso que já esteja informado, isto é, determinado por uma forma. Mas, para que uma forma seja causada por várias causas eficientes parciais, é necessário que seja de algum modo composta, de maneira que uma parte se deva a uma e outra a outra. Pode dar-se multiplicidade de causas, sim, quanto à disposição da matéria para receber a forma substancial; e é quanto a tal disposição que o óvulo deve absorver o gameta masculino, em geral bem menor, para que se constitua algo uno, o zigoto. Sucede todavia que é a forma substancial mesma a que dá unidade a tal composto, e essa forma é simples, não composta, e não comporta, portanto, distinção real de partes. Não pode pois ser causada senão por um único agente ou eficiente, ou seja, ou pelo princípio masculino ou pelo feminino. “E a generalidade das espécies”, escreve o Padre Calderón, “mostra que se deve atribuir a geração ao princípio masculino, que é onde a forma específica se dá com maior vigor”.
A espécie humana, é verdade, deve tratar-se à parte, porque a causa eficiente da alma racional é Deus, não o princípio masculino. Mas também pelo que se dá no mundo vegetal pode mostrar-se que em geral é o princípio masculino a causa agente da forma pela qual se constitui o embrião. Com efeito, cada flor encerra em si todo o necessário para a reprodução sexual: a parte masculina é o estame, constituído pelo filamento e pela antera; a parte feminina, ou carpelo, inclui o estigma – que recolhe o pólen –, o ovário – que contém o óvulo – e o estilete – tubo que liga o estigma ao ovário. Pois bem, o pólen é produzido na antera, e é liberado quando já está maduro. Mas cada grão de pólen contém dois gametas masculinos. Ao dar-se a autopolinização, o pólen chega ao estigma da mesma flor, ainda que na maioria das plantas, na qual se tem polinização cruzada, o pólen seja transportado pelo ar, ou pela água, ou por insetos, etc., para outra flor. Se porém o pólen alcança o estigma de uma flor da mesma espécie, constitui-se um tubo polínico que cresce para baixo ao longo do estilete e transporta os gametas masculinos até ao óvulo. É então que, dentro do saco embrionário do óvulo, um gameta masculino fecunda a ovocélula e se eduz a forma substancial, pela qual se constitui o zigoto e pois o embrião.* (O segundo gameta masculino, no entanto, une-se a duas células do saco embrionário, chamadas núcleos polares, para constituir o endosperma nutritivo que envolve o embrião da semente.)
Baste o dito quanto ao que intencionei mostrar principalmente. Acrescente-se apenas que também pelo que se acaba de ler se mostra, uma vez mais, o verdadeiro caráter do evolucionismo ou darwinismo: é anticientífico, fantasista, além de radicalmente anticristão. Com efeito, é impossível que a fecundação animal ou vegetal, em toda a sua complexidade, seja resultado da ação de forças cegas da matéria e não da eficiência primeira de um Artífice.



* Assinale-se, porém, para entendimento mais cabal do modo como a forma substancial vem ao ser, que o faz “pela comunhão do agente e da matéria, em cujas [respectivas] potências ativa e passiva ela preexistia, de maneira que, a uma só vez, [a forma] desce por recepção do agente e ascende por edução da matéria. [...]: forma recipitur ab agente in materia, et educitur de materia in esse” (Padre Ávaro Calderón, ibidem, p. 117).   

domingo, 12 de março de 2017

Elogio de Marco Túlio Cícero


Carlos Nougué

A ALTURA DE CÍCERO[1]

Apesar de a figura de Marco Túlio Cícero (Arpino, 106-Caieta, 43 a.C.) sempre se ter afigurado paradoxal ou contraditória nos livros que dele falavam, desde jovem nunca hesitei na admiração, algo confusa, que sentia por ele.
Admirava-o como filósofo? como retórico? como político? Mas obviamente Cícero, o Túlio a que com respeito tantas vezes se refere Santo Tomás de Aquino, não foi tão grande filósofo como Platão ou Aristóteles; faltava-lhe um sistema, uma visão orgânica, a solução intelectiva do mundo. Tampouco se mostrava original, sendo aparentemente, como seus pares romanos, um simples eclético na tentativa de conciliar grande parte das escolas filosóficas precedentes.
Como retórico, era sem dúvida grande, o que porém não era bastante para alicerçar-me a admiração por ele. Se se tratava do político grande que também sem dúvida foi, já aumentava um pouco a possibilidade de minha admiração ter fundamento. Mas não tanto para justificar a própria grandeza dela. Donde pois me provinha aquela inclinação que me fazia ler com avidez e verdadeira simpatia as obras do romano?
Hoje, beirando já a casa dos sessenta, creio ter a resposta. Com efeito, era Cícero um mosaico de qualidades. Historicamente, foi um verdadeiro vaso comunicante tanto entre o pensamento helênico e o pensamento romano como, mais tarde, entre a cultura antiga e os Padres latinos (com especial influência sobre Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo). O Pai da Pátria dos romanos conseguiu de fato transplantar a cultura grega para o então solo rústico da sua pólis, dando-lhe uma orientação ética geral e solidificando, desse modo, aquela cidade que progressivamente se confundia com quase todo o orbe conhecido. Mais que isso, porém: deu à língua latina porte científico ao dotá-la, num esforço de adaptação do léxico filosófico grego, de vocábulos para as coisas e ideias que povoavam o universo da sabedoria. Pode-se assim dizer, em sentido lato, que Roma teve três fundadores: Rômulo, Virgílio e Cícero.
Terá, todavia, o filósofo Cícero a mesma altura que o vaso comunicante entre três mundos e o fundador Cícero? Ainda considerando suas grandes contribuições naquele terreno, como o ter firmado grandemente a noção de lei natural (que porém só se consolidaria definitivamente com Santo Tomás), não se pode negar, por um lado, sua inferioridade com relação a um Aristóteles — a cuja filosofia, todavia, como mostrei em outro lugar,[2] tendeu grandemente. Por outro lado, há homens cuja obra, se assim se pode dizer, são grandes por razões extrínsecas a ela. De fato, Cícero, que como filósofo era antes de tudo um seguidor de Sócrates, igualou-se ao mestre não no plano da invenção especulativa, mas no do exemplo vital diante da morte.
Precisamente, o que sem dúvida remata a figura de Cícero em toda a sua grandeza é a absoluta concordância entre o seu pensamento e a maneira como ele se portou na hora de perder a vida. Antes de ser degolado por sicários a soldo de Marco Antônio, primeiro pronunciou aristotélica e, digamos, pré-cristãmente: “Causa das causas, tem misericórdia de mim”, e depois, ao estender ele próprio o pescoço para o golpe fatal, proferiu socraticamente: “Morra eu na pátria que tantas vezes salvei”.
Mais portanto do que elucidar-me uma admiração juvenil, o conhecimento preciso de Cícero confirmou-me o que com grande propriedade alguém já dissera: “Na história, só importam os heróis e os santos [e os sábios, acrescento eu]”.




[1] Apresentação de O Sonho de Cipião, de Marco Túlio Cícero, apresentação, tradução e notas Prof. Dr. Ricardo da Costa 
(http://www.ricardocosta.com/sites/default/files/pdfs/sonhocipiao.pdf).
[2] Na Apresentação de Do Sumo Bem e do Sumo Mal (De finibus bonorum et malorum), trad. Carlos Nougué. São Paulo, Martins Fontes, 2004.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ainda os descaminhos filosóficos do neotomismo: os primeiros princípios e a teodiceia


Carlos Nougué


Em várias obras, diz Garrigou-Lagrange O.P. que o “princípio da identidade” é o primeiro dos primeiros princípios; e ele certamente não foi o primeiro a dizê-lo. Por outro lado, em sua A Essência do Tomismo, Manser O.P. põe o “princípio da razão suficiente” entre os primeiros princípios. Mas nada disso é de Aristóteles nem de Tomás de Aquino: ambas as coisas são de Leibniz. Não que por serem de Leibniz sejam erradas; mas o fato é que também nisso errou Leibniz. O “princípio da identidade” (“todo ser é o que é”) responde ao matematicismo cartesiano-leibniziano, e corresponde à famosa e vácua fórmula 1 = 1. Aí está um modo de ser profundo sem dizer absolutamente nada. Quanto porém ao “princípio da razão suficiente” (“nada existe sem razão suficiente), responde ao idealismo de Leibniz: Deus conhecia todos os mundos possíveis, mas, como por sua sabedoria não podia agir sem razão suficiente, de todos os mundos possíveis só fez o melhor. É o chamado “otimismo” leibniziano. Mas Tomás de Aquino demonstra na Suma Teológica que Deus poderia ter criado outro e melhor mundo, ainda que nenhum mundo que Deus criasse pudesse ser inconveniente. – O neotomismo também tomou de Leibniz, de certo modo, outra doutrina metafísica: a chamada “teodiceia”, mediante a qual Leibniz pretendia conciliar Deus e o mal no mundo. Mas o que encontra não é nada tomista, e Tomás de Aquino respondeu previamente a ele de modo cabal em sua vasta obra. Sucede todavia que quase todos os neotomistas dividem a Metafísica em Ontologia e em Teodiceia, com o que se infringe a unidade simpliciter da Metafísica: esta, como a Teologia Sagrada, não tem partes subjetivas. Mas, infelizmente, desde o século XVII os doutores e teólogos católicos também passaram a dar à Teologia Sagrada partes subjetivas: Teologia Dogmática, Teologia Moral, etc. – São os descaminhos do neotomismo: e assim é porque, como dizia Santo Tomás de Aquino, um pequeno erro no princípio torna-se um erro grande ao final. 

     Observação. Se critico o neotomismo, não deixo porém de ter grande apreço por boa parte dos neotomistas: com efeito, foram bravos combatentes sob o estandarte do tomismo contra inimigos pertinazes e majoritários. Mais que isso: ainda está por publicar-se em português a maior parte de sua obra, o que é urgente. Mas a principal tarefa dos tomistas hoje, quando nosso isolamento é total e por isso mesmo é possível seguir a Santo Tomás em espírito e letra, é voltar à doutrina do mestre sem concessão alguma ao ambiente. Para o fazermos, todavia, há que superar os desvios que sete séculos fizeram padecer à doutrina de Tomás de Aquino. Por isso, e tão somente por isso, não deixarei de insistir nos erros dos neotomistas.  

domingo, 22 de janeiro de 2017

“Do Papa Herético” e o dilema conciliar


Carlos Nougué

Diante do grave dilema que nos impõe o magistério conciliar, e em particular o de Francisco, têm-se dado duas respostas. A primeira, reagindo aos desvios da fé por parte do Magistério conciliar, acaba com o mesmo Magistério, e pois com a mesma Igreja, negando assim a promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevaleceriam. A segunda, pretendendo ater-se a esta mesma promessa, termina por calar-se diante dos referidos desvios da fé, ou até por segui-los, ambas as coisas inconvenientes. Tem-se buscado ainda, porém, uma posição média entre esses extremos, com doutrinas com a das “duas Igrejas” – mas sempre, a meu ver, insatisfatoriamente.
Por isso escrevi “Do Papa Herético”, ou seja, para mostrar que é possível uma posição média satisfatória entre tais extremos. Fundei-me amplamente nas Escrituras, no magistério da Igreja, na doutrina de multidão de Santos Padres, de Doutores e de teólogos – e em inegáveis fatos da vida pregressa da Igreja. E creio que, sim, consegui resolver neste escrito o referido dilema. Se o tiver feito, todavia, não terá sido senão pela só graça de Deus. 

Data de lançamento de “Do Papa Herético e outros opúsculos”, de Carlos Nougué


Carlos Nougué 

Meu Do Papa Herético e outros opúsculos sairá pelas Edições Santo Tomás, terá cerca de 500 páginas (suprimiram-se alguns opúsculos previstos, em prol da viabilidade), formato 14 x 21 cm, miolo costurado e em papel Polen, capa com laminação fosca, e tem lançamento previsto para 10 de abril próximo. Devido ao alto custo da produção, será impresso por encomenda, e por isso de meados de fevereiro a meados de março se dará sua pré-venda (junto com uma série de outras promoções). Quantos se venderem, tantos se imprimirão. Passado este primeiro momento, o mesmo esquema de pré-venda do livro voltará a fazer-se regularmente.  

Observação 1. Publicado Do Papa Herético e outros opúsculos, será a vez, então, dos também meus Da Figura do Silogismo (de cerca de 200 páginas) e Das Artes do Belo: Essência e Fim (de cerca de 500 páginas), além de outros  se Deus quiser e para sua maior glória.
Observação 2. A segunda edição (revista) da Suma Gramatical da Língua Portuguesa (É Realizações, formato 16 x 23 cm, 608 pp.) sairá em fevereiro próximo. 

Visão de Daniel sobre o tempo final


“Cresceu até alcançar os astros do céu, do qual fez cair por terra diversas estrelas e as calcou aos pés. Cresceu até o chefe desse exército de astros, cujo holocausto perpétuo aboliu e cujo santuário destruiu. Por causa da infidelidade, além do holocausto perpétuo foi-lhe entregue um exército! A verdade foi lançada à terra. O pequeno chifre teve êxito em sua empreitada. Ouvi um santo que falava, a quem outro santo respondeu: quanto tempo durará o anunciado pela visão a respeito do holocausto perpétuo, da infidelidade destruidora, e do abandono do santuário e do exército calcado aos pés? Respondeu: duas mil e trezentas noites e manhãs. Depois disso o santuário será restabelecido. Ora, enquanto eu contemplava essa visão e procurava o significado, vi, de pé diante de mim, um ser em forma humana, e ouvi uma voz humana vinda do meio do Ulai: Gabriel, gritava, explica-lhe a visão. Dirigiu-se então em direção ao lugar onde eu me achava. À sua aproximação, fiquei apavorado e caí com a face contra a terra. Filho do homem, disse-me ele, compreende bem que essa visão figura o tempo final” (Daniel VIII, 10-17).

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

A civilização será cristã – ou não será perfeita civilização


São Pio X


“A Igreja, com pregar a Cristo crucificado, escândalo e loucura aos olhos do mundo (1 Cor. 1, 23), tornou-se a primeira instituidora e fautora da [perfeita] civilização, cujos bens se derramaram, por onde quer que a pregação dos Apóstolos se tenha feito ouvir, conservando e apurando os elementos bons as antigas civilizações pagãs, arrancando à barbárie e adestrando à vida civil as novas gentes, que rejuvenesciam amparadas ao seio maternal, imprimindo em toda a sociedade, se bem que a passos lentos, mas com traços seguros e sempre progressivos, aquele caráter tão realçado que retém [retinha] até o dia de hoje. A civilização do mundo é a civilização cristã [não judaico-cristã], tanto mais verdadeira, duradoura, provida de frutos preciosos quanto mais lidimamente cristã for; tanto mais decaindo, com dano imenso do bem-estar da sociedade, quanto mais se subtrair à ideia cristã. Tanto é assim, que a força intrínseca das coisas constitui, de fato, a Igreja guardiã e paladina da civilização cristã; fato este reconhecido e aclamado por outros séculos da História” (Enc. “Il fermo proposito”, 11-6-1905, A.S.S. vol. 37, p. 746).   

“Questão Disputada sobre as Criaturas Espirituais”: mais um livro de Santo Tomás traduzido


Carlos Nougué

“O ser em ato de todas as coisas é causado pelo ato primeiro e perfeito simpliciter, que tem em si a plenitude da perfeição”, diz uma vez mais Santo Tomás de Aquino, agora na Questão Disputada sobre as Criaturas Espirituais. É um dos pontos centrais da doutrina tomista, que, porém, infelizmente, ainda que involuntariamente, é obscurecido por boa parte dos tomistas, sobretudo ao confundir ser e existência ou ainda ser e ente (como o mostro num opúsculo do livro Estudos Tomistas). Pois bem, acabo de terminar a tradução de mais esta obra magna de Tomás de Aquino, e enviá-la-ei hoje mesmo à É Realizações, pela qual se publicará. Nesta tradução, uma vez mais procurei primar pelo lema “seguir a Santo Tomás em espírito e em letra”. Que Deus me tenha ajudado.