segunda-feira, 6 de novembro de 2017

"Das Artes Liberais: A Necessária Revisão", opúsculo de Carlos Nougué


Das Artes Liberais: A Necessária Revisão


Carlos Nougué

I

Por todo o Medievo o Trivium (Gramática [com Poética], Retórica [com Direito] e Dialética ou Lógica) compôs com o Quadrivium (Aritmética, Geometria [com Geografia e História Natural], Música e Astronomia) as chamadas Sete Artes Liberais, ou seja, o conjunto de estudos que antecedia o ingresso na Universidade (na qual, por sua vez, havia três faculdades: a de Teologia [Sagrada], a de Direito Canônico e a de Medicina).[1] E, se, como veremos, tal conjunto (e especialmente o Trivium) resultou da confluência heterogênea de várias doutrinas, permitiu, todavia, uma abundância de bons frutos filosóficos e foi o sustentáculo educacional da mais pujante das civilizações que já houve na face da Terra: a Cristandade medieval.
Esta, porém, por diversos motivos – incluído o humanismo hiperestetizante e hiperbeletrista –, começou a ruir no já distante século XIV; e foi no principal desdobramento do humanismo – o Renascimento – que de fato começou a derrocar-se o conjunto das Sete Artes Liberais. O principal fautor de tal derrocada, como mostrou José Monir Nasser,[2] foi “o teólogo [...] tcheco Jean Amos Comenius (1592-1670), que, em sua principal obra, Magna Didactica, não apenas faz pouco caso das Sete Artes como estabelece as bases das pedagogias modernas, desenhadas para fins antes de distribuição social que de efetiva educação. Na Advertência ao leitor com que abre sua obra, o tcheco esboçao plano mestre de seu admirável mundo novo pedagógico’: ‘Ouso prometer uma grande didática, uma arte universal que permita ensinar a todos com resultado infalível; ensinar rapidamente, sem preguiça ou aborrecimento para alunos e professores; ao contrário, com o mais vivo prazer. Dar um ensino sólido, sobretudo não superficial ou formal, [que conduza] os alunos à verdadeira ciência, aos modos gentis e à generosidade de coração. Enfim, eu demonstro tudo isso a priori, com base na natureza das coisas. [Assim] como de uma nascente correm os pequenos riachos que vão unir-se no fim em um único rio, [assim também] estabeleci uma técnica universal que permite fundar escolas universais’”. – Com efeito, aí estão já algumas das notas da pedagogia moderna: arte universal, ensino rápido, resultado “infalível”, tudo estabelecido de antemão – o que redundará em algo que não lhe é oposto senão aparentemente, porque, com efeito, é uma inelutável consequência sua: o renascimento do flatus vocis sofístico sob o justo nome de relativismo.
Basta pois comparar o sistema educacional moderno e seus resultados com a pedagogia das Sete Artes Liberais e seus resultados para que ressalte a superioridade incalculável desta sobre aquele.
• Antes de tudo, as Sete Artes ordenavam-se à verdade e sua complexidade, ao passo que o ensino moderno visa a uma formação “simples” e “universal” tão somente na medida em que, sob a “luz” de um Protágoras ou de um Górgias, tem ao homem individual por medida de todas as coisas – fosse isso possível.
• Depois, o jovem medieval que pudesse ou quisesse estudar as Sete Artes capacitava-se para a Sabedoria adquirida efetivamente nas universidades, ao passo que o jovem atual, sempre obrigado a cursar o ensino primário e o secundário, não se capacita senão a curvar a cerviz a si mesmo enquanto “medida de todas as coisas” e a ocupar certa posição na escala socioeconômica.[3]
• Não é pois de assombrar que aquele jovem medieval se distinguisse por buscar algo superior a ele mesmo – porque, com efeito, nossa alma só repousa na verdade –, enquanto este jovem atual é crescentemente egocentrista, fundado num pretenso saber que não é senão um espelho deformado e idealizado dele mesmo e de suas pobres idiossincrasias.
• E não é de admirar que então brotassem sábios verdadeiramente universais, como Santo Alberto Magno, Santo Tomás de Aquino ou São Boaventura, enquanto hoje tristemente quase não brotam senão “especialistas” tão especializados, que de fato perdem de vista a universalidade da verdade em que poderiam repousar.[4]

II

domingo, 5 de novembro de 2017

"O Que É a Ideologia", opúsculo de Carlos Nougué


O que é a ideologia


Carlos Nougué


I

Parafraseando a Aristóteles, diga-se que o homem é um animal de ciências e de artes. No sentido, porém, que nos interessa aqui, ciência e arte identificam-se enquanto esta se distingue da experiência ou costume. Com efeito, ter o hábito de dada ciência (ou a Física, ou a Matemática, ou a Metafísica) implica que se conheçam seu sujeito (ou seja, aquilo de que ela trata própria e formalmente) e as causas, as partes, as propriedades, os efeitos de seu sujeito. Mas também o artista conhece o sujeito de sua arte (a Marcenaria, a Medicina, a Arquitetura, a Música...) e as causas, etc. Não as conhece, porém, o operário que trabalha ou opera somente por experiência ou costume e sob orientação de um artista: assim como algum obreiro pode tão somente serrar certas peças segundo o plano e a ordem de um marceneiro.[1] O que assim opera, opera, como dito, por experiência ou costume, e só se distingue nisto do animal porque, se este aprende também por experiência, não o faz senão no marco da estimativa e dos instintos próprios à sua espécie.[2]

II

sábado, 4 de novembro de 2017

“Das Complexas Relações entre Fé e Razão e entre Filosofia e Teologia Sagrada”, opúsculo de Carlos Nougué


Das complexas relações entre fé e razão
e entre Filosofia e Teologia Sagrada


Carlos Nougué

Lê-se em Jeremias 9, 24: “Aquele que se gloria glorie-se em conceber-me e conhecer-me”. Ora, não só Deus não nos mandaria fazer algo impossível, senão que tal gloriar-se seria pura vanglória se não o pudéssemos efetivamente conceber e conhecer. Logo, não há dúvida de que o podemos fazer. Mas há que saber se podemos fazê-lo naturalmente, mediante unicamente nosso intelecto, ou necessitamos do auxílio da revelação divina para concebê-lo e conhecê-lo.
As duas coisas são verdadeiras por ângulos diversos.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Crítica da crítica kantiana das provas da “existência” de Deus (por Carlos Nougué)


Crítica da crítica kantiana
das provas da “existência” de Deus

Carlos Nougué

O Uróboro

Notas prévias

• Com respeito a Deus, é inconveniente usar existir ou existência: porque, falando propriamente, só os entes criados ex-sistem (‘provêm de’), justo enquanto são ex-causis, ao passo que Deus é incausado. Em resumo, Deus é, mas não “existe”. – Como porém aqui se trata de proceder à crítica de uma crítica kantiana, e como Kant não tinha a menor ideia do que se acaba de dizer, usaremos os termos usados por ele: “existência” e “existir”, sempre todavia entre aspas.
• Diz-se que Kant nunca lera a Santo Tomás e a Aristóteles senão por alguns artigos de vulgarização. E parece que tal seja verdade, porque, com efeito, se não o fosse, não se explicaria o total desconhecimento deles que mostra nesta crítica.
• Mais que isso, no entanto, como se verá, não há de ser senão por desconhecimento da lógica aristotélico-tomista – a lógica por antonomásia – que Kant comete tantos paralogismos nesta crítica (como nas demais).
• Tudo quanto vier entre colchetes no meio dos textos de Kant e de outros será nosso.

I

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Informações completas sobre a ESCOLA TOMISTA, a universidade online de Carlos Nougué


Carlos Nougué,

com especial agradecimento 

a Lucas Henrique, 
do Centro Dom Bosco.

Como se lê aqui, não é senão formando pessoas em todas as principais disciplinas filosóficas ou científicas e segundo a devida ordem que se poderá ter no Brasil uma elite intelectual em toda a extensão do termo, porque, com efeito, só será tal se for aristotélico-tomista. Para isso, pois, fundo a Escola Tomista, cuja fundamentação e cujo programa se podem ver, repita-se, por este link, e a respeito da qual dou aqui todas as informações práticas, que peço se leiam com atenção.

1) Data de início, com a primeira aula ou aula magna: 17 de agosto de 2017. Neste mesmo dia começam as inscrições.

2) Haverá quatro aulas mensais (de duas horas em média cada uma) sempre às quintas-feiras, durante os cinco anos da Escola Tomista; e os alunos poderão assistir a elas quando quiserem ou puderem.

Observação: como dizia Aristóteles, o próprio do sábio é ordenar. Mas o mesmo Aristóteles e Tomás de Aquino ordenaram as disciplinas científicas e artísticas de modo definitivo, e os seguirei estritamente. Isso é o mesmo que dizer que a Escola Tomista terá começo, meio e fim, com previsão de término para dentro de cinco anos.

3) As inscrições poderão ser feitas a qualquer tempo a partir do primeiro dia de aula.

4) O valor da mensalidade será de R$ 47, 00. Mas oferecer-se-á que o pagamento seja mensalsemestral ou anual, com descontos progressivos:
a) Semestral: R$ 267,90;
b) Anual: R$ 507,60.
    Os que optarem pelo pagamento mensal, que poderá fazer-se por cartão ou por boleto bancário, deverão inscrever-se a partir do dia 17 em endereço que darei na próxima semana. Os que optarem pelo pagamento semestral ou pelo anual deverão escrever, a partir do mesmo dia 17, para Marcel Barboza (cursos@santotomas.com.br), que lhes enviará a devida cobrança. Feita a inscrição, todos receberão os dados de acesso. Tudo isto se explicará mais detidamente também na semana que vem. 

  Observação 1: o valor é tão acessível, que corresponde, na modalidade pagamento mensal, a R$ 1, 56... por dia do mês, e será ainda menor se se optar por alguma das outras modalidades. Faço-o assim porque quero que possam frequentar a Escola Tomista todos os interessados, mesmo nesta época de crise. Com efeito, a formação de uma elite aristotélico-tomista, relembre-se, é meu fim primeiro
Observação 2: Em razão do mesmo preço acessível, dos gastos não pequenos que teremos com a Escola Tomista e da dedicação quase exclusiva que terei de ter com ela, é que nos será impossível fornecer bolsas.

5) Veja-se aqui aqui tudo sobre a bibliografia da Escola Tomista, e aqui aqui vídeos sobre os fundamentos da Escola e sobre sua pedagogia. 

6) Responderei a todas as perguntas dos alunos, quer por vídeos quer por escrito, e que as respostas ficarão acessíveis a todos, incorporando-se assim à mesma Escola Tomista. As perguntas deverão ser-me encaminhadas a e-mail que será fornecido aos alunos junto com os dados de acesso.      

7) Para cursar a Escola Tomista, não é necessário nenhum prerrequisito: ela será autoexplicativa, e o professor julga-se capaz de boa didática (forjada até em aulas de Filosofia para crianças, mas também em muitos anos de pós-graduação para mais de 10 mil alunos  [presenciais e EAD] e em muitos cursos online).  

8) Fornecer-se-á aos alunos a transcrição de todas as aulas, a qual ficará disponível na Área do Aluno de nosso site junto com as respostas do professor, o programa da Escola, a bibliografia, o material próprio, os livros em PDF, os links.

9) A Escola Tomista enquadra-se na categoria de Curso Livre (cf. aqui), e como tal fornecerá certificados.

10) Todos os meus livros atinentes ao programa da Escola Tomista, bem como muitos outros, serão oferecidos aos alunos com descontos muito especiais.

11) Será possível assistir às aulas através de qualquer dispositivo: computador, celular, tablet... É a tecnologia mobile.

12) Pouco após o início das aulas, abriremos no Facebook um Grupo para que os alunos possam manter contato entre si e com o responsável administrativo e técnico da Escola Tomista e de todos os meus cursos, Marcel Barboza.

13) Toda e qualquer dúvida operacional ou administrativa quanto à Escola Tomista pode desde já ser encaminhada a Marcel Barboza (cursos@santotomas.com.br). 

14) Todo aquele que queira matricular-se deve ler antes, no site da Escola Tomista, nosso Termo de Uso, que regula os Direitos e os Deveres dos alunos. A matrícula na Escola Tomista implica automaticamente a aceitação deste Termo de Uso. 

Muito obrigado a todos, e que Deus me ajude e ilumine nesta empreitada, porque, afinal, ela não é senão ad maiorem Dei gloriam.





quinta-feira, 27 de julho de 2017

OS 60 LIVROS QUE SERÃO ENSINADOS NA ESCOLA TOMISTA


Os 60 Livros Que Serão Ensinados na Escola Tomista

Carlos Nougué

Observações prévias:
1) Esta é a bibliografia central, mas nem de longe exclusiva, em que se baseará o professor ao longo da Escola Tomista.
2) Os alunos não terão de adquirir estas obras para compreender a Escola Tomista. Insista-se em que as aulas da Escola serão autoexplicativas e autossuficientes. Ademais, fornecer-se-ão muitos livros em PDF, muitos textos e muitos links ao longo dos anos. Dá-se aqui esta bibliografia, porém, para que a adquiram, total ou parcialmente, os que o puderem e quiserem fazer. 

1. Umbrales de la Filosofía, do P. Álvaro Calderón.
2. Suma Gramatical da Língua Portuguesa, de Carlos Nougué.
3. Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal – O Tratado dos Universais”, de Carlos Nougué (por lançar).
4. Isagoge, de Porfírio.
5. Categorias, de Aristóteles.
6. Comentário  às Categorias de Aristóteles, do Cardeal Caetano. 
7. De analogia, de Santiago Ramírez O.P.
8. De Veritate, de Tomás de Aquino. 
9. Comentário  ao Peri hermeneias de Aristóteles, de Tomás de Aquino e do Cardeal Caetano.
10. Analíticos Anteriores, de Aristóteles.
11. Comentário  aos Analíticos Posteriores de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
12.  Tópicos, de Aristóteles.
13. Retórica, de Aristóteles.
14. Das Artes do Belo, de Carlos Nougué (por lançar).
15. Poética, de Aristóteles.
16. (Com ressalvas) Feeling and Form: A Theory of Art, de Susanne Langer.
17. De fallaciis, provavelmente de Tomás de Aquino.
18. Comentário  à Ética a Nicômaco, de Tomás de Aquino.
19. Os Econômicos, de Aristóteles.
20.  La Iglesia y el liberalismo, de Christopher A. Ferrara.  
21.  Comentário  à Política de Aristóteles, de Tomás de Aquino e de Pedro de Alvérnia.
22. Do Reino, de Tomás de Aquino.
23. Da Cidade de Deus, de Agostinho de Hipona.
26. Toda a obra de José Pedro Galvão de Sousa e algumas obras de Ricardo Dip.
25. Théologie de l’histoire, do P. Calmel
26. (Algo criticamente) História das Ideias Políticas,  de Eric Voegelin.
26. La naturaleza y sus causas, do P. Álvaro Calderón.
27. Comentário  à Física de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
28. Curso de Física, do P. Álvaro Calderón (obra esotérica). 
28. La Física especial, do P. Álvaro Calderón (por lançar).
29. Comentário  ao Do Céu e do mundo de Aristóteles, de Tomás de Aquino e de Pedro de Alvérnia.
 30. Comentário ao Livro sobre os Meteoros de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
31. O livro químico do P. Calderón (por lançar).
32. Comentário  ao Da Geração e da Corrupção de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
33. O livro biológico do P. Calderón (por lançar). 
34. História dos Animais, de Aristóteles. 
35. Partes dos Animais, de Aristóteles.
36. (Algo criticamente) A Caixa-preta de Darwin, de Michael Behe.
37. Comentário  ao De Anima de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
38. Comentário  ao De Sensu et Sensato de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
39. Da Memória e da Reminiscência, de Tomás de Aquino. 
40. Questões Disputadas sobre a Alma, de Tomás de Aquino.
41. Da Unidade do Intelecto contra os Averroístas, de Santo Tomás. 
42. La praxis de la Psicología, de Martín Echavarría.   
43. Quanto à Matemática, obras diversas de Aristóteles, de Euclides e de Tomás de Aquino.
44. Comentário  à Metafísica de Aristóteles, de Tomás de Aquino.
45. Comentário  ao Liber de causis, de Tomás de Aquino.
46. Timeu, de Platão. 
47. Da Eternidade do Mundo, de Tomás de Aquino.
48. Das Substâncias Separadas, de Tomás de Aquino. 
49. Questão Disputada sobre as Criaturas Espirituais, de Tomás de Aquino. 
50. Questões Disputadas sobre a Potência de Deus, de Tomás de Aquino.
51. Historia de la Filosofía, de Guillermo Fraile O.P. e de Teófilo Urdánoz O.P.
52. História da Filosofia, de Frederick Copleston. 
53. Précis d’histoire de la philosophie, de François-Joseph Thonnard, A.A.
54. História da Filosofia Antiga, de Giovanni Reale.
55. A Raiz Antitomista da Modernidade Filosófica, de Daniel Scherer (por lançar).    
56. Suma Teológica, de Santo Tomás de Aquino.
57. Suma contra os Gentios, de Tomás de Aquino.
58. Compêndio de Teologia, de Tomás de Aquino. 
59. Questões Disputadas sobre o Mal, de Tomás de Aquino.
60. Questões Quodlibetárias, de Tomás de Aquino.

A bibliografia em que se fundará Carlos Nougué nos cinco anos da Escola Tomista


A bibliografia em que se fundará Carlos Nougué
nos cinco anos da Escola Tomista

Observações prévias:
1) Esta é a bibliografia central, mas nem de longe exclusiva, em que se baseará o professor ao longo da Escola Tomista. Ademais, não se referirão aqui as obras que se criticarão na mesma Escola.
2) Os alunos não terão de adquirir estas obras para compreender a Escola Tomista. Insista-se em que as aulas da Escola serão autoexplicativas e autossuficientes. Ademais, fornecer-se-ão muitos livros em PDF, muitos textos e muitos links ao longo dos anos. Dá-se aqui esta bibliografia, porém, para que a adquiram, total ou parcialmente, os que o puderem e quiserem fazer.
3) As obras virão, abaixo, em seguida aos diversos pontos do programa da Escola Tomista, introduzidas sempre pelo sinal Þ.

domingo, 16 de julho de 2017

Convite de Carlos Nougué ao Sr. Sottomaior, presidente da ATEA (Associação de Ateus e Agnósticos)


Convite de Carlos Nougué ao Sr. Sottomaior, presidente da
ATEA (Associação de Ateus e Agnósticos)

Carlos Nougué

Sr. Sottomaior, o senhor e sua associação são useiros e vezeiros em ultrajes à Religião e suas crenças mais venerandas, a ponto de forjarem imagens falsas para denegrir o Padre Paulo Ricardo. Indignado, fiquei eu cá a meditar que resposta lhe poderia dar, eu, que, professor católico, tenho responsabilidade moral diante de verdadeira multidão de alunos que professam minha mesma fé ou ao menos a respeitam.
Antes porém de referir-lhe o convite que decidi fazer-lhe, digo-lhe que de certo modo o entendo perfeitamente: é que só me converti à Religião há cerca de 20 anos. Até então estivera entre o ateísmo e o agnosticismo. É verdade que nunca fui capaz das ignomínias que o senhor empreende contra a fé. Mas isso são acidentes: essencialmente, eu fui igual ao senhor até aos 48 anos. Mais ainda, Sr. Sottomaior, como todo cristão, não me glorio de mim mesmo. Todo cristão é como São Francisco de Assis, que, ao ver passar dois condenados numa carroça em direção ao cadafalso, chorou e chorou, para ao fim dizer: “Se não fossem as graças que recebi de Deus, eu seria pior que aqueles”. E isto, na boca de um cristão, não é recurso retórico, Sr. Sottomaior, mas a mais inabalável certeza. Em suma, se me converti, não o devo a mim mesmo.
Mas, se o senhor pode cometer as ignomínias que comete contra a religião e suas crenças mais venerandas, é porque, em última instância, não considera que Deus exista. Pois bem, convido-o a um debate público cujo tema seja, justamente, “Se Deus existe”. Naturalmente, eu não seria tonto – sou um aristotélico-tomista, ou seja, um realista estrito – para convidá-lo a debater a Religião: como aprendi de Tomás de Aquino, ninguém deve discutir com ninguém sem um ponto que seja comum a ambos. Mas é de supor que ambos, o senhor e eu, sejamos dotados de razão (bem ou mal usada, o que é outro assunto). Daí meu convite: proponho-me no debate a demonstrar que Deus existe, e convido-o a tentar fazer o contrário, demonstrar que Deus não existe. Se o senhor o fizer, se demonstrar que Deus não existe, ficará mostrado que os cristãos somos os mais miseráveis dos homens. Mas, se se der o contrário, ou seja, se eu demonstrar que Deus existe, ficará mostrado que os ateus – ou seja, ao menos os que não se dão sequer o direito da dúvida quanto à existência de Deus – são os mais miseráveis dos homens. Mas repita-se: demonstrar, não proferir slogans nem nada parecido. E tenha certeza, Sr. Sottomaior, que, conseguindo-o eu, rezarei ainda mais pelo senhor, para que receba de Deus a graça imensa que este pecador que lhe escreve recebeu um dia.
Quanto à modalidade do debate, fique por combinar entre nós. Fornecerei toda a infraestrutura, viajarei aonde for preciso, e só não se permitirão claques nem baderna.
Fico pois à espera de sua resposta, que retransmitirei publicamente tal qual seja.                          

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Informações completas sobre a ESCOLA TOMISTA, a universidade online de Carlos Nougué




Carlos Nougué,

com especial agradecimento 

a Lucas Henrique, 
do Centro Dom Bosco.

Como se lê aqui, não é senão formando pessoas em todas as principais disciplinas filosóficas ou científicas e segundo a devida ordem que se poderá ter no Brasil uma elite intelectual em toda a extensão do termo, porque, com efeito, só será tal se for aristotélico-tomista. Para isso, pois, fundo a Escola Tomista, cuja fundamentação e cujo programa se podem ver, repita-se, por este link, e a respeito da qual dou aqui todas as informações práticas, que peço se leiam com atenção.

1) Data de início, com a primeira aula ou aula magna: 17 de agosto de 2017. Neste mesmo dia começam as inscrições.

2) Haverá quatro aulas mensais (de duas horas em média cada uma) sempre às quintas-feiras, durante os cinco anos da Escola Tomista; e os alunos poderão assistir a elas quando quiserem ou puderem.

Observação: como dizia Aristóteles, o próprio do sábio é ordenar. Mas o mesmo Aristóteles e Tomás de Aquino ordenaram as disciplinas científicas e artísticas de modo definitivo, e os seguirei estritamente. Isso é o mesmo que dizer que a Escola Tomista terá começo, meio e fim, com previsão de término para dentro de cinco anos.

3) As inscrições poderão ser feitas a qualquer tempo a partir do primeiro dia de aula.

4) O valor da mensalidade será de R$ 47, 00. Mas oferecer-se-á que o pagamento seja mensal, semestral ou anual, com descontos progressivos:
a) Semestral: R$ 267,90;
b) Anual: R$ 507,60.
    Os que optarem pelo pagamento mensal, que poderá fazer-se por cartão ou por boleto bancário, deverão inscrever-se a partir do dia 17 em endereço que darei na próxima semana. Os que optarem pelo pagamento semestral ou pelo anual deverão escrever, a partir do mesmo dia 17, para Marcel Barboza (cursos@santotomas.com.br), que lhes enviará a devida cobrança. Feita a inscrição, todos receberão os dados de acesso. Tudo isto se explicará mais detidamente também na semana que vem. 

  Observação 1: o valor é tão acessível, que corresponde, na modalidade pagamento mensal, a R$ 1, 56... por dia do mês, e será ainda menor se se optar por alguma das outras modalidades. Faço-o assim porque quero que possam frequentar a Escola Tomista todos os interessados, mesmo nesta época de crise. Com efeito, a formação de uma elite aristotélico-tomista, relembre-se, é meu fim primeiro
Observação 2: Em razão do mesmo preço acessível, dos gastos não pequenos que teremos com a Escola Tomista e da dedicação quase exclusiva que terei de ter com ela, é que nos será impossível fornecer bolsas.

5) Veja-se aqui e aqui tudo sobre a bibliografia da Escola Tomista, e aqui e aqui vídeos sobre os fundamentos da Escola e sobre sua pedagogia. 

6) Responderei a todas as perguntas dos alunos, quer por vídeos quer por escrito, e que as respostas ficarão acessíveis a todos, incorporando-se assim à mesma Escola Tomista. As perguntas deverão ser-me encaminhadas a e-mail que será fornecido aos alunos junto com os dados de acesso.      

7) Para cursar a Escola Tomista, não é necessário nenhum prerrequisito: ela será autoexplicativa, e o professor julga-se capaz de boa didática (forjada até em aulas de Filosofia para crianças, mas também em muitos anos de pós-graduação para mais de 10 mil alunos  [presenciais e EAD] e em muitos cursos online).  

8) Fornecer-se-á aos alunos a transcrição de todas as aulas, a qual ficará disponível na Área do Aluno de nosso site junto com as respostas do professor, o programa da Escola, a bibliografia, o material próprio, os livros em PDF, os links.

9) A Escola Tomista enquadra-se na categoria de Curso Livre (cf. aqui), e como tal fornecerá certificados.

10) Todos os meus livros atinentes ao programa da Escola Tomista, bem como muitos outros, serão oferecidos aos alunos com descontos muito especiais.

11) Será possível assistir às aulas através de qualquer dispositivo: computador, celular, tablet... É a tecnologia mobile.

12) Pouco após o início das aulas, abriremos no Facebook um Grupo para que os alunos possam manter contato entre si e com o responsável administrativo e técnico da Escola Tomista e de todos os meus cursos, Marcel Barboza.

13) Toda e qualquer dúvida operacional ou administrativa quanto à Escola Tomista pode desde já ser encaminhada a Marcel Barboza (cursos@santotomas.com.br). 

14) Todo aquele que queira matricular-se deve ler antes, no site da Escola Tomista, nosso Termo de Uso, que regula os Direitos e os Deveres dos alunos. A matrícula na Escola Tomista implica automaticamente a aceitação deste Termo de Uso. 

Muito obrigado a todos, e que Deus me ajude e ilumine nesta empreitada, porque, afinal, ela não é senão ad maiorem Dei gloriam.