quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

NADA DE NOVO NO FRONT – APENAS OLAVO SENDO OLAVO

                                                                                                                         Carlos Nougué 

Como não sou de fazer nada artificial, digo desde já que só escrevo este texto porque mo pediram alguns de meus mais queridos amigos. Não fosse isso, não o teria feito, justo porque estou em plena atividade febril de escrever livros – há exatos 30 dias, afastado que estou de redes sociais, etc., venho escrevendo 15 páginas diárias. Façam as contas, e verão quão difícil me foi afastar de tão grata atividade para ocupar-me de uma tristeza chamada Olavo de Carvalho. Mas, como dito, aos amigos tudo.

Pois bem, leiam antes de tudo o post do mesmo OdC que colo abaixo, e verão que nem a experiência de quase morte foi capaz de corrigir esse senhor. Ele continua a ser exatamente o mesmo: como filósofo, é um bom detrator; suas postagens são como estrebuchamentos, como ataques furibundos de apoplexia mental; e suas refutações reduzem-se a argumentos ad hominem, ou seja, a desqualificar o adversário sem de modo algum responder ao que ele diz. Pois bem, vejamos rapidamente as falácias contidas não só neste pequeno amontoado de sem-razões e em outros que escreveu OdC em seguida a este.

1) A amizade entre Bezerra e mim funda-se em dupla coisa: antiga convivência familiar e religiosa, e a verdade. Não tem nada que ver com uma aliança contra o Senhor Megalomaníaco, embora tenha, sim, que ver, quanto à nossa manifestação pública, com uma atuação contra os inimigos da verdade em geral. E acontece que OdC é um deles: é representante de uma das cabeças da hidra revolucionária – a liberal ou liberal-conservadora –, enquanto a outra é a global-marcusiana.

2) Ademais, messiânico de primeira ordem, OdC é que sempre teve a pretensão de ele mesmo recuperar o Brasil – quiçá o mundo – das mãos da esquerda global-marcusiana (que o Prometeu-mor insiste em transformar em “comunista”, porque sem este espantalho ele não teria nada para mostrar), recuperar o Brasil, digo, para entregá-lo de novo à raiz revolucionária última da própria esquerda global-marcusiana: o liberalismo, ainda que tingido por OdC e por Steve Banon de “conservadorismo”. Quanto a Bezerra e a mim, e contra o que quer mostrar o Sr. Narciso, dizemos e redizemos que marchamos para o Anticristo e que não haverá recristianização do mundo (pelo menos até a morte do homem de iniquidade final; mas para mim nem depois disto). Por isso, quem quer ter o monopólio da educação católica? Dois homens absolutamente isolados, minúsculos, marginalizados por todas as vertentes revolucionárias, incluindo a sua, e que afirmam e reafirmam expressamente que não têm por fim senão dizer a verdade, não modificar nenhum país, nenhum mundo, por impossível? Não: quem tem esse fim é OdC, mediante seus aliados católicos, seus braços eclesiásticos, seus tentáculos institucionais. E para que querem OdC e seus sequazes consegui-lo? Justamente para tirar o ensino dos católicos das mãos de uma das cabeças da hidra revolucionária, a global-marcusiana, para – insista-se – retorná-la às mãos da outra cabeça da mesma hidra, a liberal fantasiada de conservadora. É este o fim último do Sr. Roubador do Fogo dos Deuses e de seus seguidores, católicos ou não.

3) Ademais – e aqui não faço senão reproduzir argumentos de outros relativos a outros posts que o que colo abaixo, os quais argumentos, porém, faço meus –, OdC pensa que a fidelidade que todo católico deve ter à doutrina de Cristo e do magistério da Igreja é como “pôr um disco com o catecismo para tocar”, excluindo assim a especulação ou a “técnica filosófica” propriamente dita. Pensa ele, como perfeito Prometeu, que a fidelidade à doutrina de Cristo e do magistério como “ponto de partida” é certa “preguiça de pensar” ou certa “falta de segurança” própria de personalidade fracas – exatamente como pensava Nietzsche! – que buscam estribar-se numa autoridade coletiva por medo ou incapacidade de construir a sua própria voz (ou seja, que não atingiram a famosa “oitava camada” e, portanto, insista-se, sua própria voz). – Mas isto é o mesmo de sempre: para OdC, se o filósofo leva em consideração a doutrina católica, deixa de fazer filosofia. O catolicismo do filósofo só influencia sua filosofia na medida em que faz parte da sua experiência pessoal da realidade – e dá-lhe perenialismo! A concordância entre sua filosofia e a doutrina católica, no fundo, é uma aposta; e deve ser verificada a posteriori. O filósofo católico só pode rezar para que suas opiniões estejam de acordo com a doutrina da Igreja. Na prática, é como se tivesse de fingir que desconhece a doutrina católica. Do contrário, não passa de um embusteiro que pretende falar em nome da Igreja e mesmo ter o monopólio da educação católica. Mas o arrogante desprezo da doutrina de Cristo e do magistério Odc o muda em pseudo-humildade; enquanto a humilde submissão à doutrina católica OdC a muda em arrogância santarrona. Em uma palavra nua e crua, ele põe a autoconsciência filosófica acima da doutrina ensinada por Cristo mesmo, doutrina que OdC chega a negar apesar de Nosso Senhor mesmo ter dito a seus apóstolos e discípulos: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações o que vos tenho ensinado”. Ou seja, O Salvador da Pátria emite opiniões semelhantes à dos perenialistas no ato mesmo de negar que tem qualquer influência do perenialismo...

4) Nada de novo no front – como todo liberal, OdC considera a doutrina de Cristo e a autoridade do magistério como uma opressão, como um constrangimento da liberdade, que para todo liberal é seu verdadeiro Deus; ao passo que para o católico a doutrina cristã, os dogmas e a autoridade do magistério da Igreja aperfeiçoam a liberdade, porque lhe dão a única rocha firme sobre a qual pode erguer-se. Deus não se engana nem pode enganar-nos; mas o deus liberdade do liberal são as próprias portas do inferno, em todos os sentidos que se podem dar a esta expressão.

5) Comentário final: eu bem o conheço o Sr. OdC, e sei que estas suas canhestras postagenzinhas são só um balão de ensaio para uma longa campanha de detração de Bezerra e de mim, regida por ele e executada por sua legião de sequazes, sob o silêncio cúmplice de tantos católicos que não constituem senão uma das engrenagens de sua poderosa seita. Mas saiba OdC que não reagirei (falo só por mim). E sabe por quê? Não porque me falte coragem para fazê-lo – coisa que OdC bem sabe não me falta, não? –, a mesma coragem que falta a tantos hipócritas sequazes seus que de fachada se mostram perfeitamente católicos mas são incapazes de sequer levantar um dedo em defesa de irmãos da fé que são atacados por uma olavosfera nada católica. Não, repito-o, por falta de coragem. Apenas porque tenho dez ou mais livros que lançar em dois anos, e vou dedicar-me quase que exclusivamente a escrevê-los. Ademais, como verão o Sr. Umbigo do Mundo, que não é um estúpido, e alguns poucos de seus seguidores que ainda não tenham a mente de todo obnubilada por sua ideologia, meus livros porão a nu o que é sua filosofia, o que é a filosofia do Sr. Falacioso de Carvalho: uma colcha de retalhos de um perenialismo mitigado que em parte considerável se identifica com o modernismo anatematizado por S. Pio X na Pascendi. Sim, já sei que o Sofista-mor dirá que quem é perenialista não pode ser modernista e vice-versa. Quanto a isto, OdC terá brevemente uma bela surpresa  e não de minha parte nem da de bezerra  pela qual ficará evidente que essa sua maliciosa disjunção não é senão parte de suas artes de berliques e berloques. Que ele espere um pouco só, sim? Mas digo desde já: é o mesmo Sr. Modernoperenialista Mitigado quem diz  em Visões de Descartes que ao fim e ao cabo apoia o cartesianismo – e como não o faria, se, como dito, é movido por irrefreável impulso messiano-prometeico? É ele mesmo quem diz em Mário Ferreira dos Santos: Guia para o Estudo de Sua Obra que a Filosofia Concreta de Mário Ferreira tem concatenação lógica maior que a dos tratados escolásticos (com o que, claro, estava errado o magistério da Igreja ao aprovar as 24 teses tomistas e ao dizer, por Pio XI, que a doutrina tomista é a única que a Igreja fez sua). É ele mesmo quem defende em Inteligência e Verdade: Ensaios de Filosofia o seu chama-do intuicionismo radical, essa estultícia condenada pela Pascendi de São Pio X. É ele mesmo quem diz em A Consciência da Imortalidade que conhecemos a alma humana por experiências como a de quase morte (oh!). Et reliqua, ad nauseam. Mas, insisto, que OdC não me tema a mim grandemente: em meus livros só falarei dele muito marginalmente e en passant, porque de um filósofo que diz que tudo quanto diz não é senão provisório não há muito que dizer filosoficamente. Não obstante, nestes livros falarei, sim, reduzindo-a ao absurdo, da filosofia do ocasionalista e panenteísta mitigado Louis Lavelle, que OdC diz ser o apogeu da filosofia cristã e que no entanto é de algum modo da mesma corrente de Maimônides, dos Loquentes islâmicos, de Malebranche, de Berkeley: ou seja, dos que negam que os entes criados por Deus tenham potências e operações próprias; e de algum modo da mesma corrente dos perenialistas Guénon e Schuon, e sua comunidade unívoca do ente que engloba também a Deus.

Agora, digo ao Sr. OdC e a mim mesmo mãos à obra: a mim, que volte a escrever livros, e a ele, que me detrate e detrate, que me ofenda e ofenda – porque, com efeito, cada um age segundo seu ser.