segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Se todos os animais eram mansos antes do pecado original

                                                                                               Carlos Nougué

À grande tolice sentimentaloide dos que, como o Pe. Leonardo Castellani e o biólogo Raúl Leguizamón, dizem que antes do pecado original todos os animais eram mansos e/ou não venenosos não só com respeito ao homem mas entre si, responde S. Tomás na Suma Teológica (I, q. 96, a. 1, ad 2): 

“Alguns dizem que os animais atualmente ferozes e que matam os outros eram, no primeiro estado, mansos, não só relativamente ao homem, mas também aos outros animais. Mas isso é absolutamente irracional. Pois pelo pecado do homem não se mudou a natureza dos animais, de modo que vivessem de ervas os que agora, naturalmente, comem as carnes dos outros, como os leões e os falcões. Nem a Glosa de Beda diz que os vegetais e as ervas fosse dados como alimento a todos os animais, mas só a alguns; pois, do contrário, haveria discrepância natural entre alguns deles. Mas nem por isso haviam de subtrair-se ao domínio do homem, como atualmente não se subtraem ao de Deus, cuja providência governa a todos. E desta [providência] o homem seria o executor, como agora ainda sucede com os animais domésticos; pois damos as galinhas em alimento aos falcões domésticos.”