quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Uma das incontáveis estultícias do evolucionismo: o lobo e o cão

                                                                                                   Carlos Nougué

 Que estudante nunca leu, em seus livros de texto de Biologia, que os cães são certos lobos europeus domesticados há centenas de milhares de anos? A coisa é estulta em si, como já mostrarei; mas o mais impressionante é que quase todos a engulam como se se tratasse de uma evidência. Pensemos. Antes de domados, os cavalos são selvagens; depois de domados, no entanto, continuam a ser os mesmos cavalos. Por que então os cães não continuariam a ser os mesmos lobos ainda que agora domesticados graças a certa seletividade nos cruzamentos? Ah! responderia o astuto darwinista: É que ao serem assim domesticados os lobos evoluíram para outra espécie, a dos cães. Mas, senhor darwinista, o senhor não sabe que é impossível que hábitos adquiridos de qualquer modo façam uma espécie evoluir para outra? Se tal fosse possível, haveria multidão de espécies humanas ainda hoje; e com efeito é o que diz o racista darwinismo social. (Aliás, os indivíduos do povo Bajau adquiriram a capacidade pulmonar de permanecer muto mais tempo que os demais homens debaixo d'água – típica alteração fenotípica –, o que porém não é capaz de torná-los outra espécie humana senão talvez em alguma obnubilada mente evolucionista.) Ademais, arguto senhor, se os lobos foram domesticados, é porque tinham potência para sê-lo, motivo por que, se os cães forem soltos ainda jovens num ambiente selvagem, não adquirirão o hábito da domesticidade e, portanto, voltariam a ser lobos; assim como um grande pianista, se nunca tivesse visto um piano, seria um simples não pianista. – Além disso, o fato é que lobos, coiotes, chacais, dinos e cães cruzam entre si e geram crias perfeitamente férteis, o que, embora eu vá dizer algo que soará javanês para o pobre darwinista, patentemente indica que são da mesma espécie: com efeito, se os indivíduos da mesma espécie são capazes de gerar crias férteis, é porque as geram com a forma substancial da espécie, a qual, quando se trata de viventes, se chama alma (< latim anima). Mas, entre os viventes, a alma é justamente o princípio formal constitutivo da espécie. Por conseguinte, lobos, coiotes, chacais, dinos e cães são raças da mesma espécie, umas com potência acidental (não essencial) para domesticação, outras não. Logo, os cães simplesmente não são lobos domesticados, mas uma raça da espécie canídea com potencial acidental para ser domesticada, assim como, mutatis mutandis, o golden retriever é potencialmente mansíssimo e o fila brasileiro potencialmente ferocíssimo. Como se vê, a raça pode dividir-se em sub-raças, e pode fazê-lo potencialmente ao infinito; mas a espécie – se for ela mesma um gênero – só pode dividir-se em duas (como já o diziam Sócrates e Platão), as quais se opõem entre si segundo perfeição e defeito (falta). Assim, o gênero animal divide-se em bruto (por defeito) e em homem (por perfeição). Isto todavia é já avançar demasiado além da “ampla” capacidade de compreensão do darwinista, a quem, aliás, sempre convido a inscrever-se na Escola Tomista. Nunca é tarde.