quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Nem Islamismo nem Fascismo

                                                                                                                         Carlos Nougué

É impressionante, mas é um fato: por ocasião do que está ocorrendo no Afeganistão, vejo alguns católicos (e dos melhores) hesitar quanto a nada menos que o Islã. Por isso, indico-lhes aqui três opúsculos meus sobre o assunto, todos publicados neste mesmo blog:

1) “Santo Tomás e o Islã”;

2) “O Corão e a Suna – Obscuridades e Incongruências”;

3) “Se o Deus do Islã Tem Algo em Comum com o Deus Cristão”.

Mas como é possível tal hesitação? As razões são múltiplas. Dou duas. Primeira: o mal entendimento do que sejam, na Cristandade e no mundo islâmico, as relações entre o estado e a religião. A diferença, todavia, é radical: enquanto na Cristandade o estado se ordena essencial e diretamente à Igreja quanto aos fins e aos meios para estes fins, mas essencial e só indiretamente no respeitante à jurisdição (ou seja, em termos de potestade e de ordem); no mundo islâmico, por seu lado, estado e religião simplesmente se confundem ou tendem a confundir-se. Objeção ao que digo: no mundo judeu do Antigo Testamento também se confundiam. Resposta: até aos Juízes e sobretudo aos Reis, sim. Mas tratava-se do mesmo Deus do cristianismo, e não do Deus do islamismo. – Segunda: muitos bons católicos ainda não se conformaram com que já se tenham cumprido todos os sinais dados por Cristo de que o fim dos tempos está próximo (ou seja, de que pelo menos até o Anticristo final não haverá restauração cristã, além de que, se se der tal restauração depois do Anticristo, ao que tudo indica haverá de ser mais ou menos breve); e, por não se terem conformado com isso, procuram sucedâneos para a Cristandade. É também por isso, aliás, que alguns bons católicos começam a ver com simpatia o fascismo e até um de seus defensores mais satânicos, Julius Evola, o mais ferozmente anticristão dos gnósticos perenialistas. Quanto a isto, no entanto, escreverei opúsculo à parte. – Como quer que seja, aprendamos dos Padres e dos Doutores e de todos os Santos da Igreja: devemos desejar, com desejo de fé, a segunda e definitiva vinda de Cristo e a constituição da Jerusalém celeste final (o que o olho nunca viu, nem o ouvido nunca ouviu, nem nenhuma criatura é capaz por si de conceber, e que está reservado aos que amam a Deus acima de todas as coisas, incluído, claro, este mesmo mundo caduco), ainda que por amor e imitação de Cristo devamos padecer voluntária e pacientemente este tempo de espera, por longo e duro que seja. É a cruz que devemos carregar para poder seguir o Cordeiro degolado.