quarta-feira, 25 de agosto de 2021

A babel da taxonomia, ou de como desclassificar as espécies

                                                                                                                         Carlos Nougué

Os evolucionistas têm algo em comum: não se entendem, e especialmente quando o assunto é a espécie. Vejamos algumas de suas tão “concordantes” definições de espécie (grato a Urlan Salgado de Barros pela recolha), as quais são impressionantes nulidades tanto isolada como conjuntamente:

• Sneath & Sokal, 1973 (Escola Fenética): espécie é o agrupamento menor e mais homogêneo que pode ser reconhecido e é distinto de outros agrupamentos;

• Templeton, 1989 (Conceito de Coesão): espécie é a população mais inclusiva de organismos tendo uma coesão potencial, através de mecanismos intrínsecos de coesão;

• Van Valen, 1976 (Conceito Ecológico): espécie é uma linhagem que ocupa uma zona adaptativa minimamente diferente daquela de qualquer outra linhagem e que evolui separadamente dessas outras linhagens. [Esta, para mim, merece o Oscar.];

• Willey, 1981, modificado de Simpson, 1961 (Conceito Evolutivo): espécie evolutiva é uma única linhagem de população ancestral e seus descendentes, que mantém sua identidade em relação a outras linhagens, e que possui suas próprias tendências evolutivas e destino histórico [sic];

• Rosen, 1979 (Conceito Cladístico): espécie é uma população ou grupo de populações definido por uma ou mais características apomórficas;

• Cracaft, 1989: espécie é um grupo irredutível de organismos diagnosticamente distintos de outros grupos e no qual existe um padrão de ancestralidade e descendência.

Pois bem, segundo esta babel – e para ficarmos apenas entre os homens – constituiriam espécie os pigmeus (talvez sejam algum elo perdido encontrado no século XX, como de fato pensaram não poucos evolucionistas...); também os bajaus, que por certa mutação podem permanecer muito mais tempo debaixo d’água que os demais homens (e talvez se entronquem em alguma linhagem anfíbia...) –; igualmente os veganos (por que não?); etc. ad nauseam; além dos próprios evolucionistas, entre os quais aliás já se vai formando uma nova subespécie, com “destino histórico” e tudo: a dos darwinistas que, como diria João Victor Schmanski, defendem a evolução das espécies sem nem sequer fazer ideia do que seja evolução e do que seja espécie, embora esta subespécie de evolucionistas talvez seja involutiva... É pois de surpreender que hoje se calcule o número das espécies na casa dos milhões, e que ninguém se entenda na hora da classificá-las, razão por que hoje não há, falando propriamente, quadro taxonômico algum do mundo animal?

Mas dou aqui minha definição de espécie animal (que vale também, de certo modo, para a espécie vegetal): a que tem sob si muitos diferentes só em número e capazes de procriar entre si outros que lhes são essencialmente idênticos. Ou seja, os indivíduos de uma mesma espécie animal são capazes de gerar uma prole cuja essência é igual à sua, o que se dá porque lhe eduzem o princípio formal dessa mesma essência: uma alma que só difere da sua em número.

Observação 1: esta definição não é lógica, mas metafísica (ou antes, metafísico-biológica).

Observação 2: Per accidens, os indivíduos podem ser ou tornar-se absolutamente incapazes de procriar – se são ou se tornam acidentalmente estéreis – ou só relativamente incapazes de procriar, assim como, se portadores humanos do gene da ELA (esclerose lateral amiotrófica) só procriarem durante algumas gerações com outros portadores do mesmo gene, chegará o momento em que sua descendência já não poderá procriar com outros humanos que não possuam este gene – e isto sem deixar de ser humanos.