quarta-feira, 28 de julho de 2021

Dom Viganò versus Dom Lefebvre: Doutrinas Inconciliáveis

                                                                                                                              Carlos Nougué 

O quadro que verão abaixo não é originalmente meu; foi-me enviado por um amigo. Fiz-lhe acréscimos e precisões que julguei necessários, com a autorização de seu autor. Pois bem, neste quadro se abstraem de todo quaisquer aspectos que não se atenham estritamente à visão dos dois eclesiásticos quanto à (mal chamada) “Igreja conciliar”. A “Igreja conciliar”, ou seja, a que nasceu no CVII, é a Igreja mesma, com seu papa e sua hierarquia, que não o são só materialmente, como querem alguns sedevacantistas; também o são formalmente, razão por que qualquer papa “conciliar” pode, por exemplo, mudar as leis que regulam a eleição do próximo papa. É seu o ius eligendi, e ele o transmite ao colégio eleitoral. Sucede no entanto que a “Igreja conciliar”, como o digo e redigo em Do Papa Herético e no curso online “A Atual Crise na Igreja”, renunciou ela mesma à sua autoridade doutrinal, a seu carisma da indefectível assistência do Espírito Santo, e o transferiu, de modo perfeitamente demoliberal, ao Povo de Deus, dotado por si mesmo, segundo ela, de infalível sensus fidei por assistência direta do mesmo Espírito Santo, restando para o magistério da Igreja o papel de como mediador de mesa de debates infindáveis. Daí que os fiéis não lhe devamos dócil acatamento; daí que, enquanto magistério liberal, possa incorrer em desvio da fé, e o faz muitas vezes em ordem à religião do homem vitoriosa no CVII; e daí que tampouco suas leis litúrgicas, suas canonizações, etc., participem da infalibilidade, justamente porque ao católico liberal repugna o dogma e a certeza. Mas atenção: se por ação do mesmo Espírito Santo um papa conciliar renegar seu liberalismo e, por exemplo, definir ou propuser alguma doutrina, fá-lo-á como magistério autêntico infalível ou certo, e a ele lhe deveremos então dócil acatamento. O carisma da infalível verdade, nenhum papa enquanto papa o perde, assim como, mutatis mutandis, se continua sacerdote até no inferno. – Feitos contudo tais esclarecimentos prévios, dou-lhes o referido quadro comparativo das posições de D. Viganò e de D. Lefebvre, muito ilustrativo da diferença que há entre os dois: a diferença entre o catolicismo tradicional (perdoe-se-me a redundância), o de D. Lefebvre, e um catolicismo liberal-conservador que quer combater certos efeitos sem atacar sua causa, o de D. Viganò.

 

DOM VIGANÒ

DOM LEFEBVRE

A “Deep Church (Igreja profunda ou obscura)” de Francisco não é a Igreja “oficial”.

A “Igreja conciliar” é a Igreja “oficial”.

A Igreja “oficial” é a Igreja Ca-tólica.

A Igreja “oficial” é a Igreja Católica cuja hierarquia se des-viou da fé e fundou a religião do homem.

A “Deep Church” começou no CVII, mas permaneceu oculta, crescendo nas sombras.

A “Igreja conciliar” começou no CVII e, imediatamente após o término do Concílio, pôs a Igreja a serviço da religião do homem.

A “Deep Church” só se manifestou plenamente no pontificado de Francisco, através de um golpe de estado contra Bento XVI.

A “Igreja conciliar” tem uma sequência essencialmente lógica e coesa de papas até o Papa Fran-cisco.

O problema da “Deep Church” é essencialmente político [no senti-do corrente e vulgar de “polí-tica”].

O problema da “Igreja conciliar” é essencialmente teológico-religio-so, mas com graves implicações sociopolíticas: a negação do rei-nado social de Cristo.

Francisco é o primeiro papa da “Deep Church”; e Bento XVI ainda é o papa da Igreja “oficial”.

Desde Paulo VI, todos os papas seguiram conscientemente o pro-jeto de demolição da religião de Deus para substituí-la pela religi-ão do homem. [Mas, como diz Francisco mesmo, “motus in fine velocior” – no final o movimento se faz mais veloz.]

A perseguição contra a Igreja Ca-tólica só começa com a “Igreja bergogliana”.

A perseguição aos defensores da religião de Deus começa ime-diatamente após o fim do CVII.