segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Crítica da crítica kantiana das provas da “existência” de Deus (por Carlos Nougué)


Crítica da crítica kantiana
das provas da “existência” de Deus

Carlos Nougué

O Uróboro

Notas prévias

• Com respeito a Deus, é inconveniente usar existir ou existência: porque, falando propriamente, só os entes criados ex-sistem (‘provêm de’), justo enquanto são ex-causis, ao passo que Deus é incausado. Em resumo, Deus é, mas não “existe”. – Como porém aqui se trata de proceder à crítica de uma crítica kantiana, e como Kant não tinha a menor ideia do que se acaba de dizer, usaremos os termos usados por ele: “existência” e “existir”, sempre todavia entre aspas.
• Diz-se que Kant nunca lera a Santo Tomás e a Aristóteles senão por alguns artigos de vulgarização. E parece que tal seja verdade, porque, com efeito, se não o fosse, não se explicaria o total desconhecimento deles que mostra nesta crítica.
• Mais que isso, no entanto, como se verá, não há de ser senão por desconhecimento da lógica aristotélico-tomista – a lógica por antonomásia – que Kant comete tantos paralogismos nesta crítica (como nas demais).
• Tudo quanto vier entre colchetes no meio dos textos de Kant e de outros será nosso.

I