sexta-feira, 14 de abril de 2017

Não há demonstração “quia” da existência dos anjos


Carlos Nougué

Por muito tempo repeti que não haveria por que duvidar que os astros influem, de algum modo, sobre os corpos no mundo sublunar. Hoje porém não hesito: não influem mais do que o fazem entre si os mesmos corpos na terra, ou seja, não com a necessidade decorrente do sistema cosmológico antigo, em especial o aristotélico-tomista, que caducou quase de todo. Com efeito, caducaram não só as esferas celestes, mas ainda o papel dos astros com respeito às formas terrestres (conquanto seja inegável que sem o sol não haveria vida na terra). Não só isso, todavia: caducaram em consequência as substâncias separadas ou anjos segundo as punha Aristóteles, ou seja, como motores das esferas celestes; o que de certo modo reafirmava Santo Tomás de Aquino, por exemplo, na estupenda Questão Disputada sobre as Criaturas Espirituais (que a É Realizações publicará proximamente).
Mas esses eram os únicos efeitos necessários causados pelos anjos que poderiam estar sob nossa observação. Como pois em verdade, como o sabemos hoje, não se dão tais efeitos, então não se pode ter demonstração quia da existência dos anjos, como se tem todavia de que Deus é. Insista-se. Com efeito, como põe Tomás de Aquino no Comentário aos Analíticos Posteriores, não se pode conhecer a quididade das substâncias separadas, ou seja, Deus e os anjos, mas pode conhecer-se se são (an sint), o que não são (quid non sunt), e algo quiditativo seu segundo a similitude (analógica) que encontramos nas coisas inferiores, porque, com efeito, “unumquodque agens agit sibi simile” (cf. Summa Theol., I, q. 25, a. 3; q. 110, a. 2; q. 113, a. 1; etc.). Mas vimos já que não há efeitos naturais necessários de ação angélica que possam cair sob nossa observação, razão por que não se pode conhecer rationabiliter que são, o que é o mesmo que dizer que não pode dar-se demonstração quia de que são: tão somente de Deus, entre as substâncias separadas, pode demonstrar-se que é, pelos efeitos de sua ação criadora.
Resta pois que só conhecemos a existência dos anjos e algo seu a partir de princípios da fé. Mas, se os princípios da fé não se captam pelo intelecto nem se alcançam por demonstração, são porém certíssimos segundo a autoridade de quem no-los revela. E por isso se pode dizer, com Santo Tomás, que uma velhinha camponesa com fé sabe em verdade mais que qualquer filósofo pagão. 

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Se a Guerra do Iraque foi uma guerra justa


Carlos Nougué

Resumamos a doutrina de Santo Tomás de Aquino a respeito da guerra justa. Segundo ele, para que uma guerra seja justa, é preciso que se cumpram as seguintes precondições:
1) Que a causa que a move seja justa. Assim, não é justo fazer guerra para impor uma fé, como fazem os muçulmanos; mas é justo mover uma guerra para permitir o exercício da fé verdadeira ou católica, como fizeram os cruzados.
2) Deve ser reta a intenção de quem faz a guerra, ou seja, deve-se ter a intenção de fazer com que retorne a justa paz e a verdadeira ordem.
3) A guerra deve ter possibilidade de êxito, sob pena de nem ser guerra, mas mera sedição, revolta, etc. Foi o que fizeram os essênios ao revoltar-se contra o Império Romano, sem a menor possibilidade de vitória.
4) Mais que isso, porém: ainda que movido por uma justa causa e intenção, e com possibilidade de vitória, aquele que guerreia não tem o direito de usar de mentiras. Naturalmente, não deve revelar seus planos táticos ao inimigo. Mas uma coisa é não revelá-los; outra é mentir, que é pecado em qualquer situação. Assim, o estratagema mentiroso de Pearl Harbor já condena os EUA por abuso do direito de guerra.
Mas consideremos, agora, a Guerra do Iraque.
1) Era justa a causa da guerra ao Iraque? Ainda que demos (mas sem conceder) que, sim, era justa, por tratar-se de impedir novos ataques como o levado a efeito contra as torres gêmeas, não o era por outro ângulo: o impor o regime democrático-liberal. Isto é guerrear para impor uma espécie de fé ― e fé falsa.
2) Tinha Bush intenção reta ao mover a guerra? Embora seja quase infantil acreditar que não fosse movido sobretudo por interesses econômicos, demos outra vez (novamente sem conceder) que não se movia por tais interesses.
3) Tinham os EUA possibilidade de vitória? Sim, é claro.
4) Mas é óbvio que tais “dares” se dissipam ao considerar-se que, em verdade, o alegado e propalado móvel da guerra era já uma grande mentira: a fabricação pelo Iraque de armas químicas. (Afora o fato de nunca, até hoje, ter havido provas efetivas de ligação direta entre Bin Laden e Saddam Hussein.) Isto, de per si, por ser mentirosa a própria razão alegada da guerra, já a torna injusta.
5) Ademais, não sabiam os EUA que a situação interna do Iraque se tornaria pior, sem paz nem ordem, com a queda do presidente daquele país? Quem não sabia que, se Saddam não tivesse sido duro para conter a guerra fratricida das facções islâmicas rivais, incluindo os sanguinários curdos, o Iraque já seria sob Saddam o que é hoje sob os americanos: um território banhado de sangue pelo fanatismo?
6) Mas, como se disse, se não interesses econômicos petrolíferos, pelo menos moveu os EUA a atacar o Iraque a tentativa de impor o credo liberal-democrático. E isso também torna injusta a guerra em questão, porque não era intenção de Bush reinstaurar ali a ordem e paz. Estas, por certo aspecto, já se davam sob o governo de Saddam; ao passo que, como se pode ver perfeitamente hoje, o estado de coisas depois da guerra e do justiçamento de Saddam seria previsivelmente pior que o anterior. Tampouco, portanto, foi justa a guerra no Iraque por este ângulo: intenção não reta, e ao menos grande probabilidade de um estado pior que o anterior. 
7) Além disso, pensemos: o regime de Saddam era o único regime islâmico que dava razoável liberdade à Igreja (havia até um ministro católico). E quem é o principal aliado dos EUA no mundo árabe? A monstruosa Arábia Saudita, lugar de grande perseguição dos católicos.
8) Ademais, não sejamos ingênuos: tanto Saddam como Bin Laden eram agentes dos serviços secretos norte-americanos. Depois, naturalmente, os EUA perderam o controle sobre eles. Sucedeu algo semelhante ao ocorrido no Irã: para derrubar o xá Reza Parlevi, que estava montando a maior frota do Golfo Pérsico, os serviços secretos britânicos estimularam sua derrubada pelo movimento xiita. Depois, é claro, perderam o controle sobre os aiatolás; mas foram a causa primeira da ascensão destes.
9) Nada de surpreendente, se pensarmos que foram os ingleses, mediante Lawrence da Arábia, quem forjou os estados nacionais daqueles beduínos do deserto que constituíam grande parte do povo islâmico; e o fizeram para derrotar seus inimigos na Primeira Guerra Mundial, ainda que à custa da islamização de boa parte da terra.
10) Mas não nos esqueçamos, sobretudo, de que foram os EUA quem pressionou a União Européia a incluir a islâmica Turquia (que sempre fora considerada da Ásia Menor); e, especialmente, quem fez de tudo para que os países europeus aceitassem a entrada maciça de imigrantes muçulmanos. Por quê? Será preciso repetir o óbvio? Para acabar com o que restava de Cristandade. (Aliás, já a Primeira Guerra Mundial não se dera, essencialmente, para acabar com o que já então era o único império católico, o Austro-Húngaro? E a revolução bolchevique também não ocorrera para acabar com o Império czarista, não católico, é verdade, cismático, é verdade, cesaripapista, é verdade, mas ao fim e ao cabo cristão aos olhos do inimigo? E não ocorrera a sanguinária revolução francesa para acabar não só com a monarquia, mas sobretudo com a Igreja Católica e sua união com os poderes temporais? E assim sucessivamente para trás.)
Ou seja, a Guerra do Iraque não foi uma guerra justa.
E lembremo-nos: ou se está sob a bandeira de Cristo Rei e sua Igreja, ou se está sob o pavilhão de Satanás. Tertium non datur: não há terceira possibilidade.


P.S.: Tampouco pode o vencedor de uma guerra castigar o derrotado em proporção maior que a de sua agressão. No máximo o olho por olho, dente por dente. Ora, a bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki era imensamente desproporcional ao dano causado pelo derrotado (que, aliás, já estava realmente derrotado quando sofreu o holocausto nuclear): a bomba atômica não mata apenas inimigos; mata parte da natureza humana, degenera-a ao longo de gerações. Crime inominável, que clama ao céu por vingança. E crime cometido contra as duas únicas cidades japonesas com catedrais católicas; cidades compostas também de considerável população de xintoístas convertidos ao catolicismo.

sábado, 1 de abril de 2017

"Liberalismo e socialismo", por Daniel Scherer


            À primeira vista, não há nada aparentemente mais diferente do que um liberal econômico e um socialista. A oposição enfadonha entre mercado e Estado parece pô-los a léguas de distância um do outro. O laissez-faire e o Welfare parecem contrapor-se como veneno e antídoto, embora as fileiras de combatentes divirjam quanto a quem cabe cada uma dessas designações.
            No entanto, é ainda o “liberalismo fundamental”[1] que subjaz a essas duas ideologias. Ambos os grupos almejam organizar a sociedade de modo puramente imanente, seja pelo mercado, seja pelo Estado, seja por um conúbio escuso de ambos; tentam criar ordem sem apelar a um Summum Bonum transcendente. Daí que Carlos Nougué observe: “O liberalismo e o comunismo brotam de um mesmo non serviam, de uma mesma revolta contra Deus, e ambos carecem de uma correta compreensão do que é o homem, seus produtos e seus fins”[2].
            Isso explica, por exemplo, o persistente insucesso dos liberais brasileiros no combate às doutrinas socialistas em nossas plagas. Nossos liberais julgam que, demonstrada a superioridade – quanto à eficiência econômica – do mercado livre sobre a economia estatizada e o intervencionismo, deram cabo do adversário, o qual, no entanto, e frequentemente para seu espanto, não para de crescer. Atesta Lindenberg:

Os neoliberais estão convictos de que comunistas, socialistas e progressistas são na sua maioria idealistas, honestos, e bem intencionados, mas que ao mesmo tempo estão desinformados e mal orientados. Acreditam por isso, que a difusão em massa de publicações, embora não pretendendo ser polêmica constitui uma evidência cabal das vantagens dos sistemas de mercado e é, por si só, suficiente para levar os ditos grupos a rever suas posições. Acreditam ainda que esses esquerdistas, pertencentes a diferentes faixas de opinião, são essencialmente pragmáticos e, assim sendo, o conceito socialista terá perdido a sua capacidade de atração, em especial após o colapso da União Soviética[3].

Esse equívoco, contudo, deriva menos do pragmatismo utilitarista típico dos liberais – que amiúde os torna cegos, segundo se diz, a considerações mais elevadas e decisivas, como as de ordem moral-religiosa – do que de uma concordância substantiva quanto a esses pontos. Os liberais reprovam nos comunistas apenas o estatismo, porque, quanto ao mais, estão de acordo. Corção é implacável:

Eu ouso dizer que o comunismo é o coroamento do liberalismo, e que em nenhum outro regime o homem é mais desoladamente individual, porque suas relações sociais têm apenas o sentido de cooperação. A relação entre indivíduo e sociedade, tanto no liberalismo como no comunismo, é de ordem puramente material; a relação entre a pessoa e a sociedade compreende também o aspecto material mas subordina-o a um primado do espírito pelo qual o bem comum é homogêneo com a perfeição da pessoa[4].

O próprio Marx, não custa lembrar, afirmava que “a burguesia desempenhou na história um papel extremamente revolucionário”[5]. Marx sabia que a revolução que ele tanto almejava já fora iniciada pela burguesia. Apenas, uma vez conquistado o poder, o burguês, com o perdão do chiste, “aburguesara-se”; perdera o ímpeto dinamizador de outrora. O que Marx denuncia no burguês é a deserção; reprime-o como a um companheiro de luta que mudou de lado, ou no mínimo largou as armas quando encontrou um bunker confortável.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Surpresa: o mestre de Putin é Soljenítsin



La verità, 29 de setembro de 2016,
by Libertà e persona, Itália
Tradução: Gederson Falcometa

A sua face não será tranquilizante, e alguém recordará talvez o rosto impassível e glacial do pugilista russo Ivan Drago que desafia Silverter Stallone em Rocky IV.
Embora Vladimir Putin seja há algum tempo o estadista mais longevo e incisivo no mundo. Pegou entre as mãos uma ex-potência à deriva e a recolocou no centro do cenário internacional. Ao ponto de hoje voltarmos a uma espécie de guerra fria entre EUA e Rússia, apesar de a Rússia hodierna ser verdadeiramente menor do que a URSS de 30 anos atrás.
Ainda em 1998, poucos anos depois da presidência Yeltsin, o país vivia uma crise humana e financeira devastadora e estava à beira do default.
Mas de onde vem Vladimir Putin? O seu passado na KGB é recordado muitas vezes e voluntariamente, mas ninguém, ou quase, parece ao contrário interessado em contar outro fato: que o mestre de Putin foi ninguém mais ninguém menos que o Prêmio Nobel da paz Aleksandr Solženicyn. Sim, o autor de Arquipélago Gulag, aquele que por décadas desafiou o regime comunista, depois de ter experimentado a dureza dos campos de concentração, foi o homem que talvez tenha mais influenciado a visão de mundo do atual presidente russo.
É Ljudmila Saraskina, em uma monumental biografia de 1.432 páginas com o título de Solženicyn, quem conta os “frequentes, estreitos mas nem sempre públicos” encontros entre Solženicyn – o grande velho, o herói do povo russo inimigo do comunismo, mas desiludido com os novos políticos “democráticos” – e o jovem homem que parecia destinado, como tantos outros, a ser um meteoro, com muitos inimigos, em um país em decomposição.
O primeiro encontro acontece em 20 de setembro de 2000 em Troitse-Lykovo: são os cônjuges Putin os que vão em visita à casa do escritor. No dia seguinte Solženicyn, no programa Vesti, declara ter conhecido um homem de inteligência vivaz e pronta, “preocupado com o destino da Rússia e não com o poder pessoal”. O ex-agente da KGB em visita a uma ex-vítima da KGB! A notícia ocupa por muito tempo os jornais russos, que deveram voltar frequentemente ao tema, visto que os dois continuaram a ver-se por anos, algumas vezes publicamente, algumas vezes de modo reservado, para evitar as polêmicas dos adversários.
O que ensina Solženicyn ao seu jovem admirador? Essencialmente três coisas: que é preciso frear a catástrofe demográfica, que faz a Rússia perder cerca de 1 milhão de pessoas por ano e que é filha do niilismo comunista, mas também do ocidental; que precisa rever as privatizações selvagens realizadas na época de Yeltsin, e geridas para vantagem de poucos e em detrimento do povo; que era necessário impedir que a passagem do comunismo à democracia liberal assinalasse a morte definitiva da alma religiosa russa, transportando o país do materialismo comunista ao consumismo materialista ocidental.
Dissidente anticomunista, Solženicyn aprendeu que coisa significa a verdadeira e própria ditadura, com suas lisonjas (a neolíngua mentirosa, que transforma a essência das coisas), e com sua incrível dureza (os gulags, a pena de morte...).
Nos seus anos nos EUA, ao contrário, convenceu-se da existência de outra forma de ditadura, mais suave mas igualmente mortal, aquela do pensamento único imposto pela “tribo instruída”, dos maître à penser das televisões e dos jornais “livres”. São eles, em um país que aparece ao escritor russo “desagregado” moralmente, espiritualmente “insano”, os que decidem que coisa a gente deve ler e pensar, gerando um conformismo asfixiante e muito similar ao imposto na União Soviética pelo comunismo.
Putin escutou o que Solženicyn lhe disse, sobre o país e sobre os EUA, e fará aquilo que lhe foi sugerido: limitando o recurso ao aborto e defendendo a família; marginalizando os oligarcas e restituindo ao Estado e aos russos os seus bens nacionais; religando o seu país às tradições religiosas combatidas pelo comunismo e também, de outro modo, pelo Ocidente.
Quanto à política externa, para entender a posição do Putin de hoje, talvez seja preciso, ainda uma vez, recordar o que pensava o seu venerado mestre, quando, na primavera de 1999, comentando os bombardeamentos debaixo do tapete da administração Clinton sobre a Sérvia, declarava: “Não é necessário iludir-se de que a América e a Nato tenham como escopo a defesa dos kosovares... A coisa mais espantosa é que a Nato nos introduziu em uma nova época... quem é mais forte esmaga”.
Em 2008, ano da sua morte, Solženicyn declarou: “Implantar a democracia em todo o planeta. Implantar! E de fato começaram a implantar. Primeiro na Bósnia. Com um banho de sangue... Um grande sucesso, no Iraque! Um grande sucesso da democracia. Agora a quem tocará? Quem será o próximo? Talvez o Irã?... Não vale um denário a democracia alcançada com as baionetas; há dez anos estão desenvolvendo o seu plano despudorado, cuja substância consiste em impor em todo mundo a assim chamada democracia ao modo americano”.
Eis de onde provém, ao menos em parte, a aversão de Putin à guerra na Líbia (país que, se se ouve a qualquer um, estava sendo “libertado” do tirano), a sua política na Síria, a sua simpatia por Trump (orgulhoso desmobilizador da Nato), e a aversão por Hillary Clinton, a mulher que votou sim a todas as guerras para “implantar” a democracia.
Quem jamais teria dito que o homem que desafiou a URSS, que acordou o Ocidente para a existência dos gulags, colocando em crise o comunismo internacional, se tornaria depois o conselheiro, político e espiritual, do homem que hoje contende com os EUA pelo primado na política externa mundial, e que ao mesmo tempo se contrapõe também no terreno ideal da religião, da família, dos assim chamados direitos civis, das políticas abortistas e pró-LGBTs de Obama e da Clinton?
Um intelectual no poder, então, ainda depois de sua morte? Assim escreveram muitas vezes os jornais russos, naqueles anos, comparando a relação entre Solženicyn e Putin àquela entre Nicolau I e Aleksandr Puškin. Certamente Solženicyn teria dito não: homem cultíssimo, considerava-se, porém, um filho do povo russo. Considerava os intelectuais um desastre: propugnadores do comunismo, no Oriente, corruptores da liberdade e da verdade, no Ocidente.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Novo livro de Carlos Nougué : “Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal – O Tratado dos Universais”


Carlos Nougué

Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal:
O Tratado dos Universais


Sumário

• Proêmio
• A querela dos universais
• A universalidade das intenções lógicas
• Os predicáveis
• Os unívocos
• As categorias
• Os análogos
§ Os transcendentais
• Os pós-predicamentos
• A Linguagem e a Escrita
• Morfologia e Semântica
• Geração e corrupção das palavras

Número de páginas: cerca de 500.
Data prevista de lançamento: dezembro de 2017.
Editora: É Realizações.

Justificação: não é possível que se dê a verdadeira arte-ciência da Lógica sem que se funde numa língua cultivada. Pois bem, lançada a Suma Gramatical da Língua Portuguesa, posso agora lançar Do Verbo Cordial ao Verbo Vocal – O Tratado dos Universais, o primeiro dos tratados lógicos, concernente à primeira operação do intelecto. O livro já está em fase de retoques finais. – Desse modo, terei publicados em 2017 três novos livros: este; Do Papa Herético e outros opúsculos, de cerca de 450 páginas; e Das Artes do Belo, de cerca de 700 páginas; além de “Da Necessidade da Física Geral Aristotélico-Tomista”, estudo introdutório (de cerca de 100 páginas) à minha tradução do Comentário à Física de Aristóteles por Santo Tomás de Aquino (editora: É Realizações).  – Tenha-se certeza de que tudo isso implica para mim um esforço hercúleo, ao qual não me entrego senão porque estou convicto da necessidade destas obras: se o mundo tem alguma salvação, esta não se dará sem o tomismo.

Em tempo 1: vai para seus últimos dias a campanha pela publicação de Do Papa Herético e outros opúsculos (http://edicoes.santotomas.com.br/). Ao que se interessar pela obra, sugiro que participe da campanha para beneficiar-se do preço de R$ 50,00, o qual se elevará a partir do lançamento.
Em tempo 2: saiu a segunda edição revista da Suma Gramatical da Língua Portuguesa (vide aqui). A primeira, de 5.000 exemplares, esgotou-se em um ano e três meses. E a obra tem tido de fato acolhida muito favorável (vide, por exemplo, aqui).

domingo, 19 de março de 2017

O fado (ou fatalidade) e os astros, segundo Santo Tomás de Aquino


«Do posto anteriormente resulta o que havemos de pensar acerca do fado. Pois, vendo os homens que muitas coisas sucedem neste mundo per accidens do ângulo das causas particulares, pensaram alguns que não proviessem de nenhuma causa, nem sequer superior, que as ordenasse. Por isso negaram a fatalidade.
Outros tentaram reduzi-las a causas mais elevadas, das quais deviam proceder segundo certa disposição ordenada. Estes puseram o fado: como se as coisas que parecem suceder ao acaso fossem effata, ou seja, ou anunciadas ou preditas por algo, como que preordenadas a que existam.
Alguns destes tentaram reduzir tudo quanto aqui sucede por acaso ou contingentemente aos corpos celestes como a suas causas, incluídas as eleições humanas. E chamavam fado ao poder que provém da disposição dos astros, ao qual tudo deveria subordinar-se com certa necessidade. Mas esta opinião é impossível e vai contra a fé, como se patenteia do posto anteriormente.
Outros porém quiseram reduzir à disposição da providência divina tudo quanto parece ocorrer por acaso entre as coisas inferiores. E assim disseram que tudo se faz pelo fado, chamando por este nome à ordem que há nas coisas pela providência divina. Por isso diz Boécio em Da Consolação da Filosofia, livro 4, prosa 6, que “o fado é a disposição inerente às coisas móveis, pela qual a providência ata tudo a suas ordens”. Nesta descrição do fato, põe-se “disposição” como equivalente de “ordem”; e que seja “inerente às coisas” põe-se para distinguir o fado da providência. Porque a mesma ordenação, enquanto está na mente divina, mas ainda não se encontra impressa nas coisas, é providência; mas, enquanto se desdobra nas coisas, chama-se fado. E fala de coisas móveis para mostrar que a ordem da providência não tira às coisas sua contingência e mobilidade, como alguns puseram.
Segundo pois este modo de concebê-lo, negar o fado equivaleria a negar a providência divina. Mas, como com os infiéis não devemos ter em comum nem os nomes, para que o uso comum dos termos não nos venha a servir de ocasião de errar, os fiéis não devemos usar a palavra fado, para que não pareça que assentimos ao que opinaram mal sobre o fado, submetendo todas as coisas à necessidade imposta pelos astros. Por isso diz Agostinho [em Da Cidade de Deus, l. V, cap. 1]: “Se alguém à vontade ou potestade de Deus a chama pelo nome de fado, tenha a sentença, mas corrija a língua”. E diz Gregório [na Homilia X sobre o Evangelho, na Epifania], segundo o mesmo entendimento: “Fique fora da mente dos fiéis o dizer que existe o fado”.»        

[Suma contra os Gentios, III, cap. 93.] 

terça-feira, 14 de março de 2017

Evolución y el planeta neocatólico de los simios [Parte I]


14/03/17

Solíamos ser monos. Ahora bien, es cierto que la ciencia no confirma aún esa teoría, así que tendrás que aceptarla ciegamente. Pero al menos la Evolución no es una superstición y un mito absurdo. ¡No, es una superstición y un mito mortalmente serio, esto te lo puedo decir!

Cómo la fallida teoría de la evolución ha derribado el relato del Génesis sobre la Caída con la ayuda de sus facilitadores católicos.

Nota del editor: Con cierta frecuencia, animamos a los visitantes de nuestro sitio web Remnant a suscribirse a The Remnant. La razón por la que hacemos esto es porque gran parte de nuestro trabajo no aparece en línea, y con el fin de mantener nuestro sitio web en funcionamiento debemos mantener nuestro periódico en funcionamiento. El periódico subsidia al sitio web. Esta refutación académica de la teoría de la Evolución hecha por Chris Ferrara, por ejemplo, es una muestra de por qué es necesario suscribirse a nuestra edición impresa si desea beneficiarse de todo el cuerpo de nuestro trabajo. Este artículo de tres partes apareció en The Remnant hace casi dos años y se hace más oportuno cada día. Incluso el Papa Francisco (tal vez debería decir, por supuesto, el Papa Francisco) dice que esa teoría de la Evolución no es en absoluto incompatible con la enseñanza de la Iglesia porque “Dios no es un mago y la evolución puede haber sido necesaria para él”. Somos muy conscientes de lo polémico e incluso satírico que una estricta defensa de Génesis se ha convertido en 2017. Y, francamente, no nos importa. La ciencia moderna también descarta la Presencia Real de Cristo en la Eucaristía. La ciencia moderna llama a la Resurrección de Cristo un engaño. La ciencia moderna niega la existencia del alma. Si vamos a permitir que las teorías científicas modernas (y no olvidemos, se llama la “Teoría de la Evolución”) y el cientificismo dicten lo que los católicos creemos y no creemos, entonces todo está perdido, la apostasía universal está completa, y las puertas del infierno habrán prevalecido. No podemos ni vamos a ser amedrentados o intimidados cuando se trata de la doctrina definida de la Iglesia Católica de que Dios creó al hombre ex nihilo, de la nada, en un acto supremo de Su voluntad. Si esto hace que nuestros sofisticados críticos se rían de la Iglesia y se burlen de ella, y se rían y se burlen de los que creemos con todo nuestro corazón que Dios no hizo al hombre de un mono, así sea. Y en esta santa temporada de Cuaresma recordamos cómo el mundo se rió y se burló del Hombre que dijo que era Dios. Francamente, nosotros en The Remnant estamos perfectamente contentos de reírnos y burlarnos de la teoría de la Evolución -posiblemente el mayor engaño de la historia- y en las siguientes series confiamos en la ciencia y en la enseñanza de la Iglesia para demostrar qué broma ridícula esta anticuada y ahora totalmente obsoleta teoría se ha convertido. MJM

Parte I: Teoría no digna de la credulidad católica [1]

Se o princípio masculino e o feminino são ambos causas eficientes na geração do embrião


Carlos Nougué

Nota prévia: este breve escrito se funda grandemente em Padre Álvaro Calderón, La naturaleza y sus causas, t. II, p. 375-377. O que porém ali não se encontrar será, obviamente, de minha total responsabilidade.

Objeção. Segundo a biologia moderna e contrariamente à doutrina aristotélico-tomista, o princípio masculino e o feminino concorrem igualmente, como causas eficientes, para a geração do embrião.
Resposta. Deve dizer-se que tal conclusão da biologia moderna decorre de uma insuficiência sua, ou seja, do cingir-se ao quantitativo. Com efeito, para que se trate de um embrião, é preciso que já esteja informado, isto é, determinado por uma forma. Mas, para que uma forma seja causada por várias causas eficientes parciais, é necessário que seja de algum modo composta, de maneira que uma parte se deva a uma e outra a outra. Pode dar-se multiplicidade de causas, sim, quanto à disposição da matéria para receber a forma substancial; e é quanto a tal disposição que o óvulo deve absorver o gameta masculino, em geral bem menor, para que se constitua algo uno, o zigoto. Sucede todavia que é a forma substancial mesma a que dá unidade a tal composto, e essa forma é simples, não composta, e não comporta, portanto, distinção real de partes. Não pode pois ser causada senão por um único agente ou eficiente, ou seja, ou pelo princípio masculino ou pelo feminino. “E a generalidade das espécies”, escreve o Padre Calderón, “mostra que se deve atribuir a geração ao princípio masculino, que é onde a forma específica se dá com maior vigor”.
A espécie humana, é verdade, deve tratar-se à parte, porque a causa eficiente da alma racional é Deus, não o princípio masculino. Mas também pelo que se dá no mundo vegetal pode mostrar-se que em geral é o princípio masculino a causa agente da forma pela qual se constitui o embrião. Com efeito, cada flor encerra em si todo o necessário para a reprodução sexual: a parte masculina é o estame, constituído pelo filamento e pela antera; a parte feminina, ou carpelo, inclui o estigma – que recolhe o pólen –, o ovário – que contém o óvulo – e o estilete – tubo que liga o estigma ao ovário. Pois bem, o pólen é produzido na antera, e é liberado quando já está maduro. Mas cada grão de pólen contém dois gametas masculinos. Ao dar-se a autopolinização, o pólen chega ao estigma da mesma flor, ainda que na maioria das plantas, na qual se tem polinização cruzada, o pólen seja transportado pelo ar, ou pela água, ou por insetos, etc., para outra flor. Se porém o pólen alcança o estigma de uma flor da mesma espécie, constitui-se um tubo polínico que cresce para baixo ao longo do estilete e transporta os gametas masculinos até ao óvulo. É então que, dentro do saco embrionário do óvulo, um gameta masculino fecunda a ovocélula e se eduz a forma substancial, pela qual se constitui o zigoto e pois o embrião.* (O segundo gameta masculino, no entanto, une-se a duas células do saco embrionário, chamadas núcleos polares, para constituir o endosperma nutritivo que envolve o embrião da semente.)
Baste o dito quanto ao que intencionei mostrar principalmente. Acrescente-se apenas que também pelo que se acaba de ler se tem mais um indício do verdadeiro caráter do evolucionismo ou darwinismo: é anticientífico, fantasista, além de radicalmente anticristão. Com efeito, é impossível que a fecundação animal ou vegetal, em toda a sua complexidade, seja resultado da ação de forças cegas da matéria e não da eficiência primeira de um Artífice.



* Assinale-se, porém, para entendimento mais cabal do modo como a forma substancial vem ao ser, que o faz “pela comunhão do agente e da matéria, em cujas [respectivas] potências ativa e passiva ela preexistia, de maneira que, a uma só vez, [a forma] desce por recepção do agente e ascende por edução da matéria. [...]: forma recipitur ab agente in materia, et educitur de materia in esse” (Padre Ávaro Calderón, ibidem, p. 117).   

domingo, 12 de março de 2017

Elogio de Marco Túlio Cícero


Carlos Nougué

A ALTURA DE CÍCERO[1]

Apesar de a figura de Marco Túlio Cícero (Arpino, 106-Caieta, 43 a.C.) sempre se ter afigurado paradoxal ou contraditória nos livros que dele falavam, desde jovem nunca hesitei na admiração, algo confusa, que sentia por ele.
Admirava-o como filósofo? como retórico? como político? Mas obviamente Cícero, o Túlio a que com respeito tantas vezes se refere Santo Tomás de Aquino, não foi tão grande filósofo como Platão ou Aristóteles; faltava-lhe um sistema, uma visão orgânica, a solução intelectiva do mundo. Tampouco se mostrava original, sendo aparentemente, como seus pares romanos, um simples eclético na tentativa de conciliar grande parte das escolas filosóficas precedentes.
Como retórico, era sem dúvida grande, o que porém não era bastante para alicerçar-me a admiração por ele. Se se tratava do político grande que também sem dúvida foi, já aumentava um pouco a possibilidade de minha admiração ter fundamento. Mas não tanto para justificar a própria grandeza dela. Donde pois me provinha aquela inclinação que me fazia ler com avidez e verdadeira simpatia as obras do romano?
Hoje, beirando já a casa dos sessenta, creio ter a resposta. Com efeito, era Cícero um mosaico de qualidades. Historicamente, foi um verdadeiro vaso comunicante tanto entre o pensamento helênico e o pensamento romano como, mais tarde, entre a cultura antiga e os Padres latinos (com especial influência sobre Santo Agostinho, Santo Ambrósio e São Jerônimo). O Pai da Pátria dos romanos conseguiu de fato transplantar a cultura grega para o então solo rústico da sua pólis, dando-lhe uma orientação ética geral e solidificando, desse modo, aquela cidade que progressivamente se confundia com quase todo o orbe conhecido. Mais que isso, porém: deu à língua latina porte científico ao dotá-la, num esforço de adaptação do léxico filosófico grego, de vocábulos para as coisas e ideias que povoavam o universo da sabedoria. Pode-se assim dizer, em sentido lato, que Roma teve três fundadores: Rômulo, Virgílio e Cícero.
Terá, todavia, o filósofo Cícero a mesma altura que o vaso comunicante entre três mundos e o fundador Cícero? Ainda considerando suas grandes contribuições naquele terreno, como o ter firmado grandemente a noção de lei natural (que porém só se consolidaria definitivamente com Santo Tomás), não se pode negar, por um lado, sua inferioridade com relação a um Aristóteles — a cuja filosofia, todavia, como mostrei em outro lugar,[2] tendeu grandemente. Por outro lado, há homens cuja obra, se assim se pode dizer, são grandes por razões extrínsecas a ela. De fato, Cícero, que como filósofo era antes de tudo um seguidor de Sócrates, igualou-se ao mestre não no plano da invenção especulativa, mas no do exemplo vital diante da morte.
Precisamente, o que sem dúvida remata a figura de Cícero em toda a sua grandeza é a absoluta concordância entre o seu pensamento e a maneira como ele se portou na hora de perder a vida. Antes de ser degolado por sicários a soldo de Marco Antônio, primeiro pronunciou aristotélica e, digamos, pré-cristãmente: “Causa das causas, tem misericórdia de mim”, e depois, ao estender ele próprio o pescoço para o golpe fatal, proferiu socraticamente: “Morra eu na pátria que tantas vezes salvei”.
Mais portanto do que elucidar-me uma admiração juvenil, o conhecimento preciso de Cícero confirmou-me o que com grande propriedade alguém já dissera: “Na história, só importam os heróis e os santos [e os sábios, acrescento eu]”.




[1] Apresentação de O Sonho de Cipião, de Marco Túlio Cícero, apresentação, tradução e notas Prof. Dr. Ricardo da Costa 
(http://www.ricardocosta.com/sites/default/files/pdfs/sonhocipiao.pdf).
[2] Na Apresentação de Do Sumo Bem e do Sumo Mal (De finibus bonorum et malorum), trad. Carlos Nougué. São Paulo, Martins Fontes, 2004.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Ainda os descaminhos filosóficos do neotomismo: os primeiros princípios e a teodiceia


Carlos Nougué


Em várias obras, diz Garrigou-Lagrange O.P. que o “princípio da identidade” é o primeiro dos primeiros princípios; e ele certamente não foi o primeiro a dizê-lo. Por outro lado, em sua A Essência do Tomismo, Manser O.P. põe o “princípio da razão suficiente” entre os primeiros princípios. Mas nada disso é de Aristóteles nem de Tomás de Aquino: ambas as coisas são de Leibniz. Não que por serem de Leibniz sejam erradas; mas o fato é que também nisso errou Leibniz. O “princípio da identidade” (“todo ser é o que é”) responde ao matematicismo cartesiano-leibniziano, e corresponde à famosa e vácua fórmula 1 = 1. Aí está um modo de ser profundo sem dizer absolutamente nada. Quanto porém ao “princípio da razão suficiente” (“nada existe sem razão suficiente), responde ao idealismo de Leibniz: Deus conhecia todos os mundos possíveis, mas, como por sua sabedoria não podia agir sem razão suficiente, de todos os mundos possíveis só fez o melhor. É o chamado “otimismo” leibniziano. Mas Tomás de Aquino demonstra na Suma Teológica que Deus poderia ter criado outro e melhor mundo, ainda que nenhum mundo que Deus criasse pudesse ser inconveniente. – O neotomismo também tomou de Leibniz, de certo modo, outra doutrina metafísica: a chamada “teodiceia”, mediante a qual Leibniz pretendia conciliar Deus e o mal no mundo. Mas o que encontra não é nada tomista, e Tomás de Aquino respondeu previamente a ele de modo cabal em sua vasta obra. Sucede todavia que quase todos os neotomistas dividem a Metafísica em Ontologia e em Teodiceia, com o que se infringe a unidade simpliciter da Metafísica: esta, como a Teologia Sagrada, não tem partes subjetivas. Mas, infelizmente, desde o século XVII os doutores e teólogos católicos também passaram a dar à Teologia Sagrada partes subjetivas: Teologia Dogmática, Teologia Moral, etc. – São os descaminhos do neotomismo: e assim é porque, como dizia Santo Tomás de Aquino, um pequeno erro no princípio torna-se um erro grande ao final. 

     Observação. Se critico o neotomismo, não deixo porém de ter grande apreço por boa parte dos neotomistas: com efeito, foram bravos combatentes sob o estandarte do tomismo contra inimigos pertinazes e majoritários. Mais que isso: ainda está por publicar-se em português a maior parte de sua obra, o que é urgente. Mas a principal tarefa dos tomistas hoje, quando nosso isolamento é total e por isso mesmo é possível seguir a Santo Tomás em espírito e letra, é voltar à doutrina do mestre sem concessão alguma ao ambiente. Para o fazermos, todavia, há que superar os desvios que sete séculos fizeram padecer à doutrina de Tomás de Aquino. Por isso, e tão somente por isso, não deixarei de insistir nos erros dos neotomistas.  

domingo, 22 de janeiro de 2017

“Do Papa Herético” e o dilema conciliar


Carlos Nougué

Diante do grave dilema que nos impõe o magistério conciliar, e em particular o de Francisco, têm-se dado duas respostas. A primeira, reagindo aos desvios da fé por parte do Magistério conciliar, acaba com o mesmo Magistério, e pois com a mesma Igreja, negando assim a promessa de Cristo de que as portas do inferno não prevaleceriam. A segunda, pretendendo ater-se a esta mesma promessa, termina por calar-se diante dos referidos desvios da fé, ou até por segui-los, ambas as coisas inconvenientes. Tem-se buscado ainda, porém, uma posição média entre esses extremos, com doutrinas com a das “duas Igrejas” – mas sempre, a meu ver, insatisfatoriamente.
Por isso escrevi “Do Papa Herético”, ou seja, para mostrar que é possível uma posição média satisfatória entre tais extremos. Fundei-me amplamente nas Escrituras, no magistério da Igreja, na doutrina de multidão de Santos Padres, de Doutores e de teólogos – e em inegáveis fatos da vida pregressa da Igreja. E creio que, sim, consegui resolver neste escrito o referido dilema. Se o tiver feito, todavia, não terá sido senão pela só graça de Deus. 

Data de lançamento de “Do Papa Herético e outros opúsculos”, de Carlos Nougué


Carlos Nougué 

Meu Do Papa Herético e outros opúsculos sairá pelas Edições Santo Tomás, terá cerca de 500 páginas (suprimiram-se alguns opúsculos previstos, em prol da viabilidade), formato 14 x 21 cm, miolo costurado e em papel Polen, capa com laminação fosca, e tem lançamento previsto para 10 de abril próximo. Devido ao alto custo da produção, será impresso por encomenda, e por isso de meados de fevereiro a meados de março se dará sua pré-venda (junto com uma série de outras promoções). Quantos se venderem, tantos se imprimirão. Passado este primeiro momento, o mesmo esquema de pré-venda do livro voltará a fazer-se regularmente.  

Observação 1. Publicado Do Papa Herético e outros opúsculos, será a vez, então, dos também meus Da Figura do Silogismo (de cerca de 200 páginas) e Das Artes do Belo: Essência e Fim (de cerca de 500 páginas), além de outros  se Deus quiser e para sua maior glória.
Observação 2. A segunda edição (revista) da Suma Gramatical da Língua Portuguesa (É Realizações, formato 16 x 23 cm, 608 pp.) sairá em fevereiro próximo.