terça-feira, 1 de novembro de 2016

A cegueira voluntária é altamente culpável e imoral


Carlos Nougué

Os comunistas idealistas diziam, enquanto a ditadura sanguinária de Stalin e outras matavam dezenas de milhões de pessoas: “Isso é só o socialismo real; um dia alcançaremos o socialismo ideal”.
Os liberais conservadores dizem, enquanto a democracia liberal sucumbe cada vez mais ao poder da propaganda e da agitação jacobinas, marcusianas, comunistas: “São doenças da infância da democracia; logo ela chegará à idade adulta, ao vigor da idade”.
E alguns membros da chamada “linha média” católica dizem, enquanto Francisco destrói o que resta dos escombros causados pelo Vaticano II e vai à Suécia comemorar os 500 anos da revolução luterana: “Francisco é o bom pastor que vai atrás das almas extraviadas”.
É o cúmulo da cegueira voluntária: Francisco não vai à Suécia dizer às ovelhas desgarradas que elas estão extraviadas e que portanto devem voltar ao redil da Igreja. Ele vai comemorar esse extravio, e até põe no Vaticano uma estátua do heresiarca que fundou o mesmo extravio.
É cegueira tão voluntária como a daqueles comunistas e a daqueles conservadores, e como estas é altamente culpável. Está contribuindo para a ocupação da Europa pelo islã, para a destruição da família pela doutrina iníqua de um papa iníquo, para o advento do Anticristo.
Mas esta cegueira implica uma obediência cega e incondicional a alguém que está, por direito divino, anatematizado, porque, como dizia São Paulo: “Ainda que nós mesmos ou um anjo do Céu vos anunciemos um Evangelho diferente daquele que vos tenho anunciado, seja anátema” (Gl I, 8). E tal obediência implica um axioma imoral: o de que a ordem do superior livra o subordinado de qualquer responsabilidade própria. Não o livra, senão que o condena junto com o superior. Com efeito, se é verdade que entre as virtudes morais a obediência ressalta, justamente por implicar o desprezo do maior dos bens (a vontade própria), isso em nada muda o fato de que a obediência é uma virtude subalterna, que depende da mesma subordinação às virtudes mais altas (como a fé) para que ela própria seja virtude. Faltando esta subordinação, deixará a obediência de ser virtude, e mudar-se-á em vício.