terça-feira, 19 de julho de 2016

Os católicos e as manifestações do próximo dia 31


C. N.

O que moverá unitariamente os milhões de pessoas que comparecerão às manifestações do próximo dia 31 são, antes de tudo, duas coisas: o impeachment de Dilma, e a preservação tanto das investigações da corrupção como das prisões delas decorrentes. E ambas as coisas são em si importantes: com efeito, os governos do PT, cuja corrupção em benefício próprio e da comunistização da América ibérica alcançou patamares talvez sem equivalente em todo o mundo, levaram o país e seu povo à bancarrota e ao desespero.
Mas isso mesmo enseja outro motor das manifestações, o qual, se não alcança o mesmo grau de clareza na mente do conjunto dos manifestantes, se cifra magnificamente no lema “A bandeira brasileira jamais será vermelha”. É a luta contra o comunismo (doutrina iníqua em si, como decretou infalivelmente Pio XI), luta que cresceu efetiva e beneficamente nos últimos anos – e segue crescendo.
A partir daí, já não haverá consenso entre os manifestantes. Suas lideranças movem-se por doutrinas ou fins díspares: liberalismo republicano, militarismo, monarquia, além do apoio a este ou àquele candidato à presidência, etc. Ora, o católico, segundo doutrina infalível do mesmo magistério (posta porém de modo diverso de como se deu a definição contra o comunismo), não pode ser liberal nem defender o liberalismo. O militarismo (ou seja, a reivindicação de uma intervenção militar) parece-me de todo utópico no atual momento. Quanto aos candidatos à presidência, se se mantiver o quadro atual, havemos de votar em Bolsonaro contra Lula, contra Marina, contra Aécio, assim como nos Estados Unidos haveríamos de votar em Trump contra Clinton: o que porém não quer dizer que nos identifiquemos com Bolsonaro nem, muito menos, com seu partido, protestante. Trata-se de um mal (bem) menor que os demais, ao menos se Bolsonaro se mantiver na linha em que está. Outras considerações sobre isto, deixo-as para outro momento e lugar.
Mas parece-me que devemos apoiar decididamente a restauração da monarquia, pelas razões dadas em O movimento monarquista brasileiro e em Discurso do Príncipe D. Bertrand. Em resumo, o movimento monarquista e seu fim podem vir a constituir um efetivo bem, ainda que não o bem absolutamente desejável (mas também absolutamente impossível hoje) no âmbito do político.
Por isso, antes de tudo, devemos os católicos portar nas manifestações do dia 31 sinais de que apoiamos a restauração da monarquia. Isto porém é insuficiente: devemos, ademais, marchar ali com um rosário ou terço na mão. Mais ainda: em conjunto, devemos mostrar de qualquer modo não somente que somos pelo impeachment, pela prisão dos corruptos, contra o comunismo, mas ainda que somos pela liberdade para o ensino católico, pelo homeschooling, pela família, contra a ideologia de gênero, contra o aborto, contra, enfim, toda a chamada pauta global, derivada da revolução atualmente hegemônica (a do “marxismo cultural”). E por fim, e mais importante: que marchamos sob o estandarte de Cristo Rei.
Havemos pois de distinguir-nos – sem deixar de generosamente aliar-nos à maioria do povo brasileiro. Até porque, fazendo-o, contribuiremos para que nossas famílias e filhos tenham algum respiro e não se vejam submersos de todo na ignomínia que tão tristemente padecem hoje, por exemplo, os católicos espanhóis.
Cumpramos pois nosso dever, e empenhemo-nos em levar às manifestações o maior número possível de pessoas.