segunda-feira, 30 de maio de 2016

Críticas de sedevacantistas à nossa posição


C. N.

De quando em quando, chegam-nos notícias de “refutações” de sedevacantistas à nossa tese (o nós é aqui plural de modéstia) sobre a possibilidade de um papa herético. Ora nossa tese é considerada puro sofisma, ora uma continuação da do Padre Álvaro Calderón. Pois bem, digamos breves palavras sobre isso.
1) Antes de tudo, como dito no proêmio de Da Necessidade de Resistir ao Magistério Conciliar, série de Estudos Tomistas e ainda em curso de escrita e de publicação, nela não trataremos a questão posta pelos sedevacantistas (mas sim especialmente a questão posta pela chamada “linha média”). Fá-lo-emos, porém, em Do Papa Herético, que, se a crise econômica no-lo permitir, sairá ainda este ano. Portanto, sugerimos aos sedevacantistas – apenas sugerimos – que tenham certa paciência ou prudência.
2) É bem verdade que se publicou um vídeo nosso sobre o mesmo tema. Mas, como dito neste mesmo vídeo, trata-se de mera antecipação do que se dirá longa, detida e disputadamente no referido livro. Logo, tal vídeo não se pretende nossa resposta mais cabal à questão.
3) Depois, não sei se se percebeu, mas seguimos quanto possível o salutar costume escolástico medieval de não referir o nome dos adversários vivos, apenas suas ideias, e o mais fidedignamente possível.
4) A resposta a uma doutrina, se se trata de algo minimamente digno deste nome, e se em princípio não atenta contra a fé, merece por resposta uma verdadeira questão disputada. Mas, infelizmente, em decorrência da própria crise da Igreja instaurada pelo Vaticano II e das facilidades oferecidas pela Internet, tornou-se costume entre os católicos responder a doutrinas assim em artigos sumários, e sem seguir as regras da dialética (para alcançar a opinião mais provável) ou dos Analíticos aristotélicos (para alcançar a ciência ou verdade); aliás, o mais das vezes nem sequer se sabe a diferença entre opinião e ciência e entre estas e dogma. É um desserviço ao pensamento católico tão grande como o foi a escolástica decadente e resultante do ockhamismo. (Não se confundam, porém, tais artigos sumários com artigos não propriamente científicos mas de divulgação de doutrinas verdadeiramente científicas ou prováveis. No primeiro caso, como dito, trata-se de desserviço; no segundo, de serviço.) 
5) Nossa doutrina a respeito da possibilidade de que um papa incorra em heresia não é a do Padre Álvaro Calderón, como dito no referido proêmio, conquanto a siga em alguns pontos. 
6) Como dito aos da “linha média” quanto à série Da Necessidade de Resistir ao Magistério Conciliar, diga-se agora aos sedevacantistas que os que não se convencerem do escrito em Do Papa Herético poderão convidar-nos a um debate ou disputa pública, aceita de antemão. Com os que o fizerem, concertaremos então as regras desse mesmo debate ou disputa.