quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Se Dom Lefebvre era eclesiavacantista


1) Antes de tudo, leiam-se as palavras de D. Lefebvre na famosa Declaração de 21 de novembro de 1974: “Aderimos de todo o coração e com toda a alma à Roma católica, guardiã da Fe católica e das tradições necessárias para a manutenção dessa Fé, à Roma eterna, mestra de sabedoria e de verdade. Em contrapartida, negamo-nos (como nos negamos sempre) a seguir a Roma de tendência neomodernista e neoprotestante, que se manifestou claramente no Concílio Vaticano II, e, depois do Concílio, em todas as reformas que surgiram ele.” Logo, dizem os eclesiavacantistas, há duas Romas, a Igreja Católica e a “igreja conciliar”, e  existem separadamente.
Veja-se porém que D. Lefebvre distingue as duas Romas ou igrejas, mas não as considera como existindo separadamente uma da outra. Por isso diz mais adiante na mesma declaração que “nenhuma autoridade, nem sequer a mais elevada Hierarquia, pode obrigar-nos a abandonar ou a diminuir nossa Fé católica”. Ora, nestas palavras há um reconhecimento da autoridade da Hierarquia oficial. Continua: “Não é isso o que hoje em dia nos repete o Santo Padre? E, se manifestasse certa contradição em suas palavras e em seus atos bem como nos atos dos dicastérios, então optamos pelo que sempre se ensinou e fazemos ouvidos moucos às novidades destruidoras da Igreja (…) prosseguimos nossa obra (…) persuadidos de que podemos prestar melhor serviço à Santa Igreja Católica, ao Sumo Pontífice e às gerações futuras.” É pois EVIDENTE que D. Lefebvre reconhece aqui o Papa enquanto tal e aos dicastérios romanos como fazendo parte da Igreja.
2) Eis outras palavras de D. Lefebvre que os eclesiavacantistas interpretam em seu favor: “Eu digo: Roma perdeu a fé, queridos amigos. Roma está na apostasia.  Não estou dizendo palavras vazias! Essa é a verdade! Roma está na apostasia! Já não podemos ter confiança nessa gente. Eles abandonaram a Igreja! Eles abandonaram a Igreja! É verdade, é verdade. Não podemos entender-nos. É isso, asseguro-lhe, é a síntese. Não podemos seguir essa gente. Verdadeiramente estamos diante de gente que já não tem o espírito católico, que já não tem o espírito católico. É a abominação, verdadeiramente a abominação. Podemos dizer que essas pessoas que ocupam Roma atualmente são anticristos” (Conferência em Ecône, 4-9-1987).
Mas, se D. Lefebvre realmente julgasse que Roma se encontra em todos os sentidos fora da Igreja, nem haveria firmado o protocolo de acordo com Roma oito meses depois (maio de 1988), nem teria dito, pouco tempo depois, estas palavras, entre muitas outras: “(…) supondo que daqui a certo tempo Roma faça um chamado, que queira voltar a ver-nos, retomar o diálogo, nesse momento seria eu quem imporia as condições” (…) (Fideliter 66, 1988).  “Durante os últimos contatos que tive em Roma, várias vezes quis sondar suas intenções, medir se de fato havia uma mudança verdadeira. (…) Se fui discutir em Roma, é porque eu queria ver se podia chegar a um acordo com as autoridades da Igreja” (…) (Fideliter 68, 1989).
E isto é mais que suficiente para desvincular D. Lefebvre do eclesiavacantismo, embora se pudessem dar outros numerosos exemplos.

Cf.: ECLESIAVACANTISMO Parte 2.